Daniela Matthes: "Leis e bom senso não são suficientes para um trânsito mais seguro" - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Crônica20/11/2017 | 11h26Atualizada em 20/11/2017 | 11h26

Daniela Matthes: "Leis e bom senso não são suficientes para um trânsito mais seguro"

Confira a coluna desta segunda-feira

Esta coluna já ultrapassou o saldo de uma centena de publicações. É nada perto do que colegas por aqui já fizeram, sei bem. Usando o jargão das redações para rotular os novatos, diria que sou uma cronista foca. Como aspirante, sei bem que uma das estratégias desses escritores – considerados injustamente como classe menor – é sacar suas próprias intimidades. Seguindo o caminho de gente que nunca alcançarei, por ora usufruo de tática semelhante. Leitores que eventualmente param os olhos na penúltima página do Santa às segundas-feiras já me conhecem um pouco. Como cronista desnuda, exponho meus medos. Incorro de novo. No futuro, posso julgar como mais um erro desta foca. Tenho muito medo de viajar de carro.

Discretamente já coloquei este fato sobre o balcão. Volto ao assunto porque há mais ou menos uma semana os outdoors – esta mídia que também entra para a extinção – exibem dizeres sobre o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, que foi neste domingo. Todas as vezes que olhei para esses cartazes gigantes não pude ignorar meu medo do trânsito. Medo de ser uma vítima do trânsito. Minha carteira de motorista foi emitida pouco antes do meu aniversário de 19 anos. Há pouco mais de uma década, estou no volante quase diariamente. Nunca me envolvi ou fui envolvida em acidentes. Saldo de multas: zero. Ainda assim, o medo senta ao meu lado todas as vezes que entro no carro. E talvez ele seja o responsável por estas contas de resultado nulo. Desde que uma CNH saiu com meu nome impresso, nunca mais consegui dormir em viagens. Longas ou curtas, minhas pálpebras acomodadas longe do volante ardem, mas nunca se entregam. Por mais que queira, nunca confio o suficiente no motorista do carro em que estou, nos outros motoristas, nas estradas.

A vivência na redação deixou esse medo latente. Caso tivesse feito contas, certamente teria me perdido na quantidade de vezes que fiz reportagens sobre acidentes de trânsito. Conhecer as histórias por trás de cada número é tomar consciência da tragédia de uma vida perdida ou profundamente afetada nas ruas. Seria irresponsável negar a falta de condições da BR-470, uma rodovia subdimensionada em diferentes sentidos há muito tempo. Porém, a irresponsabilidade de muitos motoristas piora em grande proporção o cenário.

As leis e o bom senso não são suficientes para um trânsito mais seguro. Ignora-se a desproporção da força de um carro e a nossa fragilidade. Então, que o medo (controlado, claro) de ser a próxima vítima ou de fazer a próxima vítima do trânsito seja, sempre, nosso carona.

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