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Ônibus01/11/2017 | 07h00Atualizada em 01/11/2017 | 07h00

Os desafios do transporte coletivo em Blumenau para atrair mais passageiros

Diminuição de 293 mil usuários de ônibus nos três primeiros meses de Blumob levanta questões sobre formas de tornar o transporte público mais atrativo para os blumenauenses

Os desafios do transporte coletivo em Blumenau para atrair mais passageiros Lucas Correia/Jornal de Santa Catarina
Foto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

Não foram poucos os motivos que afastaram o blumenauense do transporte coletivo nos últimos anos. Greves, atrasos, ônibus danificados no começo do contrato emergencial. Há três meses, após um ano e meio de solução temporária, a vencedora da licitação Blumob começou a operar de forma definitiva na cidade. Mesmo assim, no primeiro trimestre de atuação da empresa, houve uma perda de 293.372 passageiros – média de 97,7 mil por mês – em comparação com o mesmo período de 2016.

Mas o que continua afastando os usuários mesmo após o fim do período mais crítico do transporte coletivo e a chegada da concessionária definitiva com 100 novos ônibus? O diretor da Blumob em Blumenau, Maurício Garroti, frisa que a queda não é exclusividade de Blumenau, mas algo comum em todo o país, com índices que variam de 5% a 8%. Uma das razões seria o cenário econômico do Brasil, o número maior de pessoas desempregadas e a diminuição na circulação. A concorrência com novas opções, como a compra mais acessível de motos e aplicativos como o Uber, é outro fator.

No entanto, algumas peculiaridades do transporte coletivo local são citadas por quem acompanhou de perto os últimos episódios que agravaram o distanciamento de parte dos passageiros. O arquiteto e urbanista da Furb João Francisco Noll argumenta que os novos ônibus da frota são praticamente iguais aos que já operavam anteriormente na cidade. As estações de pré-embarque do Centro, espaços em que os passageiros esperavam o ônibus com um pouco mais de conforto e que hoje viraram pontos de ônibus comuns, seriam outras razões que trariam uma sensação de perda para o usuário do sistema segundo Noll, que defende até mesmo um subsídio do poder público para o transporte coletivo, como ocorre em países europeus.

O advogado Thiago Souza de Albuquerque, membro da Comissão de Mobilidade da OAB Blumenau, acompanhou de perto a elaboração do novo edital do transporte, e cita outras necessidades de melhorias para fazer com que os ônibus sejam opções mais atrativas para os blumenauenses. Alguns dos caminhos indicados são a volta dos ônibus seletivos (os vermelhinhos, mais tarde verdinhos) e também a necessidade de integração.

– A gente ainda não está falando de mobilidade. Não tem nenhum atrativo para a pessoa levar a bicicleta até um terminal e lá pegar um ônibus. Ou uma forma de alguém que precise ir do Terminal Proeb até a Fonte para depois seguir para o Aterro possa descer no Centro e pegar outro ônibus para o Aterro para encurtar o caminho sem precisar pagar outra passagem. O sistema precisa integrar – defende.

Embora sejam formas de atrair mais usuários ao sistema, a preocupação é de que melhorias como essas impactem na tarifa, que tem reajuste previsto para dezembro e é considerado um dos principais motivos que fazem o usuário optar ou não pelo ônibus como forma de transporte.

Aposta é no aumento da velocidade média

Aumentar a velocidade média dos ônibus. Esse é o principal ponto para atrair mais usuários para o transporte coletivo segundo o diretor da Blumob Maurício Garroti. Ele lembra que reverter a queda de passageiros é um desafio que passa por uma política de mobilidade, algo que não acontece em curto prazo. No entanto, permitir que o passageiro chegue cada vez mais rápido ao destino é visto como a principal forma de aumentar o número de usuários de ônibus. E, para isso, os principais aliados são os corredores de exclusivos, uma grande unanimidade quando o assunto é transporte coletivo.

– Existem algumas políticas que a gente tem visto – criação de novos corredores em obras que estão sendo executadas –, que vão ajudar ainda mais nesse processo – pontua Garroti, que acrescenta novidades como frota monitorada e aplicativos para atrair os usuários.

A troca da frota que vai continuar nos próximos anos – com “agressividade”, segundo o diretor – é outra aposta da empresa para fidelizar quem segue usando ônibus e atrair quem não adere ao transporte coletivo. Segundo o presidente do Seterb, Carlos Lange, 19 novos ônibus chegam à cidade neste mês para continuar o processo de renovação da frota exigido no edital num prazo total de três anos. Dez já estavam na programação e nove tinham previsão de chegada no início do ano que vem, mas serão antecipados pela empresa.

Lange cita ainda os novos terminais, em construção na Água Verde e na Itoupava Central, como formas de angariar usuários e aproximar a demanda do número mágico das planilhas do sistema – 2 milhões de passageiros ao mês que paguem a tarifa integral. A Blumob já antecipa que os próximos meses são considerados de baixa demanda em razão de férias coletivas de empresas e recesso escolar. Isso deve levar a empresa a uma escala especial de horários entre dezembro e janeiro. Mesmo assim, o presidente do Seterb acredita que o ano deve terminar com total de pessoas transportadas maior do que em 2016.

– Na medida em que vamos incorporando mais corredores exclusivos, em que há ganho de celeridade no deslocamento, reduzindo o tempo de viagem e também despesas, todo o sistema ganha – avalia Lange.

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