Família de Corupá, no Norte de SC, luta para superar perda da mãe em acidente na BR-280 - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Radar da Violência01/02/2018 | 11h01Atualizada em 01/02/2018 | 11h01

Família de Corupá, no Norte de SC, luta para superar perda da mãe em acidente na BR-280

Ingelore Steil Stiss, 50 anos, foi uma das 55 vítimas registradas nas rodovias de Santa Catarina entre 22 de dezembro e 10 de janeiro 

Família de Corupá, no Norte de SC, luta para superar perda da mãe em acidente na BR-280 Cleber Gomes/Especial
Ingelore era esposa de Hilário e mãe seis filhos Foto: Cleber Gomes / Especial

Era uma noite movimentada no posto de combustível em que Hilário Stiss, 53 anos, trabalha em Corupá. Sábado, 21h30min, quando um novo carro chegou para abastecer com uma notícia que é rotineira aos ouvidos dos frentistas da região: havia acabado de ocorrer um acidente na BR-280.

– E olha, pelo jeito que ficaram os carros, acho que morreu todo mundo – disse o motorista a Hilário.

Seria uma informação corriqueira se ele não tivesse recém desligado o celular de uma ligação com a filha, Caroline, de 20 anos. Ela havia avisado que Ingelore Steil Stiss, 50 anos, esposa de Hilário, mãe de Caroline e de outros cinco filhos com idades entre 26 e 11 anos, havia sofrido um acidente na rodovia e sido encaminhada para o Hospital São José de Jaraguá do Sul. 

A filha tentou disfarçar a gravidade da colisão, que ocorreu entre um Fox com placas de Corupá e um Corsa de Cascavel (PR), no qual estava Ingelore e duas colegas de trabalho, mas Hilário já sabia, antes de chegar no hospital, que aquele era o fim de uma história de amor e dedicação iniciados há 25 anos,  quando ele a viu em uma festa e a timidez não permitiu que se aproximasse na hora.

– Então eu mandei uma carta para ela, me apresentando, falando da minha intenção. E ela respondeu que eu podia ir lá na casa dela, para conversar com o pai dela e a gente namorar – recorda. 

Ingelore havia crescido ajudando a família na agricultura em Corupá. Mas, depois que casou e foi morar em Jaraguá, passou a trabalhar como passadeira em confecções da região. Naquela noite de 2 de dezembro, ela havia ido a uma pizzaria com as colegas de trabalho para uma reunião de encerramento do ano. Havia ido ao salão de beleza, arrumado o cabelo e pintado as unhas de vermelho e, apesar da animação pela qual era conhecida, sempre empolgando o grupo, chegou ao jantar já com vontade de ir para casa.

– As amigas disseram que ela falou: "Vamos comer e depois vamos embora". E que, realmente, puxou o grupo para saírem cedo – conta a filha mais velha, Karine.   

As amigas voltavam da festa quando o Corsa, passando pelo km 69, fez uma conversão à esquerda e cruzou a frente do Fox em que estavam Ingelore, Marinilce Gonçalves, 18 anos, e a condutora Solange Gonçalves, 39 anos. O veículo, segundo o policial militar registrou, teria invadido a contramão para acessar uma via rural. Os veículos colidiram frontalmente, com o Fox sendo atingindo, posteriormente, no lado em que Ingelore estava sentada, no banco de trás.

– Ela não estava usando cinto de segurança, apesar de sempre ter sido muito cuidadosa. Agora, toda vez que sento atrás, coloco o cinto, e meus amigos dizem que fazem o mesmo. O que aconteceu com ela conscientizou todo mundo que a conhecia – conta Karine. 

Local tem acidentes com frequência

Quando Hilário chegou ao Hospital São José, não deu tempo de ter esperanças. O primeiro pedido que ele recebeu foi para preparar os documentos necessários para fazer a retirada do corpo do IML. Mesmo assim, precisou ir para casa e passar a madrugada acordado com os filhos antes de conseguir iniciar os preparativos do velório. E, nos dias seguintes, mesmo quando o filho caçula completou 11 anos, apenas 10 dias após a morte de Ingelore, e quando o Natal chegou, eles precisaram aprender a conviver com o vazio que ela deixou na casa.

– Ela era muito agitada, até nervosa. Não conseguia ficar parada. Trabalhava de diarista de manhã e à tarde ia para a fábrica. Eu dizia para não trabalhar tanto, mas ela queria dar o melhor para os filhos – conta Hilário.

Segundo ele, o local onde o acidente com Ingelore ocorreu tem colisões e mortes com frequência. Foi perto dali, no km 71, que em outubro de 2017 Marco Antônio Borges, o professor Miliko, e a dona de casa Silvana Melo, morreram depois que seus veículos colidiram; e um menino de 15 anos, Eduardo Lisboa, foi atingido por um veículo quando andava de bicicleta e morreu no local. Também na BR-280 ocorreram três dos quatros acidentes registrados na região Norte entre 22 de dezembro e 10 de janeiro, período em que os veículos da NSC Comunicação realizaram um levantamento dos acidentes com mortes nas rodovias federais e estaduais de Santa Catarina.

Radar da violência nas Estradas

A iniciativa Radar da Violência nas Estradas envolveu 38 profissionais dos veículos da NSC Comunicação. Desde 22/12/2017, jornalistas acompanharam o número de vítimas nas rodovias estaduais e federais de SC até 10/1/2018. Diferentemente dos dados oficiais das polícias, que registram apenas casos de morte no local, a reportagem também monitorou as vítimas que morreram nos hospitais.

Repercussão

Nesta quinta-feira, das 14h às 16h, a CBN Diário e o Facebook do AN trazem debate sobre o tema dividido em três rodadas: autoridades (PRF e PMRv), infraestrutura (DNIT e Deinfra) e socorristas (Samu e bombeiros).

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