Lauro Bacca: "Água da Amazônia ao Nordeste" - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Opinião05/12/2017 | 18h23

Lauro Bacca: "Água da Amazônia ao Nordeste"

 Vimos que a Floresta Amazônica é uma enorme usina de produzir água e que as florestas lançam mais vapor d’água na atmosfera que o oceano numa área de igual tamanho, graças às milhões de folhas das árvores, cada uma formando uma superfície de evaporação. Só que numa atmosfera limpa, como sobre os oceanos e sobre a Amazônia, não adianta ter muito vapor d’água que isso, por si só, não garante a chuva. Em alto mar, explica o Dr. Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, chove pouco, quase como sobre um deserto. Qual então a diferença entre o oceano “aquático” e o oceano “florestal” que é a Amazônia?

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As folhas das árvores, descobriu-se, produzem compostos que evaporam e sobem, formando os aerossóis atmosféricos. São essas “zilhões” de partículas que aglutinam as moléculas do vapor d’água atmosférico sobre a Amazônia, propiciando a precipitação, resultando então que a floresta, além de evaporar mais por hectare que o oceano, fabrica sua própria chuva.

Vale repetir que a Floresta Amazônica lança mais umidade na atmosfera (20 bilhões de toneladas/dia) que a quantidade de água que o próprio Amazonas, o maior rio do mundo, lança ao mar (17 bilhões ton/dia). Grande parte dessa incrível quantidade de vapor bate no grande arco da Cordilheira dos Andes a Oeste, formando o “rio aéreo” que acompanha esse arco para o Sul e daí, como que direcionado pela cordilheira, desloca-se para Sudeste na forma dos rios aéreos, responsáveis por boa parte das chuvas que caem no Centro Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e países vizinhos, impedindo que a área que gera 70% do PIB sul-americano seja um deserto.

Se você ouvir o meteorologista anunciar na TV algo como umidade vinda do Paraguai para Santa Catarina, é bem provável que ele esteja se referindo também à umidade vinda da Amazônia que passa sobre o Paraguai!

A umidade exportada de graça pela floresta amazônica também contribui com as chuvas nas cabeceiras do rio São Francisco em Minas Gerais e o governo, quase dois mil quilômetros rio abaixo e ao norte, está dispendendo bilhões de reais para fazer a transposição da água desse rio para amenizar a seca no Nordeste. Portanto, quando todos defendem que está mais que na hora de fazer a recuperação ambiental da bacia do sofrido rio São Francisco, lembremo-nos que, tão importante quanto isso, será, voltando na contramão da longa viagem das águas por uns sete a oito mil quilômetros, silenciar as motosserras que estão acabando com milhares de quilômetros quadrados por ano da grande usina de produzir chuva que é a floresta amazônica. 

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