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Saúde27/04/2018 | 08h01Atualizada em 27/04/2018 | 08h01

Ações do Abril Marrom alertam para problemas que causam cegueira e baixa visão

A campanha termina neste sábado, com testes de visão e orientações, das 8h às 13h, na Praça Dr. Blumenau, entre as ruas Nereu Ramos e XV de Novembro

Ações do Abril Marrom alertam para problemas que causam cegueira e baixa visão Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Vilson José Bertoldi, 44 anos, perdeu completamente a visão após um problema com o diabetes Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Vilson José Bertoldi convive com um quadro de diabetes tipo 1 desde a infância. Hoje com 44 anos, o morador de Timbó trabalhava com conserto de equipamentos de informática quando começou a passar mal e perceber manchas na visão, em 2003, então com 30 anos. A partir daí procurou ajuda médica, chegou a fazer uma cirurgia, mas nada adiantou. Em seis meses, sofreu sangramento no globo ocular e descolamento da retina que provocaram a perda completa da visão.

As vistas escurecidas não diminuíram o ânimo de Vilson para viver e se adaptar à nova situação. Menos de dois anos após perder a visão, Vilson começou a cursar a faculdade de Direito, que concluiu em 2010. Durante a vida universitária conheceu a mulher que o acompanha até hoje e com quem teve um filho em 2012. Desde 2016 preside a Associação de Cegos do Vale do Itajaí (Acevali). No entanto, ficou uma sensação de que, se tivesse mais orientação, acompanhamento médico e oftalmológico poderia ter evitado a grave consequência que foi a cegueira.

– Sempre digo para as pessoas: é importante estar consciente de que tem o problema, se cuidar, manter o diabetes sob controle, uma vida mais saudável. Sou exemplo vivo. Se tivesse me cuidado melhor, hoje poderia estar enxergando normalmente – conta.

Com Francisco Fehller, foi uma lesão no nervo óptico ocorrida há 27 anos, depois de um quadro de meningite que provocou o quadro grave de baixa visão – quando o paciente tem menos de 30% de visão no melhor olho. Hoje ele tem 55 anos e enxerga menos de 10%. O trabalho na construção civil teve que ficar para trás e hoje é na família e no paradesporto – ele pratica goalball pelo time de Blumenau – que Francisco encontra a empolgação e a superação para seguir adiante.

Casos como os de Vilson e Francisco, de diabetes ou meningite, são apenas alguns dos exemplos de pessoas que tiveram parte ou toda a visão perdida por problemas de saúde. Nesta lista de perigos à saúde dos olhos entram ainda doenças como glaucoma, catarata e degeneração macular. Para divulgar a importância da conscientização e da orientação sobre as causas da cegueira foi criada a campanha Abril Marrom. Desde o início do mês os organizadores promovem ações como palestras e testes de visão em empresas e conversas de oftalmologistas com médicos da rede pública para difundir a importância de visitar o oftalmologista e acompanhar com frequência a saúde da visão.

Uma das ações, no início do mês, envolveu a triagem de mais de pelo menos 450 alunos da EBM Santos Dumont, no bairro Garcia, em Blumenau. Cerca de 70 casos considerados mais graves foram contemplados com consultas gratuitas com oftalmologistas. As crianças que necessitarem terão os óculos custeados pelo Lions Clube Blumenau Cidade Jardim. Uma roda de conversa com pacientes com diabetes ocorreu ontem. A campanha termina com testes de visão e orientações amanhã, das 8h às 13h, na Praça Dr. Blumenau, entre as ruas Nereu Ramos e XV de Novembro, no Centro.

Três em cada 100 têm dificuldades para ver 

Os números mostram que a saúde ocular é um assunto que exige atenção para evitar problemas que possam se tornar sérios. Em Blumenau, segundo dados do Censo 2010 do IBGE, três em cada 100 pessoas possuem grave dificuldade visual (menos de 10% da visão) ou cegueira. Em todo o país, a deficiência visual responde por 55% das deficiências relatadas pela população.

O oftalmologista André Przysiezny alerta para a necessidade de atenção em todas as fases da vida, desde o pré-natal, que pode identificar problemas visuais inclusive na gestante, até a terceira idade, quando costumam ser mais comuns problemas como a catarata.

Para evitar esses problemas, além de idas periódicas ao oftalmologista, hábitos saudáveis e exercícios físicos também pode ajudar na saúde da retina. Use óculos de sol com procedência e evite coçar o olhos, orienta oftalmologista.

Os casos mais comuns no consultório
- Uso de óculos
É o caso mais comum em consultórios, mas o menos grave. É provocado por problemas como miopia e astigmatismo  e corrigido quando se passa a usar os óculos com os graus indicados pelos profissionais.

- Catarata
Opacidade que atinge o cristalino – lente natural existente no globo ocular – geralmente associada à idade e que é uma das causas de baixa visão e cegueira. 

- Glaucoma
Lesão gradual que atinge o nervo óptico e pode ter várias causas, incluindo alteração genética. Os principais fatores de risco são histórico na família e pressão elevada dentro do olho. É progressiva e muitas vezes não apresenta sintomas. A doença não tem cura, mas pode se controlada.

- Degeneração macular
Alteração degenerativa com relação com a genética e com hábitos saudáveis. Danifica parte central da visão e provoca dificuldade de leitura e visão mais minuciosa para atividades como colocar uma linha em uma agulha. Tem duas formas e a mais grave dela, chamada de úmida, evolui rapidamente e pode causar hemorragia e cicatrizes.

- Retinopatia diabética
Comprometimento da retina que ocorre por causa do diabetes tipo 2. Pode debilitar a ponto de impedir de dirigir e trabalhar, mas pode ser controlada .

- Ambliopia
É o não desenvolvimento da visão que afeta crianças de até sete anos. Pode ocorrer por uma grande diferença de grau entre um olho e outro ou estrabismo. Isso pode fazer com que o olho não se desenvolva e, na idade adulta, a visão não seja suficiente. Há testes que podem identificar, mas o diagnóstico precisa ocorrer até os sete anos, que é a idade em que a visão termina de se desenvolver.

- Ceratocone
Doença que deixa a córnea de forma cônica, afinada, e provoca dificuldade gradual de visão, até mesmo com óculos ou lente. Tratamentos podem impedir a progressão da doença e evitar a necessidade de transplante de córnea. Costuma ocorrer por volta dos 18 ou 20 anos.

*Fonte: Oftalmologista André Przysiezny

 

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