Moradores de loteamento em Gaspar aguardam há seis anos por infraestrutura - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Urbanização14/03/2018 | 06h31Atualizada em 14/03/2018 | 06h31

Moradores de loteamento em Gaspar aguardam há seis anos por infraestrutura

Famílias que moram no Loteamento Arábia Saudita, em Gaspar, convivem com poeira, lama e reclamam da falta de drenagem

Moradores de loteamento em Gaspar aguardam há seis anos por infraestrutura Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Sem pavimentação, unidade de saúde ou drenagem pluvial e com rede de esgoto e transporte público deficitários. Esta é realidade das 89 famílias de Gaspar que moram no Loteamento Arábia Saudita. O bairro foi construído para abrigar aqueles que perderam tudo na tragédia de 2008, mas seis anos e meio após ser entregue, o dia a dia na vizinhança é muito difícil.

O acesso à saúde é um dos principais problemas. Quem necessita de atendimento médico, como o aposentado Natal Rosa, tem que se deslocar por aproximadamente 17 quilômetros até a unidade mais próxima, no bairro Belchior Alto. Acometido por um câncer, é difícil ter que percorrer tamanha distância enquanto o posto de saúde, que tem as obras paradas, é visto do portão de casa.

– Tem que ir lá em cima sempre que precisa, mas não tem ônibus – conta Maura, esposa de Natal.

A filha do casal, que também mora no loteamento, sente na pele a impotência diante de uma unidade de saúde que começou a ser construída em junho de 2015 e ainda não está pronta. Solange Rosa descobriu no fim de 2016 que um dos filhos tem um tumor na cabeça. A criança de apenas 11 anos precisa de consultas periódicas, mas se desloca até Blumenau para receber atendimento.

O procurador-geral de Gaspar, Felipe Braz, explica que houve uma série de entraves envolvendo a empresa que venceu a licitação para executar a obra, e um novo processo licitatório precisou ser feito para definir quem irá terminá-la. De acordo com ele, cerca de 80% dos serviços estão prontos e os 20% restantes serão concluídos pela Empreiteira Açu, vencedora de uma nova concorrência.

A previsão é concluir a unidade em dois meses após o início dos trabalhos. Mas para que ele efetivamente passe a atender a comunidade ainda será necessário contratar uma equipe médica.

O transporte público no Arábia Saudita também é precário. Atualmente, apenas uma linha de ônibus atende a comunidade. Nos dias úteis, são três horários de ida e quatro de volta. Aos sábados, tem um horário de ida e três de volta. Aos domingos não há nenhuma linha. Braz destaca que a cidade vive um contrato emergencial com a empresa Caturani.

Segundo ele, o município aguarda parecer do Tribunal de Contas do Estado para lançar o edital de licitação para concessão do transporte coletivo. Apesar disso, o procurador-geral não soube precisar se a nova empresa de ônibus que operará na cidade vai criar novas linhas e horários para atender a comunidade.

Urbanização da região

A administração municipal de Gaspar espera iniciar em breve outra obra importante para os moradores da região: a urbanização do loteamento. A assistente social da Secretaria de Planejamento Territorial, Valdiria Stanke Pamplona, afirma que a licitação para execução do projeto foi finalizada e aguarda apenas o aval da Caixa Econômica Federal para assinar a ordem de serviço. O contrato é de R$ 6,9 milhões.

– Esse valor inclui pavimentação, calçadas, drenagem e esgoto, além do asfalto para a Rua Carlos Alberto Schramm, que dá acesso às casas – detalha Valdiria.

Com as obras, a expectativa da comunidade é viver em um contexto diferente, afirma Diogo Weslei da Silva, de 20 anos. 

– Quando chove muito alaga aqui – diz o morador que ainda explica que a vizinhança sofre também com o mau cheiro pela falta da rede de esgoto.

A prefeitura admite que não existe drenagem pluvial no local e reconhece que a tubulação por onde passa o esgoto é muito pequena para comportar a demanda dos moradores. Para a administração municipal, são deficiências a serem superadas com a urbanização do espaço. Diogo relata que muitas vezes um caminhão vai até o local para desobstruir a tubulação e amenizar a situação, mas o problema é recorrente. Também está prevista uma Estação de Tratamento de Esgoto na localidade. A licitação chegou a ser lançada em maio de 2016, no entanto, foi suspensa no mês seguinte após questionamentos feitos em relação ao projeto.

Faltam espaços para lazer

A diretora da Escola de Educação Básica Professora Angélica de Souza Costa, localizada no loteamento, conta que outra necessidade dos moradores é por espaços adequados de lazer.  A unidade de ensino não dispõe de uma quadra esportiva, que poderia ser utilizada para recreação das famílias da região.  Segundo Marili Spengler de Cordova, a ideia é viabilizar junto com a prefeitura e empresas dois campinhos. Um dos espaços já é utilizado para a prática esportiva, mas não oferece estrutura. O outro seria em frente ao colégio, onde hoje não há nada.

Atualmente, a escola atende cerca de 210 crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Destes, aproximadamente 115 terão aulas a partir da próxima semana no Ginásio João dos Santos, justamente por falta de uma estrutura na unidade de ensino. 

Um ônibus da Secretaria Municipal de Educação fará o transporte dos estudantes todas as quartas-feiras. A diretora relata que a medida havia sido tentada pela direção anterior da escola, mas em virtude das obras de construção da Ponte Prefeito Rodolfo Pamplona, a Ponte do Vale, não foi possível. Agora o colégio aguarda a liberação de recursos do governo federal para a construção de um ginásio de esportes.

– Se tivermos isso a comunidade também poderá utilizar – diz a diretora da escola.

Quando a urbanização do loteamento da Margem Esquerda estiver pronta, a prefeitura de Gaspar espera solucionar mais algumas demandas da comunidade. É o caso dos desmembramentos dos lotes e a entrega de correspondências pelos Correios. Questionado sobre a construção de um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) na região, o procurador afirmou não ser uma prioridade no momento, pois, segundo ele, outras regiões da cidade necessitam mais do equipamento.



 

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