Amaury Mielle: a diferença de um pequeno detalhe - Geral - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Coluna05/12/2017 | 18h06Atualizada em 05/12/2017 | 18h08

Amaury Mielle: a diferença de um pequeno detalhe

Médico colunista do Santa fala sobre os detalhes na hora de cuidar de pacientes idosos

Amaury Mielle: a diferença de um pequeno detalhe /


Pedidos extravagantes para os produtores de show de rock é uma situação muito comum. Mas a banda Van Halen inovou de um modo interessante. As 53 páginas de seu contrato, entre outras exigências como iogurtes, copos de manteiga de amendoim etc, exigiam um pote grande de balas de chocolate M&Ms, mas com a ressalva de que nenhuma poderia ser da cor marrom, sob pena de cancelamento do show com compensação integral. Esse foi o modo sutil que a banda encontrou para saber se realmente os produtores leram todo o contrato e ter plena confiança de que o show ocorreria nos mais rígidos e seguros procedimentos. O cantor, David Lee Roth, dizia que um produtor que não foi detalhista o suficiente para lidar com tarefas simples não oferecia confiabilidade para as questões mais complexas que uma grande produção exigiria.

Esta situação pode servir de exemplo no nosso modo de cuidar de pacientes idosos. Podemos fazer uma analogia às balas marrons: quais os detalhes que podem nos alertar ou nos lembrar que estamos realmente atentos a nuances que vão fazer toda a diferença no desfecho de um tratamento? Geralmente estes pacientes têm múltiplos problemas, estão medicalizados, passaram por múltiplos profissionais. Mas três básicos procedimentos podem ser fundamentais para uma atenção diferenciada.

O primeiro é simplesmente observar o modo de andar do paciente: sinais de fragilidade podem indicar doenças articulares, fraqueza muscular, osteoporose etc e um plano de cuidados como fisioterapia, reposição de vitamina D, orientações sobre apoios às mãos nos banheiros são condutas preventivas muito eficazes.

O segundo passo na observação clínica é avaliar a maneira como o paciente calça e tira suas meias. Pode ser um ato simples, mas requer equilíbrio, visão, destreza, flexibilidade e força muscular. Esse gesto reflete também independência. Uma incapacidade ou dificuldade nos mostra que serão necessários cuidados de assistência mais intensiva.

O terceiro procedimento é avaliar as unhas dos pés. A habilidade de cortá-las pode ser desafiadora para os idosos e também pode refletir a maneira como o paciente está sendo cuidado por seus familiares. Quando o clínico notar falhas nesses processos estará ampliando seu exame físico e projetando um cuidado mais adequado com envolvimento multidisciplinar.

As balas marrom do Van Halen representam uma fragilidade nos sistemas. Para nós médicos elas são uma oportunidade para aprimorarmos nossa observação e fazer o nosso melhor pela qualidade de vida dos nossos pacientes idosos. Diferentemente do Van Halen, quando encontramos uma bala marrom não podemos cancelar o show. 

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaCão terapeuta leva conforto a velórios em Balneário Camboriú https://t.co/vKSN8Tr4RH #LeiaNoSantahá 1 horaRetweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaDagmara Spautz: Cão terapeuta leva conforto a velórios em Balneário Camboriú https://t.co/jxmboyGlTw #LeiaNoSantahá 1 horaRetweet
Jornal de Santa Catarina
Busca