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Saúde27/06/2018 | 06h50Atualizada em 28/06/2018 | 16h24

Baixa adesão de gestantes à vacina contra a gripe preocupa autoridades em Blumenau

De acordo com a Vigilância Epidemiológica, notícias falsas sobre os efeitos tem atrapalhado a campanha de vacinação

Baixa adesão de gestantes à vacina contra a gripe preocupa autoridades em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
A gerente de loja Meriane Carls está com sete meses de gestação e tomou a vacina Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

A campanha nacional de vacinação contra a gripe terminou, mas os Ambulatórios Gerais e postos de saúde de Blumenau seguem vacinando gratuitamente com as vacinas restantes. Com foco especial para os grupos prioritários, que não atingiram a meta, que é de 90% do público-alvo. A dose protege contra os vírus A (H1N1 e H3N2) e B.

Segundo dados da Vigilância Epidemiológica do município, até o momento 2.290 gestantes foram imunizadas no município. O número está aquém da meta (representa 69,3% do público-alvo) e preocupa a coordenadora de Imunização do município, Bruna Carla Storck.

A coordenadora relata que boatos relacionados à vacina e ao vírus tem se propagado e causando a baixa adesão. Segundo ela, os mais absurdos possíveis são espalhados, como por exemplo, que pode causar má-formação da criança. Storck diz que a população não entende a formulação e gera esse desserviço, atrapalhando as estratégias de campanha de vacinação.

— Acreditamos que as fake news que estão circulando, são coisas que se propagam muito rápido e acabam afastando este público. Infelizmente as pessoas não estão checando a fonte e acreditando na informação. Além disso, falta reforço na orientação sobre os benefícios da vacina para a gestante e o bebê — aponta Bruna.

Para o especialista em comunicação digital, Fábio Ricardo, a propagação de notícias falsas são comuns em países emergentes, como o Brasil. As pessoas acabam confiando mais no que dizem os familiares e vizinhos e não checam as fontes.

— Existe certo movimento de não confiar no que a mídia diz, que as pessoas estão sendo manipulados, além das teorias da conspiração. Essas notícias falsas sobre a vacinação é um exemplo muito claro, que por algum medo que surge naturalmente, as pessoas possuem a preocupação e começam a divulgar. Um achismo acaba virando certeza e atinge muitas pessoas, pela velocidade da propagação via aplicativo de mensagens instantâneas — afirma o especialista.

Trabalho em conjunto com os médicos
A gerente de loja Meriane Carls está com sete meses de gestação e tomou a vacina. Ela conta que algumas pessoas falaram para ela não tomar, pois causaria algum mal para ela e o bebê. Mas ela procurou orientação da médica que acompanha a gravidez e foi informada dos benefícios de imunizar ela e a criança.

— Na metade do mês de maio, tomei a vacina contra a gripe e não tive nenhuma reação. Tudo foi muito tranquilo e com isso garanti a minha proteção e a do meu bebê — conta a futura mamãe de 26 anos.

A indicação médica de vacina contra a gripe para gestantes, que o Ministério da Saúde aconselha está correta, avalia o pediatra Mario Celso Schmitt. Para o médico, a mulher ao tomar a dose previne às complicações inerentes a gripe, mas é importante ressaltar que a gestante também necessita fazer as outras, como de tétano e coqueluche.

— Essas vacinas vão proteger o recém-nascido no momento do nascimento dele. Junto a isso, o combate contra a gripe está também na higienização das mãos e da tosse — reforça o profissional. A vacina protege contra três tipos de vírus que circulam no Brasil: H3N2, H1N1 e influenza B.

A Vigilância Epidemiológica de Blumenau está trabalhando para reforçar a informação sobre os benefícios e necessidade de imunização deste grupo prioritário. Todas as unidades de saúde receberam dados para verificar quais gestantes são atendidas, assim fazem uma busca com os agentes comunitários, para chamar as pessoas para receberem a dose da vacina.

— Falta ainda reforçar a informação, que a gestante e o bebê não correm risco, muito pelo contrário, está passando imunidade. Acreditamos que é necessário um trabalho em conjunto com os médicos de convênios, particulares e da rede municipal, com o intuito de reforçar a necessidade da imunização — avalia Bruna Storck.

O pediatra Mario Celso Schmitt alerta que a população já não sabe mais o que é sarampo, meningite e relaxa com relação à imunização para essas doenças.

—Mesmo que ela esteja erradicada no país é importante que a população continue tomando vacina, pois a doença pode voltar e é preciso estar preparado e imunizado — completa o médico.

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