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Educação06/09/2018 | 08h00Atualizada em 06/09/2018 | 13h31

Municípios do Vale superam metas do Ideb nas séries iniciais

Levantamento também mostra avanços nos anos finais, mas o ensino médio estagna

Municípios do Vale superam metas do Ideb nas séries iniciais Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Um quadro de crescimento nos anos iniciais, avanços nos anos finais e estagnação no ensino médio. A avaliação do ministro da Educação, Rossieli Soares, sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reflete bem o desempenho de cidades do Vale do Itajaí. Os números apontam que Blumenau, Gaspar, Indaial, Timbó e Pomerode conseguiram alcançar, e em alguns casos, até superar a meta projetada para 2017, ano-base dos indicadores. O resultado é percebido tanto na rede municipal quanto estadual, quando se olha exclusivamente para os primeiros anos de vida escolar das crianças.

Marialva Spengler, doutora em educação e há 30 anos voltada à formação de professores, considera que o desempenho percebido no levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgado na segunda-feira é positivo na região, sobretudo diante do desempenho geral do Brasil. Para a docente, os resultados refletem a prioridade dos municípios quando o assunto é ensino. Blumenau, por exemplo, alcançou em 2017, do 1o ao 5o ano da rede municipal, 6,6 pontos. A nota é superior à projetada para 2021. Do 6o ao 9o, a média ficou em 5,4, maior do que a estimada para 2019.

– As crianças chegam com vontade de aprender e os professores conhecem melhor os alunos, o que é fundamental. Além disso, o trabalho é mais organizado e sistemático – justifica a docente em relação aos anos iniciais.

Quando os estudantes chegam ao sexto ano, o cenário começa a mudar. Das cinco cidades  pesquisadas pelo Santa, Gaspar e Pomerode não atingiram a meta definida pelo Ministério da Educação na rede municipal. Nas escolas estaduais, nenhum dos municípios levantados pela reportagem alcançou a meta. O cenário se agrava no recorte específico do ensino médio: Blumenau, Gaspar, Indaial, Timbó e Pomerode ficaram distantes do que se esperava (ver quadro ao lado).

– Nos anos finais, o aluno fica perdido entre tantas disciplinas e o professor já não os conhece tão bem para trabalhar as dificuldades de cada um. Isso se estende no ensino médio e chega até a faculdade – explica Marialva.

A docente afirma que a situação chega a tal ponto que a própria universidade em que atua oferece cursos de português e matemática aos acadêmicos. Para a especialista, escolas melhor equipadas, formações continuadas mais eficazes, material didático de qualidade e participação efetiva dos pais são os pilares para o sucesso da educação e, consequentemente, do avanço nos indicadores 

– A partir de 2019, o governo vai cortar recursos para bolsas de pesquisa. O professor fica sem incentivo para trabalhar essas dificuldades e desestimula novas pessoas a ingressarem na carreira. Esse semestre, tivemos 20 matriculados em pedagogia. Esse número já chegou a 120. Falta valorização – critica. 

Modelo de ensino precisa mudar

Encontrar um novo formato e torná-lo mais atrativo é urgente. Acompanhar a evolução tecnológica é o primeiro passo. Segundo a professora, os alunos têm acesso a computadores e celulares o tempo todo e esse é um caminho sem volta, por isso a necessidade de incluir novas ferramentas no processo de ensino. Para tanto, os profissionais precisam estar capacitados e aí há a necessidade da formação continuada. A nova Base Nacional Comum Curricular e a Revisão do Ensino Médio, apontadas pelo governo como mecanismo para aprimorar a qualidade de ensino no país, são movimentos importantes, mas a especialista pondera:

– Muitas vezes essas mudanças não são feitas por quem de fato está lecionando e na hora de defini-las as autoridades acabam dando a palavra final. 

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Os números ajudam a traçar novas diretrizes

Nos municípios, os números ajudam a avaliar e apontar rumos. Considerando apenas as redes municipais, Blumenau e Indaial atingiram as metas projetadas para 2021 nos anos iniciais e para 2019 nos anos finais. A Secretaria de Educação de Blumenau creditou o bom resultado a medidas como o combate à evasão escolar, ao comprometimento dos professores e diretores e à formação continuada por área, oferecida desde 2016. Em Indaial, a prefeitura também atribuiu as notas às formações continuadas e à discussão constante da proposta pedagógica.

Em Timbó, que superou as metas de 2019 nos anos iniciais e finais, a secretaria relacionou as boas notas também à formação continuada, ao investimento em infraestrutura e multimídia em todas as escolas e a projetos de empreendedorismo e educação fiscal na sala de aula. Pomerode alcançou a meta nos anos iniciais, mas não nos anos finais. Segundo a prefeitura, projetos recentes focaram em temas como relacionamento humano e menos em Matemática e Língua Portuguesa, um dos focos do Ideb.

Em Gaspar, o índice caiu para 4.7, recuando para o equivalente à meta projetada de 2013. Por meio da assessoria, a prefeitura apontou que a média nos outros anos já era esta e atribuiu o desempenho ao fluxo de alunos de outros municípios, que teriam defasagem de ensino. A administração municipal de Gaspar informou que aumentou a oferta de cursos para professores dos anos finais e que tem um programa de acompanhamento com os novos alunos.

Nas escolas estaduais, os cinco municípios não alcançaram a meta nos anos finais e nem no ensino médio. Apenas os anos iniciais atingiram o esperado na rede do Estado. O gerente regional de Educação, Eliomar Russi, avalia que este cenário ocorre desde 2011 em escolas públicas e se repete em todos os estados, fazendo da reforma do Ensino Médio a grande discussão atual. Ele diz que Santa Catarina tem investido em formação continuada e na estrutura das escolas, mas considera que isso apenas recupera uma “dívida histórica” e reconhece que ainda é preciso “chegar mais longe”.

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