No Dia Mundial sem Tabaco, pacientes contam os desafios de se livrar do vício de fumar - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Saúde31/05/2018 | 07h00Atualizada em 31/05/2018 | 09h14

No Dia Mundial sem Tabaco, pacientes contam os desafios de se livrar do vício de fumar

OMS aponta o tabagismo como principal causador de mortes evitáveis no mundo. Grupos de apoio têm papel fundamental na mudança de hábitos

No Dia Mundial sem Tabaco, pacientes contam os desafios de se livrar do vício de fumar Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
O cigarro é responsável por mais de 73 mil novos casos de câncer registrados no Brasil, em 2015. Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Quem vê Aleir Claudino Martins, 54 anos, com um cigarro na mão pode nem imaginar a batalha que ele trava diariamente contra o vício considerado o principal causador de mortes evitáveis no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O processo para abandonar o hábito que o acompanha desde os 14 anos começou em setembro do ano passado, depois de um susto com o diagnóstico de tuberculose. A doença agravou sintomas que o aposentado já sofria há tempos, como cansaço e falta de ar. Para se livrar do cigarro, ele sabia que não seria possível sozinho e encontrou em um grupo de combate ao tabagismo na unidade de saúde próxima de casa o apoio necessário.

– Não é fácil. Me revoltava comigo mesmo por não conseguir – conta Martins.

A afirmação pode parecer estranha considerando que ele ainda fuma, mas cada conquista é celebrada. Antes do início do processo para deixar o tabaco, o morador do bairro Escola Agrícola fumava até três carteiras por dia. Atualmente, são, no máximo, dois cigarros. A jornada segue nos encontros mensais do grupo, em que recebe assistência profissional.

– Só faltei uma vez porque tinha médico. Vou sempre, sei que é importante. Quanto antes deixar do vício melhor – afirma.

Quem se livrou do cigarro, comemora. Liberaldina Longhi, 67 anos, hoje faz tranquilamente tarefas que antes eram complicadas, como carregar sacolas e subir o morro de casa. A senhora que passou 54 anos tendo o cigarro como companhia lembra bem do dia em que decidiu abandonar o vício.

– Levantei, tomei meu café e fui fumar. Quando peguei aquele cigarro na mão, pensei: eu não quero mais essa porcaria, vou jogar fora – relembra.

Daquele momento em diante, a pensionista buscou apoio no mesmo grupo que Martins frequenta. Ela teve alta e festeja os 10 meses que pode ir tranquilamente à casa do irmão, que se incomodava com o cheiro do cigarro. Além disso, agora os quase R$ 400 gastos mensalmente com o tabaco se transformaram em roupas e sapatos novos para ela, a neta e o filho.

– É um vício desgraçado. A gente só queima dinheiro e prejudica a saúde – fala animada.

Dependência é química e psicológica
A médica que coordena o trabalho de combate ao tabagismo no Ambulatório Geral da Escola Agrícola, Giovana Merini Franceschi, explica que a dificuldade de superar o vício está atrelada à dependência química e psicológica. No primeiro caso, a intervenção com medicamento é eficiente, mas quando o uso do tabaco serve de fuga para algum problema, é necessário um trabalho especializado.

 Blumenau - SC - Brasil - 30052018 - Campanha contra tabagismo.
Média diz que o sucesso no tratamento está na motivação para deixar o tabaco, que deve ser pessoalFoto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Giovana conta que a maioria dos integrantes procura o grupo após recomendação médica, quando já houve diagnóstico de outra doença, geralmente pulmonares. Dados do Ministério da Saúde apontam o cigarro como responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. Destes, 85% são de doenças pulmonares.

Com três anos de experiência na atuação com os dependentes, ela reforça que a chave do sucesso no tratamento é a motivação para deixar o tabaco, que deve ser pessoal, fruto da consciência do quão prejudicial é o hábito. A médica pontua ainda dois tópicos fundamentais nesse processo:

– Ter apoio familiar é importante, pois é um vício e esse paciente passa pela abstinência, então as pessoas que estão ao redor precisam entender essa fase – reforça Giovana, ao frisar os sintomas que podem surgir, como irritação e ansiedade.

A assistente social Marianne Ewald, que também integra o grupo de apoio, explica que o tratamento passa por várias fases. 

Na primeira delas, os pacientes são avaliados quanto ao grau de dependência e a necessidade de medicamentos. Só depois começam os encontros. O trabalho leva cerca de um ano.

– Eles trocam experiências e informações sobre como vencer o vício. Também são medicados e quem precisa de apoio psicológico recebe encaminhamento – detalha Marianne sobre as ferramentas utilizadas no combate àquele que é responsável por mais de 73 mil novos casos de câncer registrados no Brasil em 2015.

Confira quais são os benefícios de largar o cigarro:
- Normalização da pressão arterial após 20 minutos
- Queda de 50% dos níveis de nicotina e monóxido de carbono no sangue, com normalização da oxigenação do sangue após 8 horas
- Melhora do olfato e paladar após 48 horas
- Melhora da capacidade de andar e correr após 2 a 12 semanas
- Redução do risco de derrame e de infarto semelhante do de quem nunca fumou após 5 a 15 anos

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