Amaury Mielle: A ciência e o Papai Noel - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Opinião19/12/2017 | 08h30Atualizada em 19/12/2017 | 08h41

Amaury Mielle: A ciência e o Papai Noel

Amaury Mielle: A ciência e o Papai Noel /

Nossa curiosidade destrói mitos. Por buscarmos a verdade, por considerarmos sua importância absoluta, tiramos a máscara de quem quer que seja em busca do real. Anulamos aquilo que obscurece a nossa dúvida. Nossa paixão pelo que é verdadeiro é o sentido primordial de nossas vidas. Aristóteles falava sobre como a nossa curiosidade busca identificar aquilo que nos apresenta como um ídolo, mito, santo ou demônio: do que é feito? De onde vem? Qual seu propósito? Como surgiu? Então... como a ciência vê o Papai Noel?

Uma prova científica baseia-se no princípio de que todo fenômeno não existe até que possa ser provado. A dúvida move a ciência nas suas descobertas. Porém, existem concessões: um fenômeno pode ser tão plausível que pode prescindir de comprovação científica. Por exemplo: viver uma vida de cordialidade resultará sempre numa relação benéfica. Isso não precisa ser demonstrado em laboratórios. Muitos podem considerar que a existência do Papai Noel seja plausível. Porém, essa possibilidade só será viável se for sustentada pela crença. Chamamos essa situação de plausibilidade extrema: dispensamos a necessidade de provação, ficando com uma verdade indubitável.

Por outro lado alguns podem demonstrar um benefício em se acreditar em Papai Noel: isso faria bem para a alma. Os céticos poderiam exigir um estudo amplo, bem realizado, comparando famílias que acreditam e outras que não e observando o resultado. Provavelmente em famílias crentes, o Natal seria mais mágico mesmo que fundado em uma ilusão.

A medicina poderia lançar dúvidas sobre a saúde do Papai Noel. Afinal, ele tem mais de 550 anos e deve trabalhar muito no dia 24. Vai percorrer uma distância de cerca de 343 milhões de quilômetros ao redor do mundo. Carregar um saco de 416 mil toneladas (cada presente deve pesar em média cerca de 650 gramas). Como andará sua situação cardiovascular?

Enfim, o mais prudente é que ele tenha se cuidado bem durante o ano. Darwin teve uma contribuição muito além da simples evolução. Mostrou-nos uma nova forma de responder às perguntas iniciadas pelo “por que”. Foi ele o pioneiro a nos oferecer um sistema que se propunha explicar a natureza do mundo de modo estável. Nossa espécie descobriu a dúvida e por isso podemos escrever sobre esse assunto e tantos outros que nos aparecem. Todas as outras criaturas viverão pesarosamente inquietas com as próprias incertezas, pois não podem aplicar à sua espécie perguntas que lhes capacitariam controlar a verdade.

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