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Poluição23/11/2017 | 15h20Atualizada em 23/11/2017 | 16h41

Dagmara Spautz: rio que provoca manchas no mar em Itapema está há dois anos sem monitoramento

Rio Perequê era monitorado por oceanógrafos da Univali, mas projeto foi suspenso por falta de apoio. 

Dagmara Spautz: rio que provoca manchas no mar em Itapema está há dois anos sem monitoramento ./Itapema
Mancha que se espalhou pelo mar entre Itapema e Porto Belo esta semana partiu do rio Perequê. Foto: . / Itapema

O Rio Perequê, de onde partiu a mancha que se espalhou pelo mar entre Itapema e Porto Belo esta semana, está há dois anos sem monitoramento regular. Desde 2015, quando acabou o contrato da concessionária Águas de Itapema com a Univali, que fazia as análises, não houve mais acompanhamento efetivo. A universidade chegou a bancar os testes por mais alguns meses, mas o projeto foi suspenso por falta de apoio.

O monitoramento era feito por oceanógrafos, professores da Univali. O projeto iniciou depois que centenas de peixes apareceram mortos no Rio Perequê e nas duas praias onde ele deságua, em Itapema e Porto Belo, no verão de 2014. Na época, a Fundação Área Costeira de Itapema (Faaci) detectou que o problema havia sido causado por despejo irregular de esgoto e autuou a Águas de Itapema, responsável pelo saneamento.

Os pesquisadores da Univali trabalharam durante um ano e a parceria terminou semanas antes da primeira mancha escura ser fotografada, em janeiro do ano passado. Os levantamentos apontaram que os principais problemas estão no Rio da Vovó e na Lagoa do Perequê, que fica em Porto Belo. Segundo a oceanógrafa Camila Marin, os testes apontaram para a presença de esgoto doméstico na água.

O problema é que os dois cursos d`água encontram o Rio Perequê. No ano passado, a presença de esgoto favoreceu a proliferação de microalgas que resultaram na mancha escura fotografada no mar. Como não há acompanhamento, ainda não é possível afirmar se a mancha que apareceu esta semana teve a mesma origem.

Camila diz que a atenção ao Perequê é necessária porque o rio tem um ecossistema importante, com a presença de um mangue — berçário da fauna marinha — que absorve boa parte do material poluente. Não fosse o filtro natural a situação seria ainda pior, afirma a pesquisadora.

Este ano, em 22 coletas feitas pela Fatma no canto da Praia do Perequê, próximo à foz do rio, apenas uma resultou em qualidade própria para banho. No ano passado foram apenas oito resultados positivos.

A prefeitura de Porto Belo informou que vai entrar em contato com a Univali e tem interesse em retomar a parceria. A prefeitura de Itapema e a concessionária Águas de Itapema foram procuradas, mas ainda não informaram sobre o interesse em reativar o monitoramento. 

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