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Quanto tempo a saúde pode esperar?26/01/2018 | 08h59Atualizada em 26/01/2018 | 09h00

Espera por atendimento na fila da saúde avança para mais um ano em Blumenau

Dois dos quatro pacientes acompanhados pelo Santa ao longo de 2017 iniciam o ano ainda em busca de atendimento

Espera por atendimento na fila da saúde avança para mais um ano em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Isali fraturou o pé direito em 2016 e desde então convive com dores Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Passos firmes. Era esse o desejo que um ano atrás movia Isali Inez Muller, 57 anos. É isso também que ela almeja para 2018. Não é, contudo, um objetivo novo. A possibilidade de se locomover com mais agilidade e sem dor tornou-se uma meta para a moradora do bairro Itoupava Norte no início de 2016, quando fraturou o pé esquerdo. Após se recuperar do trauma, Isali precisou de um procedimento de retirada de pinos e da placa que foram colocados para fixação dos ossos até que se unissem novamente. Em setembro daquele ano, ela entrou na fila de cirurgia eletiva de pé e tornozelo, na área de ortopedia – a mais concorrida do município. 

Em janeiro de 2017, a reportagem do Santa passou a acompanhar a espera da paciente pelo atendimento. Na primeira matéria da série sobre filas na saúde, em março do ano passado, ela estava na posição de número 498 de um total de 717 pacientes. Passados 10 meses, a única mudança no caso de Isali é a posição na fila de espera – ela agora ocupa a 384ª colocação. Nesse período, a lista de pacientes andou, porém praticamente não diminuiu de tamanho: 710 pessoas aguardam por atendimento para pé e tornozelo.  

Enquanto isso, a rotina de Isali é conviver com dores no pé, sempre inchado por causa das placas e dos pinos. No fim de dezembro ela procurou um posto de saúde, fez um raio X, mas ainda não conseguiu a avaliação de um médico, pois as unidades de saúde do município estavam em recesso de fim de ano e só reabriram nesta semana. 

– Tem dias que não consigo pisar, parece que está saindo o parafuso do lugar. Já disse aqui em casa, quero ir atrás disso para ver se consigo encaminhar essa cirurgia, porque já estou esperando há tanto tempo e não sei quando vou conseguir – conta. 

Há 13 meses tentando confirmar o diagnóstico

Quem também continua no aguardo é Valceli França Zuave. Há um ano e um mês ela encaminhou o pedido para realizar um exame de ultrassom doppler na rede pública de saúde de Blumenau e, desde então, enfrenta uma longa espera.

 Blumenau - SC - Brasil - 24012018 - Filas da saúde: Valceli Zuave precisa de exame de ultrassom na perna
Valceli depende de exame solicitado pelo médico para saber causa das dores nas pernasFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

O procedimento foi solicitado por um médico para avaliar se as dores nas pernas estão relacionadas com problemas circulatórios. Ela também passou a ser acompanhada pela reportagem do Santa no início de 2017, quando estava na posição 1.215 entre 1.416 pessoas. Valceli começou o ano atrás de outros 892 pacientes. Esta fila cresceu e tem hoje 1.978 pacientes. 

– Estou fazendo como o médico recomendou e os sintomas melhoraram bastante, mas tem dias que depois do trabalho a dor aumenta bastante – conta Valceli, que chegou a cogitar fazer o exame na rede particular, mas desistiu ao descobrir que o valor pode chegar a R$ 800.

Parceria para tentar reduzir a fila

A secretária de Saúde de Blumenau, Maria Regina de Souza Soar, afirma que ao longo do ano passado parcerias como a feita com o hospital de Massaranduba permitiram mais cirurgias, reduzindo a espera na área clínica. No entanto, em especialidades mais concorridas como ortopedia, a diminuição das filas depende de aumento no teto de cirurgias por parte do governo do Estado ou do Ministério da Saúde. Parceria com hospitais da região é uma ideia para aumentar a capacidade de procedimentos feitos para pacientes da cidade, mas isso ainda não tem prazo para ocorrer, segundo a secretária. 

No caso da ortopedia, a Secretaria de Saúde informou ainda que avalia a possibilidade de fazer retirada de pinos em outras instituições além do Hospital Santa Isabel, que hoje concentra esses procedimentos. No ultrassom, um profissional hoje executa esses exames no Centro de Saúde Rosânia Machado Pereira e a prefeitura providencia a contratação de mais profissionais. A equipe técnica ainda lista a diminuição da espera para consulta com oftalmologista e o aumento de cirurgia de cataratas como conquistas do ano passado e, como uma necessidade, a redução de faltas às consultas e exames agendados, que no ano passado foi de 25%.

 Maristela conseguiu consultar cardiologista após 10 meses

Se para Isali e Valceli o ano começa com as mesmas esperas de 2017, os outros dois pacientes acompanhados pelo Santa foram atendidos ainda no passado para os serviços que buscavam, pelo menos em partes. 

 Blumenau - SC - Brasil - 20062017 - Maristela Aparecida Roth, especial filas na saúde.
Maristela passou pelo cardiologista e agora espera por ecocardiogramaFoto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Maristela Aparecida Roth precisou de 10 meses para conseguir a consulta com cardiologista que havia sido solicitada no fim de 2016 para avaliar um quadro de arritmia. Ela foi atendida em julho de 2017. O único problema é que, no atendimento, o médico solicitou um ecocardiograma sob estresse, exame que quando Maristela solicitou já tinha 119 pessoas na sua frente. A nova espera agora, segundo ela, pode levar até dois anos. Até agora a espera da moradora do Salto do Norte continuava.

Doroteu experimenta vida nova depois do transplante

Quem conseguiu uma vida nova em cinco meses foi Doroteu Romero Arrua. O morador do bairro Passo Manso sofria de insuficiência renal e precisava de transplante de rim para se livrar das sacrificantes sessões de hemodiálise. Em 16 de janeiro do ano passado ele deu entrada na fila de espera pelo órgão – que, diferente das demais filas da rede pública, não possui ordem específica, já que os transplantes dependem de compatibilidade entre doador e receptor.

 Blumenau - SC - Brasil -  19062017 - Filas da saúde: Doroteu Romero Arrua conseguiu o transplante de rim na ultima sexta feira.
Doroteu passou pelo transplante de rim e já passou um fim de ano melhorFoto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Exatamente em 16 de junho, cinco meses depois, estava na mesa de cirurgia para receber o novo órgão. De lá para cá a recuperação foi um sucesso e Doroteu já aproveitou um fim de ano muito mais alegre ao lado da família do que o anterior.

– Foi praticamente perfeito, estou me sentindo muito bem. Ainda tomo cuidados com a alimentação, mas estou levando uma vida normal – conta.  

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