População acima de 70 anos vai quadruplicar em SC até 2060, projeta IBGE - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Envelhecimento25/07/2018 | 10h00Atualizada em 25/07/2018 | 17h37

População acima de 70 anos vai quadruplicar em SC até 2060, projeta IBGE

Levantamento ainda mostra que a faixa etária até 39 anos irá cair 8,6% neste período; expectativa de vida do catarinense irá chegar a 84,4 anos em 2060

População acima de 70 anos vai quadruplicar em SC até 2060, projeta IBGE Marco Favero/Diário Catarinense
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Nos próximos 42 anos, vai quadruplicar o número de catarinenses acima de 70 anos. Essa parcela que em 2018 representa 5,8% do total da população, que é de 7 milhões de pessoas, vai passar a responder por 20,3% do montante de 9 milhões de habitantes em 2060. A faixa etária com maior salto neste período no Estado será aquela acima de 90 anos, que irá aumentar quase 11 vezes, saltando de 23,2 mil em 2018 para 252,2 mil em 2060. As estimativas fazem parte da Projeção de População (revisão 2018), divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com dados da projeção, o grupo etário de 60 a 69 anos representará, em 2060, quase 13% da população total de Santa Catarina. Em 2018, o grupo etário com maior população projetada encontra-se na faixa de 30 a 39 anos, que concentra 16,7% da população total.

A faixa etária até 39 anos irá cair 8,6% no Estado, a maior queda será dos 20 a 29 anos (-16%) entre 2018 e 2060. No cenário nacional, a faixa acima de 90 anos também é a que mais cresce (quase sete vezes), mas está bem abaixo do salto catarinense. Além disso, a queda na faixa etária entre 20 e 24 anos é mais acentuada (-29%). No geral, a população catarinense cresce 27% nos próximos 42 anos, enquanto a brasileira apenas 9%. 

Há alguns fatores relacionados a esses resultados. Um deles é a expectativa de vida dos catarinenses, que é a maior do país: 79,66 anos. Quase três anos acima da média brasileira, que é de 76,25 anos. Entre os homens catarinenses esse índice é de 76,39 anos, já entre as mulheres é mais alto: 82,97 anos. Em 2060, esperança de vida ao nascer no Estado irá chegar a 84,49 anos, no Brasil passará para 81,04.   

Entre os homens, os valores de esperança de vida mais altos, projetados para 2060, serão observados em Santa Catarina, de 81,5 anos, e Rio Grande do Sul, de 80,9 anos, enquanto os mais baixos serão os do Piauí, de 72,7 anos, e do Pará, de 73,6 anos. Os valores mais altos de esperança de vida feminina também serão em Santa Catarina, de 87,6 anos, seguido pelo Paraná, com 87,0 anos. Rondônia e Roraima experimentarão as mais baixas esperanças de vida entre as mulheres, de 80,3 anos e 80,8 anos, respectivamente.

Outro fator que impacta neste cenário é o saldo migratório em SC, o terceiro mais alto do país em 2018. No balanço de entradas e saídas, o Estado ganha 29 mil indivídudos, o terceiro maior resultado do país, atrás apenas de São Paulo (45,2 mil) e Goiás (39,8 mil). Em 2060 esse saldo deve cair para 23 mil, mas segue sendo o terceiro maior do país. 

Já em relação à taxa de fecundidade, número médio de filhos que uma mulher teria até o fim de seu período reprodutivo, SC aparece na 19ª posição, com 1,74 filho por mulher. A expectativa é que esse número caia para 1,68 em 2060, quando o Estado vai da 19ª para a 12ª posição no ranking . No Brasil a taxa é de 1,77 e cai para 1,66.

Razão de dependentes irá aumentar no Estado

Os impactos deste envelhecimento da população já aparece nos próprios dados do levantamento do IBGE. A razão de dependência da população, ou seja, a proporção de pessoas que, em tese, são sustentadas pela parcela economicamente produtiva, em 2018 está em 40,62%, a mais baixa do país. Esse indicador significa que, de cada grupo de 10 pessoas em idade de trabalhar (15 a 64 anos), há quatro indivíduos com menos de 15 e com mais de 64 anos que dependem deles. Em 2060, a razão de dependência deverá ser de 70,68%. Com o salto, SC passa a ter a quarta maior razão do país, acima inclusive da média brasileira (67,23%). 

O mestre em Desenvolvimento Econômico e economista João Rogério Sanson reforça que os impactos deste envelhecimento devem aparecer na Previdência Social, mas que as consequências serão diluídas nacionalmente:

— Olhando para um prazo tão longo, tem que pensar na aposentadoria, nas reservas financeiras. Se continuar assim, as pessoas mais jovens não vão ter as mesmas garantias e benefícios da aposentadoria do que agora. É um tipo de preocupação que vai ser muito grande na geração mais jovem.

Ele reforça que com essa razão de dependência maior será preciso que também se tenha aumento de produtividade:

— Na medida que começa a faltar gente na população economicamente ativa, os países tendem a flexibilizar a imigração. Além disso, com o ganho da produtividade, você não precisa ter tanta gente para produzir, que é o que aconteceu com a agricultura, o que permite bancar essa faixa de pessoas sem trabalhar.

Sobre a pesquisa

Projeção de População (revisão 2018) tem como base os dados do Censo 2010. Os cálculos são feitos de acordo com os métodos demográficos recomendados pela Divisão de População das Nações Unidas. As projeções servem de subsídios para a implementação de políticas públicas e como base de cálculo das estimativas das populações municipais divulgadas anualmente pelo IBGE.

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