Número de mortes por câncer em Blumenau cresceu 105% em duas décadas - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Saúde20/04/2018 | 09h20Atualizada em 20/04/2018 | 09h20

Número de mortes por câncer em Blumenau cresceu 105% em duas décadas

Levantamento aponta que um em cada quatro óbitos em Blumenau é causada por algum tipo de tumor

Mais de uma pessoa morre em Blumenau a cada dia por causa de algum tipo de câncer. A doença, segundo estudo divulgado pelo Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer nesta semana, já representa a principal causa de mortes em uma entre cada três cidades em Santa Catarina. E o índice deve aumentar nos próximos anos. O relatório aponta que 25% dos óbitos em Blumenau em 2015 foram causados pelas chamadas neoplasias (tumores), índice que deixa a cidade entre as primeiras no ranking que considera as mais populosas do Estado.

Segundo um levantamento feito pelo Santa com base no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do SUS e em dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o número de óbitos por causa da doença em Blumenau cresceu 105% em 20 anos (de 1996 a 2015, período em que há estatísticas oficiais). O dado subiu de 217 para 447 e tornou o câncer a segunda principal causa de falecimentos na cidade, atrás dos casos cardiovasculares. A situação, conforme especialistas, é uma tendência de cidades desenvolvidas:

– Há uma tendência entre os países desenvolvidos que o número de mortes por infecção e doenças cardiovasculares diminua e que o câncer seja a segunda ou até a primeira causa principal de mortes. Em regiões onde há problemas de saneamento, por exemplo, as infecções ainda lideram o ranking – analisa o coordenador do setor de Oncologia do Hospital Santo Antônio, Gustavo Gastal.

Conforme os dados do SUS, em duas décadas Blumenau registrou 6.357 mortes por câncer, enquanto as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 8.228 óbitos. No entanto, a diferença entre as causas tem caído a cada ano conforme menos pessoas morrem por outros motivos e mais casos de câncer são diagnosticados. É por isso que especialistas apontam uma questão multifatorial para o crescimento do índice de mortes pela doença, ao mesmo tempo em que campanhas e novas tecnologias incentivam a população a descobrir tumores antes ignorados e outros tipos de problemas de saúde se tornam menos fatais.

Há pouca estatística oficial disponível sobre incidência de tumores, mas a estimativa do Inca é de que em 2018 cerca de 27 mil novos casos de câncer sejam descobertos em Santa Catarina. Os mais frequentes são de próstata e mama, mas não são os mais letais. No acumulado de 1979 até 2015, o câncer de pulmão foi o responsável pelo maior número de mortes, com mais que o dobro de casos em relação ao câncer de mama, por exemplo.

– O câncer de pulmão tem uma mortalidade muito alta. Ele dá poucos sinais e tem fatores de risco sérios como o tabagismo. Casos na próstata e mama, que são os mais comuns, têm campanhas consolidadas que estimulam o diagnóstico precoce, e quanto mais cedo descoberto maior a chance de tratá-lo – explica Gastal.

Tratar fatores de risco é o principal
Para o coordenador do setor de Oncologia do Hospital Santo Antônio – que é referência em Blumenau nesse tipo de atendimento – o caminho para tentar segurar a escalada de casos fatais de câncer é atacar os fatores de risco. Estima-se que apenas 15% dos tumores têm relação com fatores genéticos, enquanto todos os outros nascem de hábitos e fatores de risco: alimentação, tabagismo, exposição a radiação (inclusive solar), sedentarismo, obesidade, uso abusivo de álcool e outras situações que facilitam a mutação das células.

– As pessoas estão vivendo mais tempo e o envelhecimento propicia mais mudanças nas células e mais tempo de exposição a fatores de risco. Como as pessoas morrem menos por outras causas, envelhecem mais e têm mais chances de ter câncer.

Após tratar fatores de risco, o principal caminho apontado é conhecido: diagnóstico precoce. Os chamados testes de screening, usados para encontrar tumores preventivamente, ainda não são tão comuns quanto o desejável na rede pública de saúde. Ao mesmo tempo, casos em órgãos como o pulmão e o intestino vêm com alto índice de mortalidade pela dificuldade em localizá-los cedo. E a receita é ditada pelo Inca e especialistas: quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances de cura e menores os gastos no tratamento.

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Foto: Reprodução / Arte




 
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