"Eles praticamente renasceram", diz filha de casal que ficou 36 horas na mata após acidente em Joinville - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Acidente09/01/2018 | 16h18Atualizada em 09/01/2018 | 18h23

"Eles praticamente renasceram", diz filha de casal que ficou 36 horas na mata após acidente em Joinville

Acidente ocorre na noite de sábado e os dois foram resgatados na manhã de segunda-feira

"Eles praticamente renasceram", diz filha de casal que ficou 36 horas na mata após acidente em Joinville Cleber Gomes/Agencia RBS
Queli mostra o estado em que ficou o carro após o acidente dos pais, Vilmar e Maria Aparecida Foto: Cleber Gomes / Agencia RBS

O sol nesta segunda-feira (8) ainda não havia aparecido quando um pequeno grupo de busca saiu do bairro Jarivatuba, em Joinville, e seguiu até a Serra Dona Francisca. Na rodovia, a esperança era localizar rastros que indicassem o paradeiro de Maria Aparecida Borges de Oliveira, 53 anos, e Vilmar de Oliveira, 57. Os dois saíram de um sítio em Campo Alegre, às 22 horas de sábado (6), e retornavam para casa, na zona Sul joinvilense.

O regresso não se completou. Perto do km 17 da rodovia, a Hilux do casal começou a oscilar na parte traseira. O motorista não conseguiu controlar a direção e caiu em uma ribanceira de aproximadamente 300 metros. Por causa da queda, a cabine da caminhonete ficou completamente destruída. Os dois permaneceram na mata por 36 horas, sem comer ou beber água, dormindo embaixo do automóvel para evitar sofrer com as chuvas e o frio durante a noite. 

— Ela (Maria Aparecida) contou que o carro caiu de frente, deu uma "bicada". Depois, eles foram rolando o morro, capotando até embaixo. A mãe disse que viu tudo, o pai não. Acho que ele fechou o olho porque não queria ver, sabe? Ela disse que viu árvore descendo, vidro quebrando — relata a operadora de caixa Queli de Oliveira, 33 anos, filha do casal.   

A narrativa de Queli poderia ter um fim trágico se não fosse a sensibilidade dela e dos irmãos. A certeza do desaparecimento começou a se concretizar quando o homem e a mulher não apareceram para o almoço de domingo, comportamento não habitual do casal. Inicialmente, a família suspeitava que pudessem ter sofrido um assalto ou sequestro. Queli, o irmão e a cunhada iniciaram as buscas e refizeram o trajeto dos pais. 

Resgate de casal que ficou 36 horas na mata após acidente
Os filhos localizaram os pais próximo ao km 17. Carro despencou em uma ribanceira de cerca de 300 metrosFoto: Graer / Divulgação

Ao chegarem à altura do km 17, pararam em uma curva onde localizaram uma marca de  freada, que terminava perto de uma ribanceira. Assim, os irmãos ficaram à beira do morro e começaram a chamar pelos pais. Aos poucos, a voz enfraquecida de Vilmar começou a ser ouvida. De murmúrio se transformou em gritos, na tentativa de facilitar o resgate. Os familiares acionaram a polícia e os bombeiros. 

Como o local era de difícil acesso, o helicóptero Águia da PM fez a retirada das vítimas de dentro da mata. Elas foram encaminhadas para atendimento no Hospital Municipal São José. Assim que enxergou os pais com vida, Queli afirma que ocorreu "um milagre". 

— Eu acredito, porque esse foi um milagre. Praticamente eles renasceram e ninguém acredita que eles conseguiram sair daquele carro com vida — completa.

Estado de saúde é estável 

A agonia da família foi grande no decorrer das 36 horas porque os pais não têm o hábito de desligar o smartphone ou sair sem avisar. Além disso, o trajeto é conhecido do casal, que visita o sítio da família, em Campo Alegre, de duas a três vezes por semana. Conforme a filha, eles nunca haviam vivenciado um acidente desta gravidade. 

Casal sobrevive após cair de ribenceira no km 16.800 da Serra Dona Francisca
Cabine da caminhonete ficou destruída depois do acidenteFoto: CBVJ / Divulgação

Vilmar e Maria Aparecida sofreram traumas em várias partes do corpo, ficaram fracos e sofreram diversas picadas de inseto. Como não havia rede de celular no local do acidente, restou ao casal aguardar o resgate. Entretanto, mesmo com a espera, a ajuda chegou na hora correta. Queli supõe que o desfecho da história poderia ter sido outro, caso ela e o irmão demorassem mais algumas horas para começar as buscas. 

— O pai, acho que iria resistir um pouco mais; ela (a mãe) não porque estava muito fraca. O meu pai falava durante o resgate "olha ela, que ela tá morrendo". Os dois contam que estavam se preparando psicologicamente para morrer, porque ninguém os viu caindo ali. A única esperança deles eram os filhos — conta. 

Apesar do susto, os dois passam bem. Eles permanecem internados no hospital, em recuperação. Segundo a assessoria do São José, o estado de Maria Aparecida inspira mais cuidados, em observação e acompanhamento. A expectativa da família é de que os dois tenham alta médica nos próximos dias. 

Veja vídeo do resgate: 

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