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Prevenção de desastres05/06/2018 | 21h54Atualizada em 06/06/2018 | 07h00

Técnicos do Japão explicam em Blumenau funcionamento de estrutura que ameniza impactos de deslizamentos

Técnicos do Japão explicam em Blumenau funcionamento de estrutura que ameniza impactos de deslizamentos Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Chamada Sabo, técnica consiste em uma obra que busca conter o fluxo de detritos e não necessariamente de encostas Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Até pouco tempo atrás, a preocupação dos blumenauenses resumia-se ao nível do Rio Itajaí-Açu e ribeirões. As grandes enchentes da década de 1980 e a tragédia da Rua Belo Horizonte, em 1990, foram fatos que afloraram o trauma da população em relação à força das águas nos últimos anos. Em 2008, porém, outra preocupação veio à tona: os deslizamentos. O receio, então, passou a fazer parte não apenas para aqueles que moram em áreas muito baixas, mas também aos que vivem nas regiões mais altas do município.

E para apresentar à cidade novas tecnologias de prevenção a esse tipo de desastre uma equipe do Japão – país onde se localizam cinco das 10 cidades mais ameaçadas por fenômenos do gênero no mundo, conforme estudo feito por uma empresa suíça – esteve em Blumenau nesta terça-feira. O objetivo da visita do governo japonês, por meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), foi mostrar a técnicos da Defesa Civil da região e a professores de universidades uma estrutura chamada Sabo. A técnica é pouco usada no ocidente e consiste em uma obra que busca conter o fluxo de detritos e não necessariamente de encostas, como já ocorre na região.

O evento ocorreu na Escola Técnica de Saúde (Etsus) e contou com a presença de especialistas do programa.
– Essas barragens contêm o fluxo de detritos, o que não é a mesma coisa que deslizamentos de encostas. Esse fluxo é um fenômeno muito mais devastador e com potencial energético destrutivo maior. Quando ele acontece, causa uma calamidade pública. No Brasil só existe uma barragem Sabo construída pela Petrobras na década de 1990, na refinaria de Cubatão (em São Paulo), mas não houve transferência de tecnologia na época – explica Daniela Satie Maekawa, coordenadora de projetos do Jica.

Implantado em diversos lugares no Japão e com estruturas no Nepal, Indonésia e até na Venezuela, o Sabo – embora embrionário no Sul do Brasil – começa a ser melhor debatido. Em Blumenau, por exemplo, há o estudo para a instalação de uma barragem com essas características na Fortaleza Alta, com a intenção de amenizar o impacto de desastres naturais. Para tirá-lo da teoria, porém, ainda faltam recursos e estudos mais aprofundados.

– Não é algo barato, depende de um investimento que hoje nem é possível estimar. É algo que se estiver dentro da realidade pode até ser financiado e ter parte paga pelo próprio governo japonês. Essa é a primeira vez que se debate esse assunto com mais intensidade no Estado para expandir o conhecimento sobre o Sabo. Se for implantado por aqui, seremos modelo para a prevenção de desastres no Brasil – conta Adriano da Cunha, secretário interino de Defesa do Cidadão e diretor de Defesa Civil.

Países parceiros em projetos
O seminário que ocorreu nesta terça-feira em Blumenau não reuniu somente técnicos, mas também uma empresa japonesa especializada na construção desse tipo de barragem. Conforme Takaaki Kato, engenheiro de primeira classe em gerenciamento de obras na empresa, além de o Brasil ser parceiro em projetos de prevenção de desastre, a topografia do Vale é semelhante à do Japão, o que facilita a adaptação de projetos.

O que é fluxo de detritos?
É um fenômeno natural que ocorre por conta da vazão brusca do cascalho e sedimentos que formam as colinas e os leitos dos rios. Por conta das chuvas, esse material se mistura na água e é capaz de, em instantes, destruir centenas de casas.

Como funciona uma barragem Sabo?
É formada por uma estrutura de armação por tubos de aço e retém apenas os seixos (fragmento de mineral ou de rocha), detritos e troncos de madeira. Pelo fato de permitir a passagem da água, retém com eficiência apenas os detritos, sendo que em situações normais fornece também o fluxo de sedimentos a jusante (abaixo do barramento), evitando, assim, a ocorrência de problemas ambientais como a remoção do leito do rio e a erosão costeira. 

A obra ainda reduz os danos diretos às pessoas, bens e infraestruturas públicas, trazendo benefícios econômicos; causa ruptura da chamada cadeia de reações negativas devido aos danos ocorridos; e cria uma área residencial segura graças à prevenção de desastres na área de expansão urbana.

Fonte: Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica)

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