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Educação20/04/2018 | 07h30Atualizada em 20/04/2018 | 09h53

Projetos ensinam programação em escolas públicas de Blumenau

As iniciativas buscam despertar as crianças para profissão que cresceu 172% em dez anos

Projetos ensinam programação em escolas públicas de Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
O pequeno Gabriel Bretas, 10 anos, já está desenvolvendo um joguinho próprio Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Eles são pequenos e, cada vez mais, dominam um universo que até pouco tempo atrás era coisa exclusiva de gente grande: a programação. O avanço da tecnologia mudou o cotidiano das pessoas e com as crianças não foi diferente. Em Blumenau, alunos do ensino fundamental de pelo menos três escolas aprendem a atividade. Esse universo não para de crescer na cidade e somente no ano passado empregou 4.150 pessoas, número 172% maior do que o registrado em 2007.

Gabriel Bretas, 10 anos, surpreende pela desenvoltura em frente ao computador. Desde o ano passado, a turma dele na Escola de Educação Básica Pedro II participa de um projeto da Furb chamado Furbot, uma ferramenta de suporte ao ensino de programação de computadores. O trabalho é lúdico e se dá por meio de um jogo na sala de informática, onde eles recebem um desafio e para cumpri-lo é preciso determinar quais comandos são necessários no programa.

Para o estudante do quinto ano do ensino fundamental foi fácil resolver a equação. A expectativa é avançar ainda mais. Ele quer desenvolver o próprio jogo para compartilhar com os amigos.

– Quero aprender a programar jogos e quero que eles (os professores) me deem ideias – fala entusiasmado o garoto, que começou a trabalhar em um projeto pessoal no ano passado.

Mauro Marcelo Mattos, coordenador do Furbot, diz que cada vez mais as crianças demonstram habilidades na área, como Gabriel. O trabalho desde cedo desenvolve nos alunos o raciocínio lógico e a capacidade de resolução de problemas. Além de aproximar a universidade da comunidade, o projeto atende a uma necessidade de mão de obra cada vez mais urgente no Vale do Itajaí.

– O propósito é justamente mobilizá-los a entenderem o que é computação de tal forma que no futuro alguns desses alunos possam desenvolver o interesse na área de computação e sistemas de informação – explica Mattos.

O trabalho na escola Pedro II deu tão certo que os pequenos conseguiram, inclusive, realizar uma atividade de prova da graduação. Para expandir essa iniciativa, que começou no ano passado e apenas nesta unidade de ensino, em 2018 ela chegará também à EEB Elza Pacheco. 

E assim, aos poucos, a ideia é contemplar cada vez mais escolas. Um trabalho que a longo prazo irá se complementar com o programa Entra21, que disponibiliza cursos em linguagem de programação gratuitos para jovens a partir dos 16 anos.

 Blumenau - SC - Brasil - 18042018 - Aula de programação na escola Pedro II
Alunos do 5º ano do ensino fundamental da EEB Pedro II aprendem com uma ferramenta de suporte ao ensino de programação de computadoresFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Projeto desenvolve uma estação meteorológica
Na EBM Alberto Stein o caminho encontrado para abordar programação, lógica e eletrônica foi a montagem de uma estação meteorológica. O trabalho começou há duas semanas com uma turma do nono ano do ensino fundamental. A iniciativa é pessoal do analista de sistemas Carlos Augusto Grahl e surgiu após ele montar em casa uma estrutura para monitorar o clima na cidade. 

Todo o processo foi contado em uma página na internet e surgiu, então, a ideia de trabalhar com escolas. Para chegar lá foi preciso uma força coletiva para adquirir os materiais necessários. Os esforços se materializaram na primeira aula, quando os estudantes aprenderam o que há por trás da tecnologia que faz parte do dia a dia. O segundo encontro já foi de atividade prática.

 Com os componentes eletrônicos em mãos, eles aprenderam a montar um sistema de LED e a programá-lo para acender e apagar conforme o desejo deles. Para quem sonha em trabalhar com informática, como Vítor Lucas de Souza, o projeto veio em boa hora.

– Estava ansioso pela aula, não sabia direito como certas coisas funcionavam. Agora a gente sabe – diz o aluno.

Nas próximas semanas, o trabalho com os estudantes avança para a montagem da estação meteorológica e a programação do equipamento, que ficará na escola após a conclusão das aulas. Os dados captados e gerados poderão ser consultados no site do projeto.

A ideia é, depois, levar o projeto para outras unidades de ensino. Escolas interessadas em receber o projeto “Temperatura Aqui” podem entrar em contato pelo e-mail contato@temperaturaaqui.com.br. As aulas são gratuitas.

 
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