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Recursos hídricos22/03/2018 | 06h24Atualizada em 22/03/2018 | 06h24

O que comemorar no Dia Mundial da Água em Blumenau

Tratamento de esgoto, preservação, fiscalização e educação indicam avanços nos cuidados com a água na Bacia do Rio Itajaí-Açu e afluentes

O que comemorar no Dia Mundial da Água em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Há 26 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 22 de março como Dia Mundial da Água. A publicação da Declaração Universal dos Direitos da Água estabeleceu 10 artigos que consideram o composto químico formado por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio patrimônio do planeta e responsável pela condição da vida de todos os seres. Recurso abundante no Vale, que como o próprio nome diz, se desenvolveu junto do Rio Itajaí-Açu e afluentes.

A Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí compreende uma área de 15 mil quilômetros quadrados, correspondente a 16,14% do território catarinense, a maior do Estado.

O Rio Itajaí-Açu por si só é o maior curso de água, com mais de 300 quilômetros de extensão entre as nascentes e a foz. É fundamental para atividades econômicas e geração de energia. Segundo a Celesc, as usinas do Salto, Palmeiras e Rio dos Cedros, atendem 331 mil residências por mês.

Diante da grandeza dos números, o dia de celebração ganha importância também para a conscientização sobre a importância dos cuidados com os recursos da bacia. O engenheiro hidrólogo da Furb e doutor em Hidrologia Ademar Cordeiro, que trabalha há 33 anos com monitoramento e prevenção de cheias no Vale do Itajaí, é enfático:

– Primeiramente devemos nos preocupar com a questão da poluição, originada pelas indústrias e pessoas, que é algo recorrente. Tão importante quanto a proteção da mata ciliar das nascentes desta que é a maior bacia estadual.

A manutenção da mata também é uma preocupação da Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena), que defende a implantação de um projeto de proteção das nascentes nas propriedades, com cercamento e replantio da mata ciliar no entorno delas.

De acordo com a Política Nacional de Recursos Hídricos, criada em 1997, a água é um bem de domínio público, com valor econômico, e a gestão desse recurso deve ser participativa e descentralizada. Na região, a tarefa é do Comitê do Itajaí, que em 2010 finalizou um plano que estabeleceu metas progressivas para a melhoria da qualidade da água num cenário de 20 anos.

– Foi um processo extremamente participativo no qual a população, os usuários e outros atores puderam conhecer os rios que temos e se manifestar sobre os rios que queremos e os que podemos ter. Este trabalho está sendo reavaliado, entre outros fatores, porque haviam poucos dados de monitoramento disponíveis à época – afirma o presidente do Comitê do Itajaí, Cleber Andrei Seemann Stassun.

Para a melhoria da qualidade da água um dos fatores determinantes é a ampliação dos investimentos em saneamento básico. Além disso, é necessário avançar de maneira firme em parceria com os municípios para reduzir a produção de sedimentos, a ocupação indevida das áreas de mata ciliar e ampliação da recuperação delas.

– Se observarmos os dados apresentados recentemente no Plano Estadual de Recursos Hídricos, fica evidente que não apenas no Vale do Itajaí, mas na maioria das regiões, a qualidade da água é um desafio – completa.

Na cidade, 42% do esgoto recebe tratamento
A ampliação do saneamento, citada pelo comitê tem ocorrido em Blumenau. Segundo a BRK Ambiental, empresa concessionária do serviço na cidade, em 2010, 40 milhões de litros de esgoto eram despejados no Rio Itajaí-Açu diariamente. Hoje, a empresa trata 19 milhões de litros ao dia. Blumenau encerrou 2017 com 42% do sistema de tratamento de esgoto, resultando no avanço de 29 posições no Ranking de Saneamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil no ano passado. O município ocupa a 65ª posição entre as 100 maiores cidades do país. Para este ano, a previsão da concessionária é que o sistema de tratamento avance para 44%.

O presidente do Samae de Blumenau, Alexandro Fernandes, defende que a melhoria do tratamento do esgoto beneficia a captação de água nas estações, principalmente na ETA 2, que opera no Rio Itajaí-açu e é responsável pelo abastecimento de água de 70% da cidade.

– É fundamental essa ação de coleta e tratamento de esgoto, e o ideal é que a região pense nisso – pondera.

Leocarlos Sieves, presidente da Acaprena, considera que se avançou no tratamento de esgoto doméstico e industrial, porém, o rio recebe muito veneno oriundo de agrotóxicos, principalmente no Alto Vale, onde a agricultura é mais intensiva.

Qualidade da água apresenta melhora
A poluição do Rio Itajaí-Açu e afluentes é uma preocupação para garantir o aumento da qualidade da água. A BRK Ambiental, concessionária responsável pelo sistema de esgoto de Blumenau, monitora os afluentes do rio em 22 pontos. A análise leva em conta nove parâmetros, que formam o Índice de Qualidade da Água (IQA).

– O trabalho é feito em parceria com o Senai e pode ser acompanhado por qualquer pessoa no site (http://www.sc.senai.br/hidrodata). Fizemos uma análise sintética de como estava no início, em 2011, e agora. Conseguimos ver uma melhora na qualidade dos afluentes de 70%. – aponta o gerente de Operações, Guilherme Pimentel.

A empresa não possui nenhum ponto de monitoramento no rio. Segundo a BRK Ambiental, o foco está nos afluentes. Despoluindo-os haverá reflexo no Itajaí-Açu. O mesmo acontece com a Fundação do Meio Ambiente (Faema), que faz testes mensais em 21 pontos estratégicos nos afluentes. 

Em fevereiro, dos pontos coletados e testados, seis não atingiram o valor considerado bom para a qualidade da água, que é de 70%. Quanto maior for o IQA, melhor é considerado o resultado.

Além do trabalho de coleta e teste da água, a Faema fiscaliza crimes ambientais nos cursos de água na cidade. Desde o ano passado a fundação afirma ter recebido 13 denúncias de poluição, das quais cinco resultaram em auto de infração.

O Santa visitou um dos afluentes do Itajaí-Açu, o Ribeirão Itoupava, e observou um produto sendo despejado na água. Procurada pela reportagem, a Faema informou que recebeu algumas denúncias sobre dejetos jogados por empresas, mas afirmou que as monitora e que é feito o tratamento adequado.

 

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