Três das sete principais cidades do Vale do Itajaí têm estruturas públicas especializadas em cuidado animal - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Falta proteção14/03/2018 | 05h59Atualizada em 14/03/2018 | 08h37

Três das sete principais cidades do Vale do Itajaí têm estruturas públicas especializadas em cuidado animal

Levantamento feito pelo Jornal de Santa Catarina mostra situação do atendimento no Dia Nacional dedicado aos bichinhos

Três das sete principais cidades do Vale do Itajaí têm estruturas públicas especializadas em cuidado animal Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Os pets ganham a cada dia um espaço maior nas famílias. Segundo levantamento do IBGE de 2013, os cães têm espaço garantido em 58,6% dos lares e os gatos em 19%. Embora recebam cada vez mais atenção e tenham se tornado parte de um mercado que movimenta anualmente R$ 16 bilhões com alimentos, produtos e serviços, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, muitos animais ainda vivem em condições precárias. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, há uma estimativa de que cerca de 30 milhões de animais estão abandonados no Brasil. São 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos. Um cenário que neste Dia Nacional dos Animais exige uma reflexão sobre como os municípios estão lidando com a causa. Conforme levantamento feito Santa, apenas três de sete cidades do Vale do Itajaí contam com estruturas voltadas para o bem-estar animal.

O índice de animais nas ruas é alarmante e coloca em risco a saúde humana, com os episódios de mordeduras, parasitoses, bicho geográfico e de pé, problemas comuns em comunidades onde há um grande número de cães e gatos sem donos. A segurança viária também é colocada risco, com os acidentes gerados por bichos soltos nas vias. O bem-estar e a dignidade dos animais é posto em xeque.

É o que aponta o médico veterinário Fernando Zacchi, do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina. Para ele, esse contexto gera um forte impacto financeiro aos cofres públicos e à população, por isso exige maior atenção por parte dos gestores.

Conscientização para guarda responsável

– A falta de educação para posse responsável, a ausência de legislação específica para regulamentar o comércio e a ausência de um órgão específico que trate de todas as questões relacionadas aos animais são fatores que dificultam a solução do problema – afirma Zacchi.

A protetora Evelin Huscher, voluntária na entidade de proteção animal mais antiga de Blumenau, a Aprablu, diz que muito se avançou nesta área, principalmente com as castrações. Ela defende ainda que o foco do trabalho deve ser agora a conscientização sobre a guarda responsável:

– O abandono e a superpopulação de animais de rua estão aumentando. Temos muita gente trabalhando para combater, mas precisamos conscientizar os proprietários e responsabilizá-los pelos casos de negligência.

Evelin aponta que cerca de 250 a 300 animais são acolhidos por mês e abrigados em casas de voluntárias somente na Aprablu. O pensamento da protetora é compartilhado por profissionais do setor. O veterinário Fernando Zacchi, do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado, diz que a castração é um dos pilares para o manejo populacional de cães e gatos, assim como ações na área de educação, legislação e adoção de animais.

– O correto seria trabalharmos estes pontos para que cada vez menos fossem necessárias as cirurgias. Quando a principal ação de um programa de bem-estar animal é, continuadamente, a castração, temos a impressão de que alguma coisa está falhando – reforça Zacchi.

O diretor de Bem-Estar Animal de Blumenau, Luis Carlos Kriewall, sustenta que o trabalho deve ser pautado em quatro pilares: conscientização da comunidade sobre a responsabilidade enquanto proprietários de animais; a castração dos bichos para evitar proliferação indesejada; a fiscalização do comércio com a aplicação de normas que permitam tornar obrigatórias a vacinação, esterilização e microchipagem; e o monitoramento do retorno do animal ao proprietário em caso de fuga e até mesmo punir dono em casos de abandono e maus-tratos.

– A partir do momento em que a gente conseguir reduzir gastos com castrações e compensar em ações de educação e saúde, teremos um grande ganho para a comunidade – avalia o Kriewall.

* Colaborou Adriano Lins

Estrutura no Vale

O Santa fez um levantamento com sete cidades do Vale do Itajaí sobre a estrutura em cada município. Confira a seguir:

Blumenau

O município conta com o Centro de Prevenção e Recuperação de Animais Domésticos (Cepread). Inaugurada em setembro de 2014, a estrutura dispõe de cinco veterinários e atua também em casos de maus-tratos a animais de rua.

Brusque

O município tem um convênio firmado com a Associação Brusquense de Proteção aos Animais (Acapra), que tem aproximadamente 10 voluntários e atende, em média, 50 animais por mês.

Gaspar

O veterinário da Secretaria de Agricultura de Gaspar, Mauricio Pamplona, aponta que o trabalho de bem-estar animal atualmente compreende o apoio a três abrigos voluntários que acolhem cães e gatos com o fornecimento de ração.

Indaial

Indaial contra com o Centro Público de Castração Animal desde outubro do ano passado. O espaço é destinado a ações como mutirão de castração e chipamento e funciona de forma multiuso. 

Itajaí

Com o orçamento anual de R$ 600 mil, Itajaí dispõe de uma Unidade de Acolhimento Provisório de Animais (Uapa). O espaço existe há mais de 10 anos e conta atualmente com cerca de 300 cães e gatos abrigados e disponíveis para adoção. 

Pomerode

A cidade não conta com um espaço para animais em situação de risco ou abandono. 

Rio do Sul

A cidade conta com um convênio firmado pela administração municipal junto à Associação Protetora de Animais Desamparados (Apad), que tem aproximadamente 10 voluntários e atende mais de 60 animais por mês. Por meio da parceria, a prefeitura destina mensalmente R$ 7 mil à entidade. O valor é utilizado para custear atendimentos médicos, castrações e aquisição de ração. 

 

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