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Mobilidade02/07/2018 | 08h10Atualizada em 02/07/2018 | 08h10

O que mudou após um ano de Blumob em Blumenau

Nova fase do transporte coletivo de Blumenau tem 65% da frota renovada. Novidades como aplicativo com localização dos ônibus devem ser anunciadas no dia 11

O que mudou após um ano de Blumob em Blumenau Lucas Correia/Agência RBS
Foto: Lucas Correia / Agência RBS

O transporte coletivo de Blumenau chegou neste domingo ao primeiro ano de uma nova fase. Foi quando completaram os primeiros 365 dias desde que a Blumob começou a operar o serviço como concessionária do novo contrato do serviço. E o que mudou nesse primeiro ano? O maior impacto foi na renovação da frota. Há um ano, eram 100 ônibus zero quilômetro. Hoje, são 156 veículos novos, que equivalem a 65,5% da frota total, que é de 238. Embora a redução de linhas e horários seja um questionamento constante dos usuários, a qualidade dos ônibus e a pontualidade são os pontos altos. 

Esses primeiros 12 meses de Blumob marcam uma nova página no transporte coletivo da cidade. Foi assim que essa mudança foi autoproclamada pela prefeitura. O serviço havia enfrentado tempos difíceis desde 2015, com greves, atrasos salariais, problemas financeiros de empresas e rompimento de contrato com o Consórcio Siga. Foi ainda mais um ano e meio de contrato emergencial com os ônibus provisórios da Piracicabana.

O novo contrato de concessão prevê ainda que em três anos todos os ônibus usados sejam substituídos por novos. Segundo o Seterb, informalmente a empresa prometeu mais duas entregas com 64 veículos ainda este ano. Uma última entrega está prevista para o primeiro semestre de 2019, concluindo a renovação total da frota exigida. Os novos carros usados na frota têm como principal diferença a internet wi-fi e tomadas USB para carregamento de celular.

Para o segundo ano, o principal investimento da empresa deve ser a construção de uma garagem própria, conforme exigência do edital. No próximo dia 11, prefeitura e Blumob pretendem anunciar novidades para o segundo ano da empresa na cidade, como o reconhecimento facial para evitar fraudes na bilhetagem eletrônica e um aplicativo para os usuários saberem onde estão os ônibus.

Agência já intermediou quatro discussões sobre o transporte
O presidente do Seterb, Marcelo Althoff, afirma que os principais ganhos foram a renovação antecipada da frota e o cumprimento de horários registrado ao longo deste primeiro ano. Outro avanço citado por ele foi a fórmula de reajuste, que se baseia principalmente nas variáveis “número de usuários” e “quilometragem percorrida”. No contrato anterior, era uma planilha de custos das empresas que estipulava os custos e a prefeitura que decidia o reajuste a ser concedido, nem sempre de acordo com o valor pedido pelas empresas.

Na avaliação de Althoff, o novo formato foi o grande ganho da nova concessão e trouxe mais transparência e objetividade na definição da tarifa.
– Se a gente levar em conta esse passado recente, a realidade de hoje do transporte, consolidada depois desse ano inteiro, é extremamente positiva porque conseguimos virar a página. O processo de concessão geralmente é difícil, mas a gente não teve muitos percalços, apesar de ter um pequeno atraso e considerações do Tribunal de Contas – avalia o gestor público.

Para o presidente do sindicato de motoristas e cobradores (Sindetranscol), Pradelino Moreira da Silva, o grande ganho da nova empresa também foi a renovação da frota e a melhoria do serviço. Para os trabalhadores, os pagamentos e depósito de direitos trabalhistas agora estão em dia.

A reportagem enviou questionamentos à Blumob via assessoria de comunicação sobre o primeiro ano de atuação da empresa em Blumenau, mas não obteve resposta até o fechamento da edição. Os diretores da empresa também não atenderam aos telefonemas da reportagem.

Uma das novidades do novo contrato de concessão do transporte coletivo de Blumenau é a intermediação da Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (Agir) nas questões que envolvem a tarifa e o cumprimento do contrato. Nesse primeiro ano, quatro procedimentos sobre o serviço foram abertos pela Agir. O primeiro deles, já em agosto do ano passado, era um pedido de revisão da tarifa em função de aumentos no preço do diesel. A entidade negou o pedido, que segundo ela não causaria desequilíbrio financeiro e poderia ser absorvido pela empresa, e sugeriu que a diferença fosse calculada no reajuste anual da tarifa, em dezembro.

Valor da passagem também em debate
O aumento da passagem também foi intermediado pela Agir neste primeiro ano de Blumob. Outro processo permitiu a empresa a trocar a exigência de pintura dos ônibus antigos, brancos, pela instalação de placas de sinalização visual nos terminais da cidade, que está em andamento.

O quarto procedimento foi a criação de uma comissão mista (com membros da agência, Blumob, Seterb e Câmara de Vereadores) para analisar a frota, a operação e as áreas econômicas e jurídicas deste início de operação da empresa na cidade. O trabalho resultou em cinco mudanças em nove linhas que buscavam otimizar trajetos e diminuir custos.

A comissão elaborou um relatório final apresentado no último dia 22. O documento prevê que, com as mudanças definidas, a tarifa poderia diminuir até R$ 0,09 no próximo reajuste, previsto para dezembro. Esse relatório ainda deve passar por consulta e audiência pública. 

Usuários questionam redução de horários durante a semana
Na avaliação dos que mais sentem as mudanças e diferenças do transporte coletivo, os usuários, o primeiro ano de Blumob ainda divide opiniões. Rose Mota, 43 anos, mora no Salto do Norte e vai de ônibus todo dia para o trabalho, em uma padaria na região central. Ela conta que está satisfeita com a qualidade dos ônibus, mas se queixa da mudança recente em horários, que prejudicou moradores do bairro dela.
– Quanto aos ônibus, são bons, não posso me queixar. Tem wi-fi, a gente consegue ir conectado. O ponto negativo foi só a diminuição de horários – avalia.

A queixa é a mesma da colega de bairro Janice da Silva Cardozo, 41 anos. Ela trabalha em uma academia no Centro, mas hoje tem dificuldade para pegar ônibus em determinados horários:
– Os ônibus melhoraram bastante. O que ficou complicado são os horários. No meio de manhã e aos sábados, a espera passou a ficar maior, isso foi o lado ruim.

Serelaine Debald, 38, mora na Velha Grande e usa ônibus com menos frequência, de uma a duas vezes por semana. Ainda assim, diz que sempre que precisa os ônibus a atendem com eficiência e diz não sentir muita diferença em relação aos ônibus da época do Consórcio Siga. Já Ari Vaz, 67, considera que os veículos das empresas antigas eram mais confortáveis.

Em outubro do ano passado, 30 das 85 linhas do transporte coletivo de Blumenau tiveram mudanças em horários ou roteiros. Houve corte em mais de 80 horários na ocasião. Este ano, novos ajustes foram feitos em março. O presidente do Seterb Marcelo Althoff afirma que essas mudanças foram pontuais e necessárias para otimizar a operação do transporte coletivo.
– Entendemos que as mudanças às vezes exigem adaptações das pessoas no seu dia a dia, mas que são naturais e normais. O sistema tem que atender o usuário, que é a sua finalidade principal, mas temos que fazer otimizações para que aquele transporte não seja uma âncora para levar o sistema para baixo – opina.

PRIMEIRO ANO DE OPERAÇÃO DA BLUMOB EM DETALHES
Frota:
238 veículos, sendo 156 deles novos – 65,5% do total. Outros 64 novos devem ser adquiridos pela empresa ainda este ano, segundo o Seterb.
Número de usuários: Média de 98 mil de segunda a sexta-feira, 34 mil sábados e 18 mil domingos.
Número de linhas: 85
Bilhetagem eletrônica com identificação facial: O serviço de bilhetagem eletrônica funciona normalmente desde a época de contrato emergencial. Entre as novidades que a prefeitura pretende apresentar no próximo dia 11 está uma ferramenta para evitar fraudes com o cartão eletrônico, principalmente o da categoria estudante. Uma câmera instalada nos veículos vai fazer quatro fotos no momento da validação da passagem na catraca. Um software vai identificar se trata-se da mesma pessoa da foto indicada no cartão. No fim do dia, os casos em que o usuário não coincidir com o titular do cartão serão listados em um relatório que será conferido manualmente pela empresa. Quando for identificado o uso por outra pessoa, ele será convidado a dar explicações, sob pena de ter o cartão bloqueado. O mecanismo seria uma forma de evitar que outras pessoas utilizem o cartão de estudante e paguem meia-tarifa indevidamente.
Aplicativo de celular: Outra novidade a ser apresentada no dia 11 é o aplicativo para celular. Ele vai trazer informações de todas as linhas, ruas em que os ônibus passam e também a localização instantânea dos veículos, com base em monitoramento de GPS. Esse instrumento era uma exigência da licitação para que estivesse em funcionamento após um ano de operação da empresa.
Novos investimentos: O principal investimento da Blumob neste segundo ano, segundo o presidente do Seterb, deve ser a construção de uma garagem própria, exigida no edital. Hoje a empresa usa um espaço da prefeitura no bairro Salto, que deve continuar utilizando, e um imóvel de uma empresa do mesmo grupo, na Rua Almirante Tamandaré.
Estações de pré-embarque: As estações de pré-embarque, na Rua 7 de Setembro e na Avenida Beira-Rio, passam por reforma custeada pela prefeitura e que deve terminar até o final de agosto. No entanto, elas continuarão a funcionar apenas como uma parada de ônibus. O Seterb estuda voltar a usá-las futuramente como estação, mas sem o uso de cobradores, como era no passado. A ideia é usar a tecnologia para cobrar a tarifa e também permitir a compra de passagem com o celular para quem não possuir o cartão.

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