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Disparidade03/04/2018 | 03h00Atualizada em 06/04/2018 | 18h22

Florianópolis tem 9,68 médicos para cada mil habitantes, no restante de SC taxa é de 1,72

Pesquisa Demografia Médica 2018 também apontou as especialidades menos e mais comuns no Estado

Florianópolis tem 9,68 médicos para cada mil habitantes, no restante de SC taxa é de 1,72 Betina Humeres/Diário Catarinense
Louise Lapagesse é médica geneticista no Hospital Infantil Joana de Gusmão; no Estado são apenas cinco profissionais com essa especialidade Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense

Uma pesquisa divulgada em março escancarou uma realidade catarinense: a diferença da quantidade de médicos que atuam em Florianópolis e no restante do Estado. Enquanto a Capital tem uma taxa de 9,68 médicos para cada mil habitantes – a segunda maior do país –, nas outras cidades a média cai para apenas 1,72. Florianópolis concentra 29% dos 15,8 mil médicos que atuam em Santa Catarina. Os dados fazem parte da pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).

Diversos fatores explicam a má distribuição dos profissionais em SC, mas o principal seria a falta de estrutura em algumas regiões. O presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), Nelson Grisard, acrescenta que, além da falta de hospitais equipados em todo Estado, a concentração de médicos em Florianópolis começou com o curso de Medicina na cidade e pelo fato de a Capital contar com mais clínicas especializadas que agregam tecnologia, um prato cheio para atrair profissionais.

A qualidade de vida também seduz. Apesar de não ter números por cidades, a coordenadora do curso de Medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Rosalie Knoll, acredita que as cidades litorâneas de modo geral têm mais médicos do que regiões como Oeste, por disporem de boa infraestrutura e opções de lazer.

Para Rosalie, a saída para redistribuir os profissionais seria oferecer salários maiores nos pequenos centros. Além disso, são necessárias políticas públicas, reforça o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado, Vânio Cardoso Lisboa:

— O governo precisa fazer políticas de interiorização da saúde. Estou falando de hospitais bem equipados também no interior e de concursos públicos para que profissionais atuem nesses locais.

Apesar de reconhecerem a disparidade, as entidades médicas consideram que o Estado tem média geral adequada, que se equipara a países mais desenvolvidos. Em 2015, eram 2,07 médicos a cada mil habitantes, agora são 2,26. No país, a taxa é de 2,18. A Organização Mundial da Saúde considera que um médico para cada mil habitantes é uma taxa razoável para atender a população. Para Grisard, além da quantidade, é fundamental pensar na qualidade na formação dos profissionais:

— Não podemos ter esse número de escolas de Medicina. Nascem menos crianças e estamos fazendo mais médicos. Precisamos de qualidade. Mais cursos não é a solução, e sim melhorar o local de trabalho para que o médico possa fazer mais coisas.

Santa Catarina tem terceira maior taxa de especialistas do país

Há sete anos, a médica geneticista Louise Lapagesse de Camargo Pinto se mudou para Florianópolis para atuar no Hospital Infantil Joana de Gusmão. Ali, com outra especialista, realiza por mês cerca de 200 atendimentos de pacientes com transtorno de espectro autista, com síndrome de Down, fibrose cística, além de outras doenças genéticas raras. Também dá aulas de genética na Unisul e atende bebês com malformação na Maternidade Carmela Dutra.

A rotina atribulada tem explicação: são apenas cinco médicos com essa especialidade atuando no Estado, segundo a pesquisa. Louise acredita que o fato de muitos cursos não ofertarem a disciplina de genética médica explica a baixa procura pela especialidade por parte dos recém-formados:

— Se os alunos não tiverem contato com a área, eles não vão querer.

Na outra ponta, especialidades como clínica médica, pediatria e cirurgia geral concentram o maior número de profissionais. A demanda do mercado e a oferta de vagas de residência justificam esse cenário.

— A tendência no Brasil é os jovens que saem das universidades irem para especialidades. Abriram muitas vagas para residências, principalmente na área de clínica médica, ginecologia e pediatria – ressalta a coordenadora do curso de Medicina da Univali, Rosalie Knoll.

Os dados também refletem isso. Dos 15.838 médicos que atuam em SC, 69,1% são especialistas e 30,9%, generalistas, o que dá uma razão de 2,24 especialistas para cada generalista – terceira maior taxa do país. Ainda assim, as entidades apontam que faltam alguns profissionais em áreas como pediatria, neurologia e ortopedia.

Outro ponto da pesquisa é em relação a homens e mulheres. Santa Catarina é o quarto Estado com maior proporção de homens médicos, com 61,2%. Mas o equilíbrio pode ocorrer em poucos anos, acredita a coordenadora do curso de Medicina da Univali, porque dentro de sala de aula, muitas vezes, elas são maioria.

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