Falta de profissionais afeta serviço no IML de Rio do Sul e prejudica outras cidades do Vale - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Médicos23/02/2018 | 08h50Atualizada em 23/02/2018 | 08h50

Falta de profissionais afeta serviço no IML de Rio do Sul e prejudica outras cidades do Vale

Carência de auxiliar de médico-legal faz cidades do Alto Vale dependerem de equipe de Blumenau e eleva tempo de espera por liberação para até 13 horas

Falta de profissionais afeta serviço no IML de Rio do Sul e prejudica outras cidades do Vale Jean Laurindo/Jornal de Santa Catarina
O IML de Rio do Sul atende 29 cidades do Alto Vale e está sem auxiliar médico-legal Foto: Jean Laurindo / Jornal de Santa Catarina

 Além da dor de perder parentes ou amigos de forma repentina em acidentes ou crimes, famílias do Alto Vale do Itajaí convivem com uma demora maior no tempo de liberação dos corpos. O motivo é a falta de profissionais no cargo de auxiliar médico-legal no Instituto Médico Legal (IML) de Rio do Sul, que ocorre há seis meses. Desde agosto do ano passado, durante quase metade do mês o órgão depende do IML de Blumenau para atender homicídios, colisões e incidentes com morte que ocorrem na região.

É o auxiliar médico-legal o responsável por buscar os corpos nos locais das ocorrências e levá-lo ao IML, onde é feita a necropsia e a liberação para a família. Em Rio do Sul, há três desses profissionais contratados. No entanto, uma está afastada por problema de saúde e outro foi cedido para atuar na prefeitura. Sobra apenas uma funcionária, Paola Borges. Ela tem carga horária de 60 horas presenciais e outras 400 de sobreaviso ao mês. Quando esse limite estoura, a cidade fica sem ter quem recolha e prepare os corpos para o atendimento.

Remoção pode demorar 13 horas

Na prática, a situação faz com que o IML de Rio do Sul costume ficar uma semana com plantão normal e a semana seguinte dependendo da equipe de Blumenau, que assume o atendimento das mortes da região nos dias em que a auxiliar está de folga.

O IML de Rio do Sul atende 29 cidades do Alto Vale, com uma população total de 260 mil habitantes. Nos casos em que a equipe consegue atender, o tempo médio contando retirada, necropsia e liberação do corpo para a família é de três a seis horas, dependendo da distância do lugar da morte. Quando o corpo precisa ser levado para Blumenau, porém, esse tempo fica entre sete e 13 horas, praticamente o dobro.

Parceria reduziu demora e custo para famílias

Até dezembro, era o IML de Blumenau que precisava buscar os corpos. Após a liberação, a funerária contratada transportava até a cidade de origem no Alto Vale, causando um custo extra para a família de até R$ 500.

Em janeiro deste ano, o IGP de Rio do Sul conseguiu uma parceria com o Corpo Temporário de Inativos da Segurança Pública (Ctisp). Agora, um policial aposentado retira e transporta os corpos de Rio do Sul a Blumenau quando o IML do Alto Vale está sem auxiliar.

Isso reduziu a demora no recolhimento dos corpos e acabou com o gasto extra às famílias. Mas a situação ainda está longe do ideal.

A médica-legista Mônica Serapião aponta consequências como sobrecarga de trabalho e o fato de deixar de utilizar toda a estrutura já preparada dentro do IML.

– O maior prejuízo é que você tem que tirar o corpo da região e levar para outro IML. Acaba sobrecarregando o instituto que está recebendo o corpo a mais e não está preparado para essa demanda. Quem perde com isso é a população, é a mãe que está com o ente querido, um jovem em um acidente. A qualidade no atendimento fica muito prejudicada – lamenta a médica.

O IML de Rio do Sul atende em média de 15 a 18 óbitos por mês, um a cada dois dias praticamente. Para isso, o órgão dispõe hoje de três médicos legistas, dois peritos criminais (um licenciado) e cinco auxiliares criminalísticos, além de Paola.

Em 2017, segundo a assessoria do IGP-SC de Florianópolis, foram feitas 168 necrópsias na cidade.

Situação causa impacto também para Blumenau

A falta de profissionais no IGP de Rio do Sul traz impacto também para o atendimento em Blumenau. Em fevereiro, dos 36 corpos que passaram por necropsia no IML de Blumenau até o dia 21 (a média da cidade é de um corpo por dia), 12 eram da região de Rio do Sul.

Isso equivale a um terço dos atendimentos. Em um dos dias mais críticos, em 30 de setembro do ano passado, foram registradas seis mortes somente no Alto Vale, que na época ainda exigiram o deslocamento à região, com um dos corpos chegando a ficar cinco horas à espera da equipe de Blumenau, que teve outras quatro mortes no Médio Vale para atender.

Para resolver o problema, a solução é mais profissionais. O IGP-SC lançou no mês passado um processo seletivo temporário com 21 vagas para auxiliar de Medicina Legal em 15 cidades do Estado. Em Rio do Sul foram abertas duas vagas. O resultado foi divulgado no último dia 7 e teve 95 pessoas classificadas para a cidade do Alto Vale. No entanto, não há prazo para que os dois melhores sejam chamados.

Segundo a assessoria de comunicação do órgão, a decisão de convocá-los precisa partir do governo do Estado, que teve mudanças em todo o secretariado nos últimos dias. Ontem, Giovane Eduardo Adriano foi empossado pelo governador Eduardo Pinho Moreira como novo diretor-geral do IGP, tendo o equilíbrio entre os quadros de servidores e a demanda de atendimentos em casos como este de Rio do Sul como um dos primeiros desafios. 

 

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