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Trânsito19/09/2018 | 14h28Atualizada em 19/09/2018 | 14h28

Atropelamento reacende discussão sobre travessia na Rua 7 de Setembro, em Blumenau

Especialistas dizem que pedestres preferem a "comodidade do risco" em vez de usar a faixa de segurança

Atropelamento reacende discussão sobre travessia na Rua 7 de Setembro, em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Um atropelamento registrado na tarde de terça-feira na Rua 7 de Setembro, no Centro de Blumenau, reacendeu a discussão sobre a travessia em frente ao Neumarkt Shopping. Embora haja duas faixas de segurança a poucos metros – em frente ao Himmelblau e à Catedral São Paulo Apóstolo – e um túnel exclusivo para pedestres, muitas pessoas ainda insistem em procurar o jeitinho brasileiro para atravessar. Sem segurança, muitos se arriscam entre carros nos horários de pico só para economizar alguns segundos.

Na terça-feira, pouco depois do acidente, a reportagem do Santa foi até o local e contou: em 30 minutos (entre 17h30min e 18h), 27 pessoas foram flagradas atravessando fora da faixa e correndo riscos. O fotógrafo Patrick Rodrigues clicou momentos em que as pessoas saem correndo pela Rua 7 para irem de um lado a outro. O problema é recorrente no local e constantemente é tema de discussão entre os órgãos responsáveis pelo trânsito de Blumenau. Mas a pergunta é: com duas faixas próximas e até um túnel, há o que fazer?

Em quatro horas, três pessoas são atropeladas fora da faixa de segurança em Blumenau 

Recentemente a direção do Neumarkt Shopping sugeriu a implantação de uma travessia – e se colocou à disposição até mesmo para financiar a obra. O projeto, porém, foi barrado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano, pois poderia comprometer o fluxo de veículos. Vale lembrar que o centro comercial fica entre dois semáforos, nos cruzamentos da Rua 7 de Setembro com as ruas Namy Deeke e Padre Jacobs.

Na opinião dos especialistas em trânsito, conscientizar o pedestre é algo complicado e apenas situações como a de terça-feira – em que um homem foi atropelado – podem mudar um pouco o comportamento. Para Márcia Pontes, as pessoas insistem em atravessar fora da faixa não por pressa, como muitos pensam, e sim por comodidade. Ir de um lado a outro em linha reta, embora seja mais arriscado, na cabeça do pedestre é o mais óbvio.

Em 30 minutos, Santa flagra 27 pedestres atravessando fora da faixa na Rua 7 de Setembro

– Desde que o mundo é mundo a gente anda para frente. O comportamento do pedestre é de andar em linha reta. Não é pressa, é comodidade. Ele não quer perder tempo. Eles assumem riscos altos em nome da comodidade e de um trajeto que seja o mais breve. Ele assume um risco e paga um preço caro por isso – conta a ex-coordenadora estadual do Maio Amarelo.

Márcia ainda explica que condutores que tiverem prejuízos por conta de atropelamentos fora da faixa de segurança podem procurar a Justiça, e diz que já há jurisprudência para isso. Assim, independentemente da condição do pedestre atropelado, ele terá que pagar uma indenização que corresponda ao prejuízo tido seja pelo motorista ou pelo motociclista. Para a especialista, talvez assim o pedestre entenda que, além dos riscos, o mau comportamento vai pesar também no bolso.

– (O pedestre) pode estar engessado, pode estar machucado, mas se o condutor acionar a Justiça, ele vai ter que pagar o estrago. Quem sabe dessa forma o pedestre entenda que seu corpo não é um para-choque. Se as pessoas se atentassem a isso jamais fariam esse tipo de coisa – avalia Márica.

“Travessia para pedestres suicidas", diz especialista

O presidente da Associação Catarinense de Trânsito (Actran), Fábio Campos, também vê a Rua 7 de Setembro em frente ao Neumarkt como um ponto de atenção, mas também diz que o comportamento do pedestre é que precisa ser debatido. Na avaliação de Campos, mensagens com tom de alerta no local poderiam forçar uma mudança na atitude daqueles que insistem em atravessar sem segurança.

– A irresponsabilidade gerou todo um prejuízo tanto para ele (o pedestre atropelado), quanto para o motociclista. Ali é uma travessia para pedestres suicidas. Tem que colocar mensagens, talvez assim assuste um pouco. Algo como “aqui já aconteceram ‘xis’ acidentes”, como uma forma de informativo e que tenha estatísticas – sugere Fábio Campos.

À reportagem, um pedestre que preferiu não se identificar disse que atravessou fora da faixa porque não sabia que ali próximo havia um túnel, e questiona a falta de sinalização. Para Márcia Pontes, essa desculpa não é válida:

– Embora a pessoa não saiba que ali tem túnel, ela tem que saber que há faixa de pedestres, tem que saber que não pode se jogar à frente dos carros e tem que saber que o seu corpo não é de ferro. O pedestre não gosta de nada que tem que passar em desnível. Seja embaixo da via, ou em cima da via.

 

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