Aluna é suspensa após criticar ofício que proíbe discutir assuntos de gênero e ativismo dentro de escola de Lages - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Polêmica19/10/2017 | 18h17

Aluna é suspensa após criticar ofício que proíbe discutir assuntos de gênero e ativismo dentro de escola de Lages

Reitoria confirmou que não trata dos assuntos que fogem às disciplinas em sala de aula e que aluna foi punida por publicação no Facebook

Aluna é suspensa após criticar ofício que proíbe discutir assuntos de gênero e ativismo dentro de escola de Lages Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

Uma adolescente de 15 anos que cursa o 1º ano do Ensino Médio na Univest, instituição de ensino particular de Lages, na Serra Catarinense, foi suspensa por dois dias após criticar publicamente o posicionamento do colégio em relação a assuntos de gênero, ativismo e religião. A jovem afirma que outra colega perdeu a bolsa de estudos para o próximo ano porque também se manifestou contra o regulamento escolar. As alunas foram suspensas das aulas nesta quinta e sexta-feira.  

O ofício circular entregue aos alunos nesta semana diz que “em casa se aprende a ser organizado, a não mexer nas coisas dos outros,  a respeitar regras e a amar o próximo”, e na escola “os professores devem ensinar disciplinas como matemática e português”. O ponto mais polêmico descreve que na escola não se aprende sobre “sexo, ideologia de gênero, ativismo LGBT, comunismo, esquerdismo e religião”.

A adolescente, que não terá o nome revelado por ser menor de idade, postou em seu perfil no Facebook uma foto do bilhete com a seguinte legenda: “2017, a nova idade média. Pasmem, isso é real”.

No dia seguinte à postagem, após repercussão na internet, a aluna recebeu o comunicado da suspensão. A colega que também teria sido suspensa e teria perdido a bolsa comentou no post da jovem no Facebook.

 — Eu acho que a escola está limitando o espírito pensante dos alunos. A escola deveria ajudar a família a criar alunos com senso critico e é impossível não debater esses assuntos — disse a jovem em conversa com a reportagem.

Ela afirma que o bilhete foi entregue aos alunos sem que houvesse uma explicação ou um debate sobre o tema. A mãe da jovem também conversou com o DC e disse que ficou surpresa com o posicionamento da instituição. Ela pretende mudar a filha de colégio no próximo ano e ajuizar uma ação por danos morais.

— É arcaico e contra a Constituição, a gente tem o direito ao livre pensamento. É prova de que, mais uma vez, estão podando o pensamento das pessoas — destacou a mãe.

Reitor diz que "toda ação tem uma consequência"

A reportagem conversou com o reitor do Centro Universitário Facvest, a qual a Univest é submetida, Giovani Broering. Ele confirmou que o ofício foi entregue aos alunos e que as duas garotas foram suspensas. Com relação à perda da bolsa de uma das meninas, ele se limitou a dizer que “toda ação tem uma consequência”.

— A instituição não discute questões de sentimento com o aluno, nós discutimos ciência. Sexualidade é sentimento para ser discutido no âmbito familiar. A relação das pessoas é formada no seio familiar. A instituição diz aos alunos quais são as regras de conduta: acreditar nas pessoas, não olhar a quem, ser responsável por aquilo que faz — afirmou o reitor.

 Broering reforçou que assuntos que fogem às disciplinas não são tratados em sala de aula e afirmou que, quando há alguma situação pontual de desrespeito entre os alunos, os pais são acionados e os responsáveis são punidos por meio das sanções determinadas pela instituição. 

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