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Mobilidade02/05/2018 | 22h11Atualizada em 02/05/2018 | 22h11

Ciclovias distantes da realidade dos moradores da Itoupavazinha, em Blumenau

Falta de acabamento no asfalto onde deveria haver ciclovia tem causado danos em parte de passeios já concluídos no bairro 

Ciclovias distantes da realidade dos moradores da Itoupavazinha, em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Moradores sofrem com problemas em calçada e ciclovias com obras iniciadas em 2015 e paradas há mais de um ano Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Era para ser uma calçada com ciclovia que garantisse espaço seguro para pedestres e ciclistas na Rua Frederico Jensen, no bairro Itoupavazinha. No entanto, as obras iniciadas em 2015 estão paradas há mais de um ano. Parte do trecho de 2,3 mil metros, entre as ruas Ari Barroso e Jacob Ineichen, ainda não recebeu passeios e toda a extensão ainda está sem as esperadas ciclovias.

Em alguns trechos onde a nova calçada já foi executada a falta de acabamento em uma faixa de aproximadamente um metro entre o asfalto e o meio-fio tem causado estragos em parte dos passeios públicos recém-construídos. A região mais crítica fica em uma descida próximo ao Clube de Caça e Tiro Itoupavazinha, onde parte das lajotas pavers e até o asfalto da pista para carros já cederam. Ao longo da rua é possível ver outros pontos em que o acabamento no asfalto ficou para depois.

O morador Tito Koszenieski conta que quando chove o buraco formado pela falta de asfaltamento rente ao meio-fio é coberto por água, o que provoca pressão sobre a nova calçada e o asfalto. Na semana passada, um cone foi colocado pela prefeitura para sinalizar um dos buracos. Em função do problema, moradores cobram pelo menos uma obra paliativa para conter os estragos enquanto a construção das calçadas e ciclovias não recomeça.

– Quando começou a obra nos disseram que havia verba garantida, depois nos disseram que a ciclovia só seria feita depois da recuperação da pista. Tudo isso a gente até entende. O que não dá para entender é ficar assim jogado, danificando o que já foi feito e também causando perigo a quem passa por aqui a pé, debicicleta ou de moto – reivindica o morador.

Leonora Jucira Morastoni, 44, passa uma vez por semana no local e defende um lugar com mais segurança para pedestres e ciclistas, além de que a obra seja feita para durar. Selmiro Franz, 68, também engrossa o coro dos moradores cobrando a conclusão dos trabalhos:

– É um perigo e vai piorando à medida que chove – opina.

O problema das novas calçadas e ciclovias no bairro Itoupavazinha não vem de hoje. O secretário de Infraestrutura de Blumenau, Régis Evaloir da Silva, explica que a obra parou porque, se continuasse sendo executada como no projeto, a altura dos meios-fios poderia prejudicar moradores e comerciantes que possuem vagas de estacionamento próximas.

Projeto passa por mudanças 

Segundo o secretário, outros projetos de mobilidade são afetados. Para corrigir o problema e permitir a retomada das obras, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano elaborou alterações no Código de Circulação, que determina normas para a elaboração de passeios e ciclovias na cidade. Algumas das principais alterações são a possibilidade de os proprietários rebaixarem o meio-

fio em até 75% da área da testada do terreno, ao invés dos 50% da legislação atual, e também mais facilidade para estabelecimentos comerciais rebaixarem até 10 metros seguidos de meio-fio. As modificações, porém, precisam ser aprovadas na Câmara de Vereadores.

Conforme o secretário Ivo Bachmann Júnior, um projeto de lei concluído na semana passada foi encaminhado ao Legislativo. Se aprovado, o setor de Planejamento fará os ajustes também no projeto específico da Itoupavazinha. Estes precisarão de aval da Caixa Federal, que financia a obra pelo programa PAC 2 Mobilidade.

A previsão é de que o aval para essas alterações no projeto e no Código de Circulação leve pelo menos 60 dias. Superados esses pontos, nada mais impede a sequência das obras. De acordo com o secretário Régis Evaloir da Silva, há dinheiro disponível para a sequência da obra.

Silva afirma ainda que o fato de o contrato com a empresa responsável estar suspenso enquanto as alterações no projeto não são aprovadas impede que a responsável pelas obras seja acionada apenas para consertar os trechos de calçada que estão sendo danificados nos pontos indicados pelos moradores. Isso deve ser feito quando a obra for retomada. Um engenheiro da Secretaria de Infraestrutura ouvido pela reportagem alegou que o trecho de asfalto junto ao meio-fio não foi finalizado porque haveria problemas entre o projeto e a localização de caixas da atual rede de esgoto. A ideia é que a alteração no projeto resolva também essa dificuldade.

Ciclovias e passeios
Confira a seguir como está o andamento das obras contempladas pelo projeto nos bairros Itoupavazinha e Itoupava Central:
Frederico Jensen 2,3 mil metros 76,27%  - R$ 1,5 milhão
Ari Barroso 720 metros 27,13% - R$ 215,9 mil
Jacob Ineichen 1,2 mil metros 78,16% - R$ 935,9 mil
Gustavo Zimmermann (ciclofaixa) 4,3 mil metros 79,91% - R$ 1,8 milhão
Guilherme Scharf (passeio compartilhado) 560 metros 71,07% - R$ 344,7 mil

* Valor inicial do contrato. Como deve haver alterações no projeto, a tendência é que as obras recebam aditivos

Ciclovias em Blumenau 

Atualmente, Blumenau conta com 9,6 quilômetros de ciclovias, 56,6 quilômetros de trechos com ciclofaixas e 12,6 quilômetros de vias com passeios compartilhados, totalizando 78,9 quilômetros de áreas para bicicletas.

 A intenção da prefeitura é que, em longo prazo, esse número chegue a 155 quilômetros em toda a cidade. Na Itoupavazinha, as obras somam nove quilômetros, entre ciclovias, ciclofaixas e passeio compartilhado.

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