Mais de 130 mil pessoas moram em áreas de risco no Vale do Itajaí - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Estudo inédito14/07/2018 | 10h32Atualizada em 14/07/2018 | 12h00

Mais de 130 mil pessoas moram em áreas de risco no Vale do Itajaí

Levantamento analisou áreas de risco em 872 cidades do Brasil e colocou Blumenau na 17ª posição do ranking

Mais de 130 mil pessoas moram em áreas de risco no Vale do Itajaí Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Região da Rua Araranguá, no Garcia, é um dos locais mapeados pela Defesa Civil da cidade Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

A maior tragédia climática que deixou marcas em Santa Catarina e, especialmente, no Vale do Itajaí, completa 10 anos em novembro deste ano. O fim de 2008 mudou a história de cidades na região com a chuva forte e danos consequentes: deslizamentos de terra e cheias nos rios e ribeirões. A partir daquele ano, o Estado e os municípios mudaram a maneira de ver áreas de risco e de analisar o solo catarinense. A base da situação, no entanto, segue como uma realidade na maioria dos municípios: o uso irregular do solo.

Um novo levantamento nacional divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) analisou áreas de risco em 872 cidades do Brasil e colocou Blumenau no topo do ranking. A cidade lidera na região Sul a lista de municípios com mais pessoas em áreas sujeitas a desastres naturais e fica na 17ª posição em nível nacional.

Os dados são de 2010, mas foram computados e divulgados só agora, e revelam que na época 25% dos moradores de Blumenau viviam em locais com risco de deslizamentos, alagamentos ou outros desastres naturais. O percentual representa 78,3 mil pessoas das 309 mil que moravam em Blumenau em 2010, conforme o Censo. Em nível nacional, Salvador era o município no topo da lista, com mais de 1,2 milhão de pessoas em áreas de risco.

De acordo com o levantamento, na época a população em áreas de risco nos 872 municípios brasileiros monitorados pelo Cemaden chegava a 8.270.127 habitantes em 2.471.349 domicílios. Cerca de 17,8% das pessoas que viviam nas áreas de risco desses municípios eram idosos ou crianças, os grupos etários mais vulneráveis. Os números – que devem ser atualizados no Censo de 2020 – devem subsidiar ações de monitoramento e alertas nas regiões mapeadas. Por mais que sejam referentes a oito anos atrás, são a base completa oficial mais recente que abrange uma grande fatia de cidades brasileiras.

Na região Sul, Blumenau é seguida no ranking por Pelotas (RS) e Criciúma. Entre as 50 cidades dos três Estados com mais moradores de áreas de risco, nove ficam no Vale do Itajaí: Blumenau, Gaspar, Itajaí, Brusque, Ilhota, Taió, Pomerode, Timbó e Presidente Getúlio. Somados, os municípios tinham mais de 130 mil pessoas em áreas de risco em 40,5 mil domicílios.

Foto:

Cidades receberam mapas da defesa civil
Os nove municípios do Vale do Itajaí em destaque na pesquisa do IBGE estão na lista de cidades de Santa Catarina que receberam nos últimos meses os dados da setorização de risco, um estudo feito pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) através de convênio com a Defesa Civil do Estado. Os materiais trazem mapas e limites de setores com vulnerabilidade, e tornam Santa Catarina o primeiro e único Estado do país 100% mapeado em questões geológicas.

– A setorização identifica, delimita e qualifica as áreas com risco alto e muito alto de cheias ou deslizamentos de terra. Ela é o primeiro passo para que os municípios conheçam o risco e possam aprofundar o estudo e tomar atitudes para reduzir os riscos com medidas estruturais (obras) e capacitação dos moradores. Nem sempre é possível acabar com o risco, mas o poder público pode tentar tornar ele um risco aceitável – explica a diretora de minimização de desastres da Defesa Civil de Santa Catarina, Caroline Margarida.

Segundo a Secretaria de Estado da Defesa Civil, até dezembro deste ano todos os municípios catarinenses devem ter unidades de Defesa Civil criadas e operando, cada uma com planos de contingência, de ação coordenadas, identificação de limiares críticos e planos de alerta, alarme e evacuação.

Pequenas ações de moradores podem reduzir riscos
Para áreas de risco que ainda não são ocupadas, o poder público tem a capacidade de impedir obras de novas residências, mas depende da ajuda da população na fiscalização. Caso alguém veja uma construção em área não permitida, a Defesa Civil pode ser acionada e provavelmente a obra será embargada, pois não terá permissões da prefeitura.

Pelo outro lado, para quem já habita áreas suscetíveis a deslizamentos e cheias, algumas orientações até simples podem minimizar estragos. Conforme o diretor da Defesa Civil de Blumenau, Adriano da Cunha, pequenas ações de conscientização são importantes:

– Tem algumas orientações que costumamos dar, como que a pessoa bote uma calha na casa, faça drenagem da água e evite a plantação de vegetação ou plantas indevidas como bananeiras ou algo que pese o terreno. A gente sempre indica a plantação do capim vetiver, que tem raízes profundas que podem chegar de dois a cinco metros de profundidade e agem como um “grampeador” no solo. Tudo isso ajuda de alguma forma a diminuir um pouco o risco de quem mora nesses locais.

Além disso, Cunha destaca o uso do AlertaBlu como ferramenta de prevenção com base nas informações meteorológicas. O sistema completa a ferramenta lançada no ano passado pelo governo do Estado de mensagens via SMS que comunicam eventos climáticos, importante para a prevenção de quem mora em locais suscetíveis.

Julho Laranja promove capacitação em Blumenau
Até o fim do mês a questão da prevenção a desastres naturais ganha um foco adicional em Blumenau com a programação do Julho Laranja, que é organizado pela prefeitura e tem palestras, treinamentos, ações em comunidades e cursos. A data serviu também para o lançamento da nova versão do aplicativo para celular do Alertablu, que agora pode notificar a Defesa Civil de ocorrências com informações e fotos através do app. A programação pode ser acessada no site da prefeitura de Blumenau.

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