Casos de afogamento acendem alerta para os perigos no mar em SC - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Temporada12/02/2018 | 05h00Atualizada em 12/02/2018 | 05h00

Casos de afogamento acendem alerta para os perigos no mar em SC

Aumentam as ações preventivas dos guarda-vidas, enquanto número de mortes nas praias da região nesta temporada é o maior das últimas quatro operações veraneio

Casos de afogamento acendem alerta para os perigos no mar em SC Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

O perfil na rede social mostra o quanto Ariele Mendes era querida pelos amigos. Várias mensagens de carinho lamentam a fatalidade nas águas da praia de Navegantes, onde ela havia ido se divertir na virada do ano. Com apenas 21 anos, a jovem foi vítima de afogamento no Litoral Norte de Santa Catarina - a segunda pessoa a perder a vida nas águas nessa temporada nos balneários da região. Em 31 de dezembro de 2017, dia anterior ao acidente com a jovem, um adolescente de 16 anos morreu afogado também em Navegantes. Os dois casos na cidade indicam uma estatística preocupante registrada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado: o número de mortes por afogamento nesta temporada já é o maior das últimas quatro operações Veraneio na região, mesmo com o reforço de ações preventivas realizadas pelos guarda-vidas.

Segundo dados da corporação, a última temporada em que duas pessoas morreram vítimas de afogamentos no mar foi 2014/2015, em Balneário Camboriú. De lá para cá, apenas um óbito havia sido registrado. As causas de afogamento são variadas, mas o comandante interino do 7º batalhão, tenente Daniel Dutra, afirma que o desrespeito à sinalização das praias e às orientações dos guarda-vidas, bem como o consumo de álcool antes do banho de mar estão entre as principais.

Para evitar episódios como o de Ariele, o foco dos guarda-vidas tem sido a prevenção. Em Navegantes, o número de intervenções para orientar os banhistas passou de 30 mil entre 15 de dezembro de 2016 e 28 de fevereiro de 2017 para 55 mil entre 15 de dezembro do ano passado até 5 de fevereiro de 2018. Nestes mesmos períodos, houve mais atendimentos preventivos em Itajaí e Itapema. Em três das principais cidades litorâneas da região - Itapema, Itajaí e Balneário Camboriú - nenhuma morte por afogamento ocorreu nesta temporada.

Presença dos guarda-vidas é determinante para banhistas

 Gaspar - SC - Brasil - 07022018 - Especial fim de semana, de olho no mar. João Vargas e Sany Santos.
João Eduardo e a esposa, Sany, ficam atentos às dicas dos guarda-vidasFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Para a turista Juliane Lopes, a presença dos guarda-vidas é um fator determinante na escolha do local em que ela vai ficar na praia. A gaúcha está em Santa Catarina pela primeira vez e aproveita para conhecer várias praias do Estado.

– Fomos a outros lugares que eram mais tranquilos. Aqui em Navegantes, o mar é mais agitado e então redobramos a atenção – afirma.

Além de ficarem próximos do posto de guarda-vidas, Juliane e a família também têm outros cuidados. As crianças, de dois e 10 anos, só entram no mar com o pai e ficam na parte rasa da praia.

– Não dá para descuidar. Por isso cada um fica de olho em uma delas, para evitar qualquer incidente – completa Fabiano Lopes, marido de Juliane.

A preocupação do pai tem embasamento. O tenente Dutra cita que dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático apontam que o afogamento é a segunda maior causa de morte em crianças com até 14 anos. A entidade sustenta ainda que os homens morrem seis vezes mais do que as mulheres e metade dos óbitos por afogamento acontece com vítima de até 29 anos.

Respeito às orientações e busca por dicas garantem banho mais seguro
João Eduardo Vargas tem 26 anos e diz ter aprendido que no mar todo cuidado é pouco.Veio do Rio Grande do Sul para passar férias em Navegantes com a esposa e logo que chegou à praia levou um susto:

– Sempre cuido para a água não passar da cintura, mas tinha um buraco. Aí veio uma onda e quase me afoguei.

A esposa Sany dos Santos, 27 anos, também alerta:

– Temos que respeitar o mar. Não conhecemos o lugar, então o cuidado deve ser redobrado.

Para o tenente Dutra, o fundamental é respeitar as orientações dos guarda-vidas e sempre perguntar a eles quais os melhores pontos para banho. Optar por locais rasos e sem correnteza, não entrar no mar após ingerir bebidas alcoólicas e evitar se aproximar de costões são outras recomendações do Corpo de Bombeiros.

– É importante que se saiba que não existe local e nem praia com risco zero de afogamento. Todos os locais para banho têm algum grau ou risco de afogamento.

Foto: Reprodução / Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

Recomendações para evitar afogamentos:
- Procure preferencialmente locais com o serviço de guarda-vidas
- Não superestime sua capacidade de nadar. Avalie as consequências de um possível incidente
- Em água doce ou salgada, prefira banhar-se em locais rasos e sem correnteza
- Se notar que está sendo arrastado por uma dessas correntes, mantenha-se calmo e tente acenar ou gritar por socorro, enquanto nada transversalmente (para o lado, em vez de para o raso)
- Não tente salvar pessoas vítimas de afogamento sem estar habilitado. Nesse caso, lance algum objeto que a ajude a vítima a flutuar e acione guarda-vidas ou a emergência pelo telefone 193
- Sempre que possível, opte pelo uso do colete salva-vidas em vez de objetos flutuantes
- Nunca nade após ingerir bebidas alcoólicas, alimentos ou se estiver passando mal ou com frio
- Evite aproximar-se de costões - Ao caminhar sobre as pedras de costões, observe antes se uma onda não poderá atingi-lo e jogá-lo no mar
- Antes de mergulhar, certifique-se da profundidade. Um acidente pode provocar sequelas irreversíveis
- Para maior segurança, banhe-se num raio de 200 metros do posto de guarda-vidas
- Atente para a sinalização
- Sempre acate as orientações dos guarda-vidas

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