Celso Martins "Um conhecer em movimento" - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Vozes07/01/2018 | 06h05Atualizada em 08/01/2018 | 17h19

Celso Martins "Um conhecer em movimento"

Jornalista e historiador descreve a região marcada pela passagem de movimentos revolucionários

Celso Martins "Um conhecer em movimento" Betina Humeres/Diário Catarinense
Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense
Celso Martins

Primeiro a fronteira viu passar distintos povos indígenas, bandeirantes paulistas e jesuítas. Isso foi antes da chegada dos primeiros imigrantes, em meados do século passado, vindos do Rio Grande do Sul, netos e filhos dos primeiros colonizadores germânicos e italianos, que ainda estão na área. Bastou atravessar o rio Uruguai, há muito conhecido como fonte de água, pescados e transporte de madeiras.

No intervalo destes dois momentos figuram os revolucionários, entre os quais Luiz Carlos Prestes, trilhando as picadas acompanhado de futuros líderes da insurreição que levou Getúlio ao poder em 1930, como Cordeiro de Farias, Siqueira Campos, João Alberto. Vinha de Santo Ângelo, ia liderar a Coluna que levou seu nome, percorrer metade do Brasil driblando as forças militares e policiais.

Rastros dessa passagem, em 1925, por uma região "recém-descoberta", estão presentes em cidades e localidades, objetos, lugares de memória, tudo revelado aos poucos, aqui e ali. Um museu no interior de Guaraciaba abriga as peças. Isso vai construindo uma memória, um somatório de lembranças e vivências pessoais, matéria prima para a história, a ficção, o cinema, ou simplesmente alimentar os sonhos e esperanças de populações.

Essa preocupação é muito presente. Pouco antes de falecer, o advogado Avelino de Bona encaminhou de São Miguel do Oeste recortes de jornais sobre a viagem de 1929 do governador Adolpho Konder. Sugeria matéria sobre esses fragmentos históricos ouvidos na infância dos mais velhos.

Fronteira em permanente transformação, com suas tensões cotidianas nas internas, vez ou outra eclodindo, gerando crises que ao serem enfrentadas levam a novos e distintos cenários, alimentando um ciclo, gerando outros.

Uma fronteira onde o lado argentino definido pelo curso do rio Peperi é marcado pelo verde da floresta nativa, enquanto na banda de cá os traçados geométricos das lavouras marcam (outra) a paisagem, com ilhas da mata original remanescente. 

* Celso Martins é jornalista e historiador

Vestígios de uma marcha histórica: a passagem da Coluna Prestes por SC

 
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