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Trânsito03/01/2018 | 07h00Atualizada em 03/01/2018 | 07h00

Combinação de álcool e direção marcam acidentes no período de férias em Blumenau

Casos de embriaguez ao volante em Blumenau marcaram últimas semanas de 2017, ano que teve alta de 19% nas mortes

Combinação de álcool e direção marcam acidentes no período de férias em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Em uma quarta-feira, no último dia 20, um jovem de 23 anos se fere gravemente em um acidente na SC-421, em Blumenau, envolvendo um ex-deputado federal, que aparece em um vídeo com sinais de embriaguez. Dois dias depois, o condutor de uma moto, de 42 anos, morre após se chocar contra uma caminhonete conduzida por um motorista alcoolizado no Progresso – ele foi o centésimo motociclista morto desde 2012. Na véspera de Natal, dois motoristas são detidos pela PM em Blumenau após se envolverem em colisões contra carros parados e um poste. No teste do bafômetro, os dois tiveram o consumo de álcool constatado pelo equipamento, tal como ocorreu com dois outros condutores após a virada do ano, na Rua João Babel, Velha, e Avenida Brasil, Ponta Aguda. Só nos últimos sete dias, entre acidentes com mais ou menos gravidade, foram sete os registros de motoristas dirigindo embriagados.

Nas últimas duas semanas, a nociva combinação entre álcool e direção em um período conhecido por festas e por férias coletivas em grande parte das empresas contribuiu para aumentar ainda mais as estatísticas de mortes e acidentes no trânsito da região. Em Blumenau, conforme números da Guarda de Trânsito, foram registradas 25 ocorrências com vítimas fatais ano passado no perímetro urbano da cidade – o que exclui as rodovias. O número é o segundo menor desde 2001 – pelo segundo ano seguido, o índice ficou abaixo da marca de 30 óbitos. Mesmo assim, é 19% maior do que o registrado em 2016, quando 21 pessoas perderam a vida em colisões nas vias do município. Desde 2001, 621 pessoas já morreram em ruas do perímetro urbano de Blumenau.

Um dos fatores-chave para reduzir esses casos de violência no trânsito, ainda mais recorrentes no fim do ano, é a fiscalização, capaz de inibir na prática de condutores trafegarem sob efeito de álcool, por exemplo. No total, 236 pessoas foram submetidas ao teste do bafômetro após terem se envolvido em acidentes e mais 31 se recusaram a fazê-lo. A cidade tem hoje quatro bafômetros da Guarda de Trânsito e mais seis da PM para uso em operações.

O diretor de Trânsito de Blumenau, Felipe Bueno, afirma que o número de blitze aumenta nesse período e que a percepção é de que o índice de acidentes e de motoristas alcoolizados aumenta nesta época do ano.

– A gente entende que as blitze educativas inibem, sim (os motoristas infratores), as operações com uso de radar inibem, as palestras e trabalhos nas escolas orientam, mas enquanto não houver a conscientização do motorista, que assume essa responsabilidade de beber e dirigir, não vai adiantar – alerta Bueno.

Em abril de 2018 entra em vigor a lei sancionada no fim de dezembro que aumenta a pena para motorista que cometer homicídio ou causar lesões graves ao dirigir alcoolizado. A punição, que era de seis meses a dois anos de detenção, passará para reclusão de dois a cinco anos e é uma aposta para elevar a responsabilização dos condutores embriagados.

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Conscientização e política pública são aliadas fundamentais
O especialista em segurança no trânsito Fábio Campos acrescenta que outra explicação para o número ainda maior de acidentes é o comportamento das pessoas, que nem sempre têm a consciência do prejuízo que é a perda de alguém envolvido em um acidente com morte. Segundo ele, muitas pessoas deixam de se preocupar com o risco de acidentes quando se reúnem para beber com amigos, algo mais frequente nos dias de férias de fim de ano.

– Muitos esquecem a segurança nesse momento, que é o pós-festa, como eu vou voltar para casa. Em alguns segundos, pode acabar com tudo, deixar sequelas irreversíveis na própria vida e na de outra pessoa. Falta uma cultura de segurança. Temos que conversar sobre trânsito no Natal, no aniversário. Estamos transitando a todo momento e isso não foge do nosso dia a dia – avalia.

Outra pressão de Campos é por uma política pública voltada à segurança, com ações como blitze educativas, cronograma anual de palestras e redução de impostos para empresas que estimularem a discussão sobre trânsito seguro.

 
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