Volvo Ocean Race deixa legado de incentivo ao esporte náutico em Itajaí - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Regata15/04/2018 | 08h00Atualizada em 15/04/2018 | 14h36

Volvo Ocean Race deixa legado de incentivo ao esporte náutico em Itajaí

Etapa da Volvo Ocean Race em Itajaí impulsiona a prática esportiva, gera frutos e forma futuros atletas da vela

Volvo Ocean Race deixa legado de incentivo ao esporte náutico em Itajaí Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Crianças de escolinha de vela de Itajaí descobriram o esporte náutico por caminhos diferentes, hoje treinam e se inspiram pela Regata Volta ao Mundo Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

À beira da Baía Afonso Wippel, no Saco da Fazenda, em Itajaí, um cartaz dá boas-vindas aos velejadores e estampa um rosto que se destaca no imaginário daqueles que navegam por ali. Medalhista olímpica e primeira brasileira a participar da Volvo Ocean Race, Martine Grael está lá como uma atleta inalcançável, uma espécie de mito que parece distante nas fotos e vídeos. Apenas parece. O barco que a trouxe do outro lado do planeta está ancorado a poucos metros da baía e ela estará ali para continuar a viagem ao redor do mundo.

A etapa da Volvo Ocean Race em Itajaí torna real e próxima a magia das velas em mar aberto. Torna palpável o desejo de quem em algum momento da vida se perguntou como seria navegar pelos oceanos. Traz para perto pessoas que mostram que isso é possível e, assim, afunda barreiras.

Ao lado do cartaz com a foto de Martine, um grupo de crianças e adolescentes monta seus barcos, amarra as velas e parte para a baía em Itajaí onde velejam com o reflexo do sol na água e com a visão da Vila da Regata ao fundo. Navegam para tentar chegar lá.

Os braços e pernas finos parecem que não vão dar conta de controlar o barco, mas eles domam o vento e fazem a tarefa parecer fácil. São crianças que descobriram o esporte náutico por caminhos diferentes, mas que hoje treinam e se inspiram pela Regata Volta ao Mundo. 

São oito alunos da escolinha de vela da Associação Náutica de Itajaí (ANI) que vão participar do Volvo Ocean Race Youth Academy, projeto da regata que ocorre nas paradas ao redor do mundo para incentivar a vela nas próximas gerações de atletas. No dia 21, véspera da partida dos barcos da corrida para mais uma etapa, 32 crianças vão disputar a prova na baía. Cada uma em um barco da categoria Optimist, mas trabalhando em equipes de quatro pessoas que representam cada embarcação da regata oficial.

Velejando desde o começo do ano passado, a pequena Maria Eduarda Ciprano, 13 anos, sonha em estar em um dos grandes barcos da Volvo Ocean Race e ser uma futura Martine Grael. Aluna de uma escola pública de Itajaí, a menina não tinha nenhum contato com esportes náuticos até entrar no projeto Navegando pela Cidadania – parceria entre a ANI e a prefeitura de Itajaí que promove cursos gratuitos de vela e remo para crianças dos 10 aos 16 anos. Atualmente, são 288 alunos atendidos pelo projeto, que ensina o esporte e dá noções de cuidado com o meio ambiente, cidadania, cultura náutica e patriotismo.

– Quando comecei no projeto eu achei que ia errar tudo, mas aí fui criando gosto. Fui correndo atrás dos meus objetivos e alcancei até agora. Antes eu nem sabia que tinha essas aulas aqui. Agora quero continuar e ser uma grande velejadora – conta a menina que, decidida, já pergunta aos pais quando vai poder rodar o mundo de barco.

 Itajaí - SC - Brasil - 12042018 - Alunos da Associação Nautica de Itajaí, a ANI, se preparam para regata infaltil promovida pela Volvo Ocean Race, regata volta ao mundo que passa por Itajaí. Cases: alunos, João Henrique Bergman( com boné azul), Maria Eduarda Cipriano (com laço na cabeça), Luísa Metzer (loira) e Raisa Maria Ribeiro(camisa azul claro), instrutora de vela Carolina Copello.
Maria Eduarda Ciprano, 13 anosFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Escolinha oferece aulas gratuitas às crianças
Maria Eduarda se destacou no projeto e entrou na escolinha de vela da associação, que hoje tem 10 crianças que treinam gratuitamente e já competem sozinhas. Ao lado dela está João Henrique Bergan, 11 anos e capitão do próprio barco desde que começou a frequentar a ANI, em agosto do ano passado.

Inspirado pelas histórias do avô – que contava sobre o catamarã da família – e pelo apoio dos pais, o garoto se apaixonou pela vela e chega a dar pulos de alegria ao falar sobre a ansiedade para a regata da Volvo Academy.

 Itajaí - SC - Brasil - 12042018 - Alunos da Associação Nautica de Itajaí, a ANI, se preparam para regata infaltil promovida pela Volvo Ocean Race, regata volta ao mundo que passa por Itajaí. Cases: alunos, João Henrique Bergman( com boné azul), Maria Eduarda Cipriano (com laço na cabeça), Luísa Metzer (loira) e Raisa Maria Ribeiro(camisa azul claro), instrutora de vela Carolina Copello.
João Henrique Bergan, 11 anosFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

– Eu tô com medo, mas muito feliz pela oportunidade. É mágico que a Volvo está aqui, na nossa cidade. Tantos lugares no Brasil e está aqui!

Paixão nascida em família e alimentada pela regata

Treinando junto de Maria Eduarda e João está Luísa Metzner, 13 anos, e já uma experiente participante da Volvo Ocean Race. Na última passagem da regata por Itajaí, em 2015, a jovem moradora da cidade entrou em uma seleção nas escolas municipais para participar da academia promovida pelo evento. Sem saber nada sobre vela, ela começou a fazer as aulas, competiu e seguiu na escola.

Atualmente, ela é um dos destaques da turma e vai participar pela segunda vez da regata, agora cheia de paixão pelo universo náutico e com os participantes da corrida pelos mares como ídolos. O pai de Luísa, Fausto, vê nela o gosto pelo mar que vem da família: o bisavô da garota foi combatente da Marinha e o avô, trabalhador na dragagem em Itajaí. No barco da família, hoje a menina leva os pais e irmãos para passear pelas águas.

 Itajaí - SC - Brasil - 12042018 - Alunos da Associação Nautica de Itajaí, a ANI, se preparam para regata infaltil promovida pela Volvo Ocean Race, regata volta ao mundo que passa por Itajaí. Cases: alunos, João Henrique Bergman( com boné azul), Maria Eduarda Cipriano (com laço na cabeça), Luísa Metzer (loira) e Raisa Maria Ribeiro(camisa azul claro), instrutora de vela Carolina Copello.
Ex-aluna da academia de vela da Volvo, Carolina Copello, 20 anos, é uma das instrutoras voluntária dos alunos que se preparam para a edição de 2018Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

E o mar traz mais histórias nos arredores do Saco da Fazenda. Antes de Luísa, na primeira vez da Volvo Ocean Race em Itajaí, em 2012, a equipe de alunos da cidade venceu a regata da Youth Academy. Naquele grupo estava Carolina Copello, hoje com 20 anos e instrutora voluntária dos alunos que se preparam para a edição de 2018. Com a paixão náutica na família, a jovem dá aulas quatro vezes por semana para as oito crianças que vão participar da regata. Ali, vê a chance de incentivar uma nova geração que pode seguir a vida da vela no alto rendimento graças ao exemplo da regata e de atletas inspiradores, como Martine ou as mulheres do Team SCA – barco que participou da Volvo em 2015 somente com velejadoras.

Evento deixa herança importante para o Vale do Itajaí

A Associação Náutica de Itajaí (ANI) já existia, mas foi somente após a regata de 2012 – a primeira a parar em Itajaí – que, por meio do projeto Youth Academy, a vela como esporte passou a ser ensinada na ANI. Foi graças ao evento que a prefeitura comprou os primeiros veleiros Optimist (modelo conhecido como “escola da vela”), que os alunos usam e deu força aos projetos que hoje lançam atletas do esporte e também, tão importante quanto o alto rendimento, levam a cultura náutica a crianças que de outra forma não teriam contato com os barcos. Tudo é gratuito para os alunos e mantido por repasses do poder público e patrocínio da Lei de Incentivo ao Esporte. Atualmente, a associação atende cerca de 300 crianças.

E se para o público em geral já é impactante ver a Vila da Regata e a chegada dos barcos que rodam o mundo, para os jovens que diariamente aprendem a velejar ali ao lado, o momento é fantástico. Diretora Náutica Local da Volvo em Itajaí, Lorena Kreuger conta que o dia de atividades do Academy fica marcado na memória de todos:

– Acredito que poucas coisas são tão impactantes para uma criança. Saber que os gigantes da vela estão parando no nosso quintal e que essas crianças vão estar junto, é meio mágico até. Vai incentivar o sonho, investir na ideia de velejar. Traz para a realidade. Mostra que a gente pode chegar lá.

 Itajaí - SC - Brasil - 12042018 - Alunos da Associação Nautica de Itajaí, a ANI, se preparam para regata infaltil promovida pela Volvo Ocean Race, regata volta ao mundo que passa por Itajaí. Cases: alunos, João Henrique Bergman( com boné azul), Maria Eduarda Cipriano (com laço na cabeça), Luísa Metzer (loira) e Raisa Maria Ribeiro(camisa azul claro), instrutora de vela Carolina Copello.
Atualmente, Associação Náutica de Itajaí atende cerca de 300 criançasFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Regada representa Volta às origens para Itajaí
A presença da maior regata do mundo em Itajaí também ajudou a reacender um traço histórico da cidade: os tradicionais clubes de regatas. Hoje mais conhecidos pelas equipes de futebol, Marcílio Dias e Almirante Barroso nasceram como clubes de remo que com o tempo foram trocados pelos gramados. Com os esportes náuticos em alta por causa da regata, o interesse da comunidade pelos barcos cresceu e mais escolas surgiram.

No Marcílio Dias a modalidade ficou parada por mais de 50 anos e foi retomada no mês passado. Uma cerimônia no dia 24 de março reabriu a escolinha de remo do clube. A ideia inicial é trazer o esporte para os jovens da comunidade e recuperar a modalidade aos poucos, até formar novas equipes para competições estaduais e nacionais. Segundo o clube, as aulas de remo são gratuitas e estão com vagas abertas para jovens entre 13 e 16 anos.

– Há uma relação direta com as atividades náuticas e a vocação da cidade de Itajaí para tal. Acaba também sendo um legado importante da Volvo Ocean Race e de todas as atividades que Itajaí propicia nesse sentido – avalia o presidente do Marcílio Dias, Lucas Brunet.


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