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Economia05/06/2018 | 09h08Atualizada em 05/06/2018 | 09h08

Gasolina e etanol sobem de preço após greve dos caminhoneiros em Blumenau

Redução do diesel está abaixo do esperado até agora, segundo levantamento. Abastecimento ainda não foi normalizado

Gasolina e etanol sobem de preço após greve dos caminhoneiros em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Entre os postos que ainda tinham estoque, o preço médio da gasolina é 3,4% maior do que a média registrada pela ANP Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

O preço dos combustíveis virou o principal assunto do país nas últimas duas semanas, desde que os caminhoneiros decidiram fazer paralisações contra o alto preço do diesel e acenderam o debate sobre a política do setor. Em Blumenau, os postos começaram a receber novas cargas no feriado prolongado da última semana.

Passada a euforia de abastecer novamente os veículos, as atenções se voltam para os preços nas bombas. Em Blumenau, os três principais combustíveis têm cenários distintos neste início de reabastecimento.

A reportagem do Santa fez um levantamento nesta segunda-feira com 20 postos de gasolina de Blumenau e comparou os preços cobrados com os valores levantados nesses mesmos estabelecimentos na última pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), no dia 21 de maio, quando os caminhoneiros começaram os primeiros atos da paralisação que durou 11 dias.

Para os consumidores, a preocupação por enquanto ainda está em garantir o abastecimento. Antônio Marcos dos Santos teve que deixar o carro sem gasolina perto de casa durante os últimos dias de greve. Conseguiu voltar a rodar depois que os postos receberam as primeiras cargas e, na tarde de segunda-feira, pôde abastecer no Centro de Blumenau a um preço próximo do que pagava antes das manifestações.

Alexsandro Mendes, 32 anos, aproveitou uma ida ao Centro de Blumenau na tarde desta segunda-feira para abastecer. Ele estava com o tanque do carro cheio e conseguiu rodar durante a paralisação. Segunda-feira, parou em um posto e esperou cerca de 10 minutos até que o caminhão-tanque chegasse para abastecer o posto com gasolina comum, vendida a R$ 4,29. Para ele, o preço está em um valor próximo do que estava sendo cobrado antes da greve, sem grandes diferenças.

– É o preço que a gente vai ter que pagar. Não tem como questionar mais isso. Temos que questionar a roubalheira que existe em nosso país, nos manifestarmos na eleição – defende Mendes.

Foto:

A SITUAÇÃO DE CADA TIPO DE COMBUSTÍVEL EM BLUMENAU
Gasolina mais cara

O abastecimento do combustível mais consumido ainda não está totalmente normalizado em Blumenau. Dos 20 postos consultados pela reportagem segunda-feira até as 17h, seis não tinham gasolina e informavam a previsão de receber novos carregamentos até a noite de segunda-feira. Entre os 14 postos que ainda tinham estoque, o preço médio da gasolina era  R$ 4,26. O valor é 3,4% maior do que a média de R$ 4,12, registrada pela ANP na pesquisa anterior à greve. O valor mais baixo no levantamento de segunda-feira era R$ 4,17, em dois postos da Itoupava Norte, e o maior era R$ 4,39 em Ponta Aguda.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Blumenau (Sinpeb), Júlio César Zimmermann, a gasolina se manteve próxima dos preços que já eram cobrados antes da greve. Ele evita falar em preços individualmente e frisa que o mercado é livre para praticar os preços, mas arrisca dizer que o que pode explicar o aumento percebido no levantamento da reportagem é a alta de R$ 0,05 anunciada pela Petrobras no sábado, mais um dos acréscimos previstos pela política de preços em vigor na estatal.

Etanol em falta
Nesta segunda-feira, cinco dias após o fim da greve dos caminhoneiros, o etanol ainda estava quase em situação de desabastecimento em Blumenau. Dos 12 postos que integram a pesquisa da ANP sobre etanol e que foram consultados pela reportagem na segunda-feira, apenas dois tinham o combustível em estoque. Com a escassez, o preço cobrado na cidade ficou acima do registrado pela agência na pesquisa do dia 21 de maio. O preço médio na segunda-feira era de R$ 3,59, 8,8% a mais do que o levantamento da ANP.

O presidente do sindicato explica que, enquanto a gasolina é bombeada por duto de Araucária (PR) até a base da distribuidora em Itajaí, o etanol vem de caminhão de Estados produtores como Paraná e São Paulo, o que pode explicar a demora para os postos conseguirem novas cargas do combustível. Sobre o preço maior do etanol praticado por quem ainda tem o combustível, a explicação é mais complexa. A safra da cana de açúcar, que dá origem ao etanol, ocorre de abril a outubro. Zimmermann afirma que o preço do etanol sempre baixou neste período. Este ano, no entanto, isso não ocorre. Segundo ele, isso pode ser explicado porque as usinas estariam tentando acompanhar a gasolina, que também vem aumentando.

– Na safra, o preço do etanol sempre cai. A primeira vez que vejo subir na safra foi agora. Em Estados produtores como São Paulo e Paraná acaba valendo a pena, aqui não costuma valer – avalia o dirigente, que acredita em uma normalização no combustível entre 15 e 20 dias.

Diesel começa a cair
Quem precisa de diesel também ainda tem dificuldade de encontrar o combustível em alguns postos. Dos 10 postos que compõem a lista de diesel da ANP, apenas cinco tinham o diesel comum na segunda-feira até as 17h. 

O diesel foi o único combustível que teve efetivamente uma redução anunciada pelo governo federal durante a greve dos caminhoneiros. Essa redução começa a ser vista nas bombas de Blumenau. O preço médio do diesel comum na segunda-feira nos cinco postos era de R$ 3,40, 7,8% a menos do que o valor médio antes da greve, que era de R$ 3,69. A diferença de R$ 0,29, no entanto, ainda está abaixo dos R$ 0,46 de desconto que a União prometeu aos consumidores no acordo que pôs fim à greve. A expectativa dos postos que não tinham estoque de diesel na segunda-feira é de que o valor menor seja aplicado quando as novas cargas do combustível, compradas a preços menores das distribuidoras, chegarem aos reservatórios dos estabelecimentos.

O presidente do Sinpeb afirma que a redução no valor médio é reflexo do congelamento do preço do diesel anunciado pelo governo federal. Ao longo desta semana, quando mais postos receberem o combustível, a diferença deve se aproximar do anunciado. Na avaliação de Zimmermann, postos que conseguiram comprar diesel pagaram o valor novo, com redução de R$ 0,41. Outros R$ 0,05 dependeriam de uma redução na pauta do ICMS, imposto estadual. Donos de postos têm a expectativa de que isso possa ocorrer até o dia 15, completando a diferença de R$ 0,46 no litro do diesel, que se aplica tanto ao comum quanto ao aditivado (S-10).

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