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Educação30/04/2018 | 07h30Atualizada em 30/04/2018 | 08h31

Rede estadual de ensino em Blumenau tem problemas na área de tecnologia

Levantamento feito por Santa e NSC TV com 31 escolas estaduais aponta que apenas sete usam sala de informática sem restrições. Nas demais, justificativa é a má condição dos equipamentos e falta de professor


Computadores esquecidos no antigo laboratório de informática da escola Hermann Hamann, no bairro Fortaleza, em Blumenau
Desde o ano passado, os 350 alunos da EEB Hermann Hamann, no bairro Fortaleza, utilizam o local apenas como bibliotecaFoto: Jean Laurindo / Jornal de Santa Catarina

A sala era de informática, mas atualmente os computadores estão no alto das estantes. Neles, um aviso: “em desuso”. Essa é a realidade da Escola de Educação Básica Hermann Hamann, no bairro Fortaleza, em Blumenau. Desde o ano passado, os 350 alunos utilizam o local apenas como biblioteca. O diretor da unidade de ensino, Alcione Pertile, lamenta a situação e diz que o que era possível foi feito para garantir o espaço aberto aos estudantes e professores, mas com computadores de 2008 ficou difícil manter as máquinas em pleno funcionamento.

Ele conta que, como os computadores eram antigos, muitas peças precisavam ser compradas e chegou a um ponto em que o investimento não valia mais a pena. A situação foi agravada com a retirada do professor da sala de informática.

– Ele (o professor) tinha conhecimento e até conseguia dar sobrevida aos computadores e permitia manter as aulas nas salas – conta o diretor, que viu as atividades encerrarem no início de 2017, quando o profissional deixou de atuar e o dinheiro para aquisição de componentes ficou escasso.

Segundo Pertile, outra dificuldade era a velocidade baixa da internet e a frequente oscilação. Para tentar solucionar esse problema, a escola espera ser contemplada por um projeto do governo federal que visa melhorar a conectividade dos colégios e disponibiliza recurso financeiro para o pagamento de internet. Ainda assim, serão necessários computadores novos, o que, de acordo com o diretor, não há previsão do Estado para chegar e a unidade também não tem condições de adquirir.

– Não tem hoje como trabalhar uma escola sem ter área de tecnologia. É fundamental para toda a comunidade, facilitando o dia a dia do profissional de educação e oferecendo oportunidades para os alunos. Mas também não adianta que tenha aparelhos ali e não tenha internet de qualidade – frisa o gestor.

Na EEB Pedro II, no Centro, a realidade é similar. Durante o ano passado, a sala de informática foi utilizada apenas por uma turma que era contemplada com um projeto de programação externo. Fora eles, nenhum dos mais de 800 estudantes usou a sala. Este ano, a Associação de Pais e Professores investiu cerca de R$ 4 mil para recuperar os equipamentos e colocá-los em pleno funcionamento. Mas o problema ainda não está resolvido.

Gerência regional tem parceria com a Furb
Segundo o diretor Jadir Booz, sem o professor que existia anteriormente para dar suporte, os profissionais que atuam nas outras disciplinas acabam não levando os estudantes para a sala de computação por receio de danificar algum computador e até mesmo porque não têm conhecimento de como manuseá-los.

– A gente fica triste porque de repente a sala ficou inutilizada para os alunos – lamenta Booz, ao ressaltar que o espaço poderia auxiliar os estudantes até mesmo no contraturno escolar, mas, como não há um professor para acompanhar, isso não acontece.

O gerente regional de Educação, Eliomar Russi, afirma que para solucionar essa demanda foi criado no fim do ano passado o Espaço de Formação e Experimentação (EfeX), em parceria com a Furb. O espaço fica dentro da universidade. O objetivo é oferecer capacitação aos professores da rede estadual para que eles estejam aptos ao uso de tecnologias educacionais e ainda desenvolvam as competências necessárias para aprimorar o trabalho em sala de aula. De acordo com ele, até o momento uma turma passou por qualificação, compreendendo aproximadamente 25 professores de uma rede que tem 4 mil profissionais.

Russi reforça que, quanto à manutenção dos equipamentos, há uma licitação em vigor que permite a assistência técnica às escolas.

Computadores esquecidos no antigo laboratório de informática da escola Hermann Hamann, no bairro Fortaleza, em Blumenau
Foto: Jean Laurindo / Jornal de Santa Catarina

Dificuldades presentes em muitas escolas
Um levantamento feito pela reportagem do Santa e da NSC TV Blumenau apontou que esta não é uma realidade exclusiva das escolas Hermann Hamann e Pedro II. Das 31 unidades estaduais de Blumenau, apenas quatro não atenderam a reportagem. Entre as que foram ouvidas, sete informaram utilizar o espaço e não apontaram restrições. Uma das escolas consultadas funciona no mesmo prédio de um colégio municipal e afirmou utilizar a sala da escola da prefeitura. Outras 19 disseram não usar a sala informatizada como desejam.

A principal justificativa entre as que não estão usando os espaços plenamente é a má condição dos equipamentos e a falta de professores responsáveis. Os profissionais deixaram as escolas no ano passado, quando ficaram fora do edital lançado no fim de 2016 que contratou professores temporários para 2017 e 2018. Sem eles, muitos estudantes estão sem aulas nas salas de tecnologia.

CONTRAPONTO
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Educação informou que está comprando equipamentos para todas as escolas de Santa Catarina. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o processo está em fase de finalização para entrega às unidades e não há um prazo estipulado, pois uma das empresas concorrentes entrou com recurso.

Em nota, afirma que o governo estadual aderiu ao programa Educação Conectada, do Ministério da Educação, que tem como objetivo contribuir para a modernização da educação e a inclusão digital a partir do segundo semestre deste ano até 2024.

De acordo com a Secretaria, o programa tem três áreas de atuação: 1) apoiar a universalização do acesso à internet em alta velocidade; 2) formar professores, equipe gestora e articuladores para trabalharem com tecnologias digitais na educação básica e 3) fomentar o uso pedagógico de recursos digitais nas escolas. Conforme o documento, por meio da iniciativa, cada escola receberá um valor repassado diretamente pelo governo federal.

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