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Universidade em disputa06/09/2018 | 07h00Atualizada em 06/09/2018 | 07h00

As propostas de Udo Schroeder para a reitoria da Furb

Até sexta-feira o Santa apresenta quem são eles e o que cada um dos quatro candidatos ao comando da universidade propõe

As propostas de Udo Schroeder para a reitoria da Furb Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Udo Schroeder é professor da área de Contabilidade, atual vice-reitor e acredita em novos modelos de financiamento como os recém-lançados pela universidade Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Os professores Everaldo Artur Grahl, Márcia Cristina Sardá Espíndola, Valmor Schiochet e o atual vice-reitor Udo Schroeder disputam os votos de estudantes, servidores e professores da Furb para comandar a instituição entre 2019 e 2022. A eleição ocorrerá em outubro.

Entre terça-feira e amanhã o Santa apresenta as entrevistas com os candidatos sobre os temas centrais que envolvem a gestão da entidade. A sequência delas segue a ordem alfabética dos nomes dos candidatos. Hoje, apresentamos a terceira da série. Confira:

Chapa 4 – DConfiança e Colaboração: Nossa Universidade Sólida e Inovadora

Candidato a reitora: Udo Schroeder

Vice: Simone Leal Schwertl

Udo Schroeder é professor do Departamento de Contabilidade da Furb desde 1996. Tem 65 anos, lecionou em diferentes cursos de graduação e pós-graduação e é mestre em Administração de Empresas com Foco em Gestão Moderna de Negócios. Em 2010, foi convidado pelo reitor João Natel para assumir a pró-reitoria de Administração. Em 2014, passou a ser vice-reitor na chapa de Natel.

Qual sua motivação para concorrer à reitoria?

Primeiro porque gosto do que faço e sei que posso ajudar a universidade a enfrentar os novos desafios que temos no ensino superior do Brasil. O ensino no Brasil vem passando por algumas crises fortes. Tivemos na Furb um desafio muito forte em 2014 e 2015, todo aquele problema com financiamento, tanto o Fies quanto recursos estaduais, o que prejudicou bastante o financiamento dos estudantes. Chegamos a ter 3 mil alunos no Fies e hoje temos 1,3 mil, para ver o quanto isso mudou. Mas foi uma crise passageira e facilmente contornável, digamos assim. A crise que vejo hoje, não é exatamente passageira, mas sim uma mudança em todo esse panorama do ensino superior do Brasil. Por um lado, as políticas de Estado mudaram bastante. O governo federal me parece mais preocupado em quantidade de alunos em sala de aula do que na qualidade. Isso acabou levando com que tivéssemos um mercado da educação bastante complicado. Temos instituições oferecendo ensino a valores incompatíveis com qualquer qualidade. Na Furb temos o custo público e a receita privada. Mais de 75% da nossa receita vem das mensalidades dos estudantes. É uma questão bastante forte para qualquer gestor trabalhar isso. Por outro lado, temos um público-alvo que mudou bastante de perfil. Temos desafios de toda ordem, mas um é: que tipo de profissões teremos daqui a 10 anos? Que tipo de profissional e de cidadão estamos formando aqui para um mercado com profissões que não temos a mínima ideia do que vai ser? A gente sabe que quem entra hoje no ensino fundamental, das profissões que hoje existem, daqui a 10 anos, 70% delas não existirão. Temos que repensar e criar cursos e produtos voltados ao futuro. Por isso estou batendo fortemente na questão da inovação. O desafio que temos hoje no ensino é, primeiro, atrair os alunos, porque vemos que tem cada vez mais gente não querendo vir estudar na escola formal, e depois reter esses alunos. Aí, entra toda a questão de metodologias de ensino.

Como contornar as dificuldades com o Fies e qual deve ser a relação da Furb com esse modelo de financiamento?

Acredito fortemente que o modelo do Fies se esgotou. Tanto é que a dificuldade de acesso hoje é muito grande. Chegamos a ter mais de 700 alunos novos por ano nesse modelo de financiamento. Hoje a gente não chega a 80 alunos por ano. Todas as dificuldades que foram implantadas pelo governo nesse programa acabam fazendo com que seja quase impossível os nossos alunos aderirem. Além de terem repassado à universidade a responsabilidade pelas cobranças dos inadimplentes. Mudaram completamente as regras, isso inviabilizou. A menos que algum governo novo entre e modifique, esse modelo de Fies está quebrado. Em uma pesquisa que fizemos, detectamos que mais de 70% dos eventuais estudantes necessitam de alguma forma de financiamento. Algumas ações já estão sendo implementadas. Uma delas é um financiamento próprio, de até 50%, sem juros. A adequação do valor é feita em cima do valor do crédito financeiro. Isso começou agora em agosto e acreditamos que no próximo semestre teremos uma aderência boa. A limitação hoje é que não podemos fazer isso para todos os estudantes, então vamos implementando gradualmente. 

Como lidar com os problemas de evasão e com a redução de alunos?

Temos dois vieses: um é o financeiro, que estamos atacando desta forma. Mas nem toda evasão está baseada na questão do dinheiro. Tem algumas coisas que temos que olhar com carinho. Primeiro a forma como a gente trabalha as nossas aulas. Hoje estamos na era da informação e do conhecimento. Os alunos têm acesso à tecnologia da informação desde que nascem, já vem no DNA dessas pessoas. As nossas metodologias de ensino dentro e fora de sala de aula têm que ser aprimoradas e inovadas cada vez mais, para manter esse aluno aqui motivado. Em todos os níveis de ensino a evasão é um grande problema. O segundo foco é acolher esse aluno de forma integral e fazer o acompanhamento dele. Muitos estudantes que evadem, o fazem sem saber das alternativas que eles teriam, de pagar valores diferentes, fazer outra grade curricular. E também tratar nossas grades curriculares para que sejam mais atrativas. Aí vem a questão da inovação. Para que ele enxergue valor nessa proposta, para a profissão dele atual e futura. Hoje tem muito aluno que quer o diploma, não está muito preocupado com o conhecimento. Ele acredita que com o diploma consegue o melhor emprego. Isso é um perfil que leva ele a fazer um curso a distância, pagando R$ 90 por um curso de Administração. Não estou criticando o modelo EAD, mas temos que lembrar que a qualidade de um programa EAD é muito mais difícil de atingir do que numa aula presencial.

Como pretende trabalhar a situação financeira da universidade?

Apesar de todo o esforço que tivemos para manter as contas da universidade em dia, e isso está em dia, desde que assumimos uma das grandes preocupações sempre foi manter um bom clima organizacional em relação à estabilidade da Furb. Conseguimos fazer isso, apesar das crises de 2015, ninguém ficou sem salário, não teve essa preocupação. Nosso propósito aqui é manter uma universidade pública e de qualidade. Claro que temos o dilema de ter receita privada contra custo público. Nosso número de alunos caiu, principalmente em função do 9o ano, deu um impacto forte, perdemos 1,5 mil alunos em função desta situação, e certamente atinge a questão financeira. Hoje ela está sob controle, mas para o futuro temos que olhar a questão da gestão e da governança sob outro enfoque. Outra questão é a preocupação de trabalhar a Furb em cima de alguma coisa sólida. Temos que olhar nossa estrutura de custo, as formas com que a gente faz despesas buscando produtividade, através da tecnologia. Reduzir os custos operacionais. Quanto mais tecnologia a gente implementar, maior redução de custos e agilidade nos processos.

  Confira as entrevistas dos outros candidatos:
:: As propostas de Márcia Sardá Espíndola para a reitoria da Furb  


 

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