Cresce número de nutricionistas, mas população ainda não busca ajuda especializada - Geral - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

 

Saúde31/08/2018 | 05h48Atualizada em 31/08/2018 | 08h00

Cresce número de nutricionistas, mas população ainda não busca ajuda especializada

Em uma década, a quantidade de profissionais passou de 1.947 para 5.105, mas a obesidade já atinge quase 20% dos cidadãos.

Cresce número de nutricionistas, mas população ainda não busca ajuda especializada Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Os dados do Ministério da Saúde apontam que 54% dos brasileiros estão com sobrepeso. O número foi divulgado no fim de junho e tem como base um levantamento de 2017. Em comparação com os dados de 10 anos atrás, o número de pessoas lutando contra a balança subiu 26,8%. Em uma proporção ainda maior aumentou a quantidade de profissionais voltados a cuidar dessa problemática que está diretamente ligada aos novos hábitos da população. Segundo o Conselho Regional de Nutricionistas, em 2009 eram 1.947 e em agosto desse ano chegou a 5.105. O crescimento em Santa Catarina é de 38%.

Mas então os números de profissionais e a preocupação com a obesidade estão desalinhados? Na avaliação da professora Camila Almeida Spinelli , da Furb, os números ainda não se relacionam. Isso porque, apesar do crescimento no número de profissionais, não houve aumento expressivo na procura dos pacientes aos consultório. Os que chegam para a atendimento, na maioria das vezes, já apresentam algum quadro a ser tratado e não mais estão em condições de prevenção de doenças e focados em qualidade de vida. 

Para a coordenadora do curso de nutrição da Univali, Joana Sievers, os indicadores não estão interligados e refletem situações distintas. A primeira é o aumento do campo de atuação dos profissionais, que não estão focados apenas em atendimento nos consultórios. O segundo diz respeito ao consumo cada vez maior de alimentos industrializados, com baixo valor nutricional e muita caloria.
– Antigamente não se tinha tanto acesso a esses produtos, mas hoje eles são mais baratos e as pessoas consomem em excesso. – explica Joana.

::: Horário em que comemos pode interferir na saúde e no peso, sugere estudo
::: Se sentindo inchada? Veja quais alimentos podem ajudar a diminuir o desconforto

A nutricionista Luana Vanderlinde Effting complementa. No ponto de vista dela, o fator emocional também influencia muito nesse cenário. Ela explica que pessoas extremamente estressadas, sobrecarregadas e ansiosas encontram no alimento um ponto de fuga e a comida passa a ser vista como uma recompensa.

 Blumenau - SC - Brasil - 29082018 - Luana Vanderlinde Effting Nutricionista
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Com a Ana Claudia Silva era assim até cinco meses atrás, quando decidiu fazer uma reeducação alimentar. Ela não está sozinha nesse processo. Segundo uma pesquisa da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), em 12 regiões do Brasil, oito em cada dez brasileiros afirmam estar se esforçando para cuidar melhor do que é colocado no prato e no copo.

Ana Claudia só aprendeu a escolher os alimentos certos e ficar atenta aos ingredientes dos rótulos das embalagens com orientação especializada. Antes de chegar ao estágio atual, em que se considera consciente sobre a necessidade de equilíbrio nutricional e com 10 quilos a menos, ela começou algumas vezes dietas que viu na internet, mas nunca conseguiu levar nenhuma a diante.

– Busquei ajuda a partir do momento que percebi que essas dietas milagrosas que têm por aí não resolveriam, pois cada um tem seu biotipo, cada caso é um caso. Eu precisava de uma orientação completa, que somente um profissional da área pode oferecer – afirma.

A família Oliani também foi atrás de auxílio quando viu que o ponteiro da balança não parava de subir e refletia na saúde deles, como pressão alta e diabetes. A mãe, Denise, conta que ela, o marido e o filho nunca foram de comer muito, mas quando se alimentavam, faziam errado. A matriarca está no segundo grupo com o maior aumento de pessoas com obesidade no país, que é na faixa de 45 a 54 anos. Só perde para os jovens, grupo em que houve aumento de 110%.
– Era muito arroz, macarrão, pão. Muito líquido na hora da refeição – lembra a babá de 51 anos.

A nutricionista Luana Vanderlinde Effting conta que muito do que tem visto no consultório é o que ela chama de “terrorismo nutricional”. Os pacientes chegam acreditando que determinados alimentos até então considerados saudáveis são vilões. Ela defende a necessidade de se consumir todos os alimentos de forma equilibrada.

– Por meio do alimento resgatamos o equilíbrio de todas as funções orgânicas do corpo e, inclusive, da mente. A consequência é um intestino funcionando bem, menos peso, dores, doenças, alergias e deficiências nutricionais e muito mais qualidade de vida e disposição – afirma Luana.

Confira a seguir, cinco erros comuns e cinco dicas de alimentação saudável:

Erros
- Alimentar-se sem prestar atenção ao que está comendo, fazendo outras atividades. Isso compromete a refeição e a pessoa acaba cometendo excessos
- Pensar que se alimentar de forma saudável é caro e difícil. Não é, mas exige dedicação e não é possível como uma solução imediatista
- Comer poucas vezes ao dia, em grandes quantidades e pular refeição. Com isso se consome mais alimentos gordurosas e pouco saudáveis
- Alimentação adequada não está ligada apenas com peso e estética, mas também à qualidade de vida e prevenção de doenças
- Não relacionar nutrição com a necessidade de ingerir líquidos. A água é muito importante no processo de digestão, absorção de nutrientes e hidratação

Dicas
- Consumir diariamente alimentos frescos, como frutas, verduras, laticínios
- Evitar processados, congelados que têm conservantes e químicos que intoxicam
- Ter relação saudável com a comida, se alimentar com prazer, sem culpa
- Desenvolver o gosto por cozinhar e conhecer novos alimentos
- Pensar na nutrição com um comportamento diferente e não vincular a dieta.

Fonte: Joana Sievers, coordenadora do curso de nutrição da Univali

A SAÚDE EM NÚMEROS NO BRASIL
18,9% estão obesos
54% com sobrepeso
110% foi quanto cresceu a obesidade no público jovem entre 2007 e 2017
45% foi o crescimento na faixa etária de 45 a 54 anos
24,1% foi o aumento da prática de atividades físicas no período de 2009 a 2017
52,8% a queda no consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas entre 2007 e 2017
5% de aumento na inclusão de frutas e hortaliças no cardápio habitual entre 2008 e 2017

Fonte: Ministério da Saúde

 
Jornal de Santa Catarina
Busca