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Ensino no Vale04/08/2018 | 08h00Atualizada em 04/08/2018 | 14h18

Rio do Sul supera déficit por vagas na educação infantil

Município conta atualmente com 212 vagas e apenas 150 famílias esperam um encaixe. A realidade é diferente de outras cinco cidades também localizadas no Vale do Itajaí

Rio do Sul supera déficit por vagas na educação infantil Luís C. Kriewall Filho/Especial
Joaquim entrou na creche na última segunda-feira, dia 31, e não aguardou nenhum dia na fila de espera Foto: Luís C. Kriewall Filho / Especial

Os dias do pequeno Joaquim ganharam uma nova rotina desde a última segunda-feira. Com a volta da mãe ao mercado de trabalho, o sono prolongado pela manhã ficou para trás. Agora, o despertador toca às 6h30min. É o momento do menino de dois anos ir à creche. A unidade não está perto de casa e sim no caminho do pai ao trabalho. A fase ainda é de adaptação e a mãe o busca no início da tarde. O sorriso no rosto de Juliana Nazaré Deola, 35 anos, é de quem sabe que o rebento está bem cuidado e de quem vai poder contribuir com as contas de casa no fim do mês.

Diferentemente de quando ganhou os outros dois filhos, de sete e 11 anos, em que só pôde retornar às atividades profissionais depois que os matriculou na rede particular, agora ela conseguiu um lugar para o caçula no mesmo dia que procurou o sistema público. Foi uma surpresa diante das experiências anteriores, quando morava em Florianópolis. 

A facilidade que teve em Rio do Sul é de fato diferente da maioria das cidades da região: pela primeira vez, o número de vagas disponíveis no município superou o de crianças na fila de espera. Um levantamento feito pela reportagem na última semana ouviu outras cinco prefeituras e nenhuma delas conseguiu superar a diferença entre oferta e demanda.

Segundo a secretária de Educação, Janara Mafra, são 212 oportunidades abertas. Em contrapartida, 150 famílias aguardam por uma vaga, a maioria para o berçário. A gestora explica que, atualmente, quando os pais procuram a Secretaria Municipal de Educação, eles são encaminhados para alguma creche, pois há disponibilidade. A fila só não foi de fato zerada porque os responsáveis não querem matricular a criança no local em que foi disponibilizada a inscrição.

– Rio do Sul não é uma cidade tão longe nas suas extremidades, mas a gente entende os pais que preferem deixar seu filho com um familiar até conseguir a vaga exatamente na unidade que deseja – explica a secretária.

No início do ano passado, uma ação civil pública determinou que a administração municipal acabasse com a fila de espera, que na época tinha cerca de 500 cadastros. Diante da possibilidade de multa diária na ordem de R$ 1 mil por descumprimento, a prefeitura começou uma readequação nas 35 unidades de educação infantil de responsabilidade do município. O Centro Educacional Sebastião Back, no bairro Santana, frequentado por Joaquim, é um dos que passaram por mudanças, e permitiu a abertura de uma sala de maternal.

Como frisa Janara, as alterações não exigiram muitos recursos. O foco foi a gestão dos espaços. O esforço levou a outro número inédito: são 3.395 crianças de zero a seis anos matriculadas. Em 10 anos, o crescimento foi de 13,2%.
– Reaproveitamos os espaços e seguimos as resoluções de crianças por sala. Não houve superlotação. Houve inclusive classes em que tiramos as crianças porque o local não comportava – conta.

Sem mudanças na carga horária
As mudanças feitas no último um ano e meio representam atualmente a abertura de 350 novas vagas. A secretária de Educação garante que não houve alteração na carga horária ofertada. Segunda ela, a maioria dos alunos fica em média 10 horas nas creches. O pequeno Dom, de cinco anos, chega por volta das 7h10min e fica lá até as 18h10min. É assim há quase cinco meses, quando ele entrou na unidade que frequenta atualmente. Em virtude do trabalho da mãe, Dom está na educação infantil desde os quatro meses.

 Vagas em creches em Rio do SulIndexador: Luis C. Kriewall Filho
Em virtude do trabalho da mãe, Dom está na educação infantil desde os quatro mesesFoto: Luís C. Kriewall Filho / Especial

Maira Müller, de 27 anos, não precisou aguardar pela vaga, porém, para ela, a preocupação vai além de ter onde deixá-lo enquanto ganha o sustento da família. O pensamento é compartilhado pela gestora da rede pública municipal de ensino de Rio do Sul. Com formação em pedagogia, ela defende veementemente o ingresso dos pequenos em creches.

– A criança de zero aos seis anos tem a efervescência do seu aprendizado. É quando ela assimila todo conhecimento para seu desenvolvimento infantil na parte afetiva, cognitiva, emocional, social. Uma criança bem estimulada nessa faixa etária certamente será um cidadão com muitas oportunidades – defende.

A meta da prefeitura é fazer sobrar mais vagas. Para chegar lá, a prefeitura aposta em três obras, duas delas já em andamento. Conforme Janara, elas estão em lugares estratégicos e com grande demanda, como no bairro Taboão. Com a ampliação do Pinguinho de Gente, 170 novas vagas serão criadas. Para atender as comunidades dos bairros Barragem e Barra do Trombudo, uma nova creche está em construção, onde será possível receber ao menos mais 130 matrículas.

A grande aposta, porém, está no que a administração municipal chama de “creche modelo”, que será instalada na região central da cidade, onde há a maior demanda. Diferente dos padrões do governo federal, horizontais, a unidade será verticalizada, com três pavimentos. O projeto está em desenvolvimento e a expectativa é ser licitado até o fim deste ano para começar as obras em 2019. Com investimentos aproximados em R$ 3 milhões, com recursos próprios, a projeção é atender 350 alunos. Cerca de 200 virão de outras unidades próximas, em que as situações de infraestrutura precisam de atenção. Outras 150 serão para novas que ainda não entraram na educação infantil.

Garantia de inclusão social com os alunos haitianos
Com as vagas garantidas, algumas unidades de educação infantil de Rio do Sul enfrentam desafios específicos. No CEI Titio Karan, no bairro Canoas, 12% dos alunos são de outra nacionalidades. A maioria deles, haitianos. Como a comunicação prejudica tanto os pais e responsáveis como as próprias crianças, a diretora Marlise de Souza buscou alternativas. Na hora-atividade dos 12 professores promoveu uma formação básica sobre noções de francês. Ela sabe que eles precisam aprender português, mas enquanto isso não ocorre, querem conseguir estabelecer um diálogo para não interferir o desenvolvimento dos alunos.

 Vagas em creches em Rio do SulIndexador: Luis C. Kriewall Filho
No CEI Titio Karan, no bairro Canoas, 12% dos alunos são de outra nacionalidadesFoto: Luís C. Kriewall Filho / Especial

O professor de idiomas que ministrou a formação veio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e após o primeiro encontro criou um grupo no WhatsApp. O espaço é para que cada professor possa compartilhar as suas dúvidas sobre a melhor forma de falar, por exemplo, para os pais que é preciso levar fraldas e questionar os pequenos sobre o que eles gostam de comer.

Cinco cidades do Vale sofrem com a falta de vagas
O cenário com déficit de vagas em creche para crianças de até quatro anos é um problema evidenciado em vários municípios da região do Vale do Itajaí. Levantamentos recentes feitos pelas secretarias municipais de Educação a pedido da reportagem (dados na tabela) apontam que nas cinco cidades consultadas há um número expressivo de crianças aguardando uma vaga.

Com isso, criar alternativas para suprir esta demanda reprimida se mostra um dos grandes desafios das administrações municipais, ainda mais pela obrigatoriedade de disposição de matrícula de crianças e adolescentes a partir dos quatro anos de idade.

Os dados fornecidos pelas secretarias de municipais de Balneário Camboriú, Blumenau, Brusque, Indaial e Itajaí apontam que estão em conformidade com a lei. Em Itajaí, ainda há 113 crianças esperando, pois os pais não aceitaram as vagas oferecidas em outro zoneamento, que totalizam 355 vagas espalhadas entre as unidades de ensino da cidade.

 Não há vagas em creche, e agora?  
Se não houver vaga na rede municipal, outra opção é a rede privada, alternativa que não está ao alcance de toda a população, devido ao custo elevado. Esgotadas as possibilidades, a Defensoria Pública pode levar à garantia deste direito. Mas infelizmente a espera pode levar tempo e como oportunizar uma inserção e contribuir para o desenvolvimento dessas crianças, mesmo longe de uma instituição?

Segundo a Mestre em Educação Infantil, Maristela Pitz, em primeiro lugar é importante demarcar que este é um direito das crianças e uma conquista das mulheres trabalhadoras, assim não é possível uma solução que não seja por meio legal. Em relação a possibilidades para as famílias contribuírem no que se refere às conquistas das crianças, Maristela elenca algumas ações.

- Um dos eixos da educação infantil é a imersão das crianças nas múltiplas linguagens. Então levar as crianças a peças de teatro, colocá-las em contato com os variados estilos musicais, ler para elas e ter um espaço no qual possam desenhar;

- Controle em relação ao uso de TV, computadores, celulares e tablets, são ações valiosas;

- A educação infantil não tem só o eixo das linguagens, tem também as interações e brincadeiras, e estas exigem parceiros. Hoje as instituições de educação infantil são quase os únicos locais onde as crianças se encontram com outras crianças e criam o que a Sociologia da Infância chama de Culturas Infantis;

- É importante que as crianças estejam cotidianamente com outras crianças.

 

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