A cada dois dias uma pessoa descobre que está com câncer no intestino no Médio Vale do Itajaí - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Setembro Verde17/09/2018 | 08h02Atualizada em 17/09/2018 | 08h03

A cada dois dias uma pessoa descobre que está com câncer no intestino no Médio Vale do Itajaí

Campanha alerta para a importância da prevenção a esta doença que, se detectada no fase inicial, tem 90% de chance de cura 

A cada dois dias uma pessoa descobre que está com câncer no intestino no Médio Vale do Itajaí Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Caroline Merini sofria com dores abdominais, descobriu um tumor e um ano e dois meses depois do início do tratamento venceu a doença Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Até o fim deste ano, 36 mil pessoas em todo o Brasil vão receber o diagnóstico de câncer de intestino. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A doença é a terceira mais incidente e fica atrás apenas do câncer de pulmão e de mama. No Médio Vale do Itajaí, os números são semelhantes. Dados do Hospital Santo Antônio, em Blumenau, referência no tratamento contra câncer para 14 municípios, mostram que, somente no primeiro semestre deste ano, 97 pacientes iniciaram quimioterapia na unidade para reverter o diagnóstico. 

O número é maior do que os casos de câncer de pulmão (41 no semestre) e próstata (96 no semestre). A incidência cada vez maior – no mesmo período de 2017 foram 78 pacientes tratados – fez os médicos iniciarem uma campanha de alerta.

A campanha Setembro Verde quer chamar a atenção da comunidade para um problema que tem 90% de probabilidade de cura, se for detectado em fase inicial. Para isso, é preciso que as pessoas conheçam a doença e se previnam, aponta o coloproctologista Guilherme Buchen. Alterações no hábito intestinal e dor no abdômen são alguns dos sintomas da doença. O último deles Caroline Merini, 34 anos, conhece bem.

– Acabei passando mal, com muitas dores abdominais e remédio nenhum aliviava. Os médicos estranharam minhas queixas e após três dias indo a diferentes pronto atendimentos solicitaram um ultrassom. Fiz e acabei saindo da clínica de ambulância para o hospital – relembra ela.

Quando descobriu do que se tratavam as dores, ela já estava com um tumor de tamanho suficiente para obstruir o intestino. Caroline passou por cirurgia, fez quimioterapia, usou bolsa de colostomia, mas agora, um ano e dois meses desde o início do tratamento, está curada. O susto que levou com o diagnóstico a impulsiona a falar sobre o assunto e levar o máximo de informações aos outros.

Nas redes sociais, a servidora pública usa peças da campanha do Setembro Verde para tentar despertar a importância de cuidados que ela não teve.
– Se eu tivesse dado atenção, tivesse buscado um médico, feito exames, poderia ter prevenido – reflete a assistente social.

Alimentação saudável, rica em fibras; redução da ingestão de gordura, principalmente de origem animal; evitar o álcool e o fumo são alguns dos hábitos que devem ser adotados no combate à doença. Buchen reforça que as pessoas precisam buscar orientação médica se perceberem algum dos sintomas. Isso porque é possível tratar a lesão, frequentemente benigna, antes de ela virar maligna.

Buscar especialistas e exames é fundamental para o tratamento
Acesso rápido a especialistas e ao exame de colonoscopia, usado para a detecção de pólipos, é fundamental para o sucesso do tratamento. Na semana passada, ao menos 149 pessoas aguardavam pelo procedimento no sistema público de Blumenau. 

O tempo médio de espera é de um mês, aproximadamente. O período é considerado curto pelo coloproctologista Guilherme Buchen. Porém, na visão dele, o problema está na fila de espera por um especialista, já que somente este profissional pode solicitar a colonoscopia na rede pública de saúde.

Dados da Secretaria de Promoção da Saúde apontam que 845 pacientes aguardam pela consulta, alguns desde fevereiro. De acordo com a diretora de Assistência em Saúde, Elisa Schreiner, a lista é ordenada conforme o quadro clínico de cada paciente. Atualmente, a rede pública de saúde conta com cinco profissionais para atender a demanda. 

O desafio, porém, está na quantidade de faltas, aponta a gestora. Ela conta que de janeiro a junho deste ano foram disponibilizadas 2.752 consultas com proctologista, mas 654 pacientes não compareceram. O número de atendimentos perdidos representa 77% do total de pessoas que aguardam pela oportunidade de serem avaliadas por um especialista.

Elisa adianta que a administração municipal trabalha em uma ferramenta que irá auxiliar na confirmação das consultas e a expectativa é reduzir os índices de falta. O novo mecanismo deve ser lançado no próximo mês e será atrelado a protocolos internos. O sistema deverá dar celeridade aos atendimentos.

– Nesse momento, o caminho é a redução dessas faltas. A gente vive um momento conturbado economicamente e só aumentar o quadro pessoal não vai resolver. Você tem que ter fluxo instituído – defende a diretora.

Quando fazer a colonoscopia?
Pessoas que têm histórico de câncer de intestino na família devem fazer o exame a partir dos 40 anos. Para quem não tem, a recomendação é a partir dos 50 anos, com um intervalo de 10 anos entre um exame e outro. Havendo indícios, a colonoscopia deve ser feita sempre que o médico solicitar.

As ações da campanha
Em Blumenau, além da iluminação verde do prédio da prefeitura, a programação contempla ações em empresas e universidades. Clínicas que fazem colonoscopia também vão disponibilizar ao Sistema Único de Saúde (SUS) aproximadamente 50 exames. A proposta é contribuir para a diminuição da fila de espera.

Rotary Club Hermann Blumenau é apoiador da iniciativa em Blumenau pelo segundo ano consecutivo. A entidade colabora com a distribuição de folders e camisetas, além da instalação de outdoors pela cidade como forma de conscientizar a comunidade sobre a doença e garantir agilidade no diagnóstico.

 – É muito importante a divulgação da doença. É o segundo câncer que mais mata no mundo e muitas pessoas não fazem a prevenção. Se diagnosticado cedo, a chance de cura é muito grande – reforça Pedro Luiz Fantinato, presidente do Rotary.

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