Rodrigo de Haro abre exposição de inéditas em Florianópolis - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Artes07/10/2016 | 10h51Atualizada em 07/10/2016 | 10h59

Rodrigo de Haro abre exposição de inéditas em Florianópolis

Ícone das artes em Santa Catarina e no Brasil, artista de 77 anos apresenta um prelúdio de seu próprio tarô com telas dos 22 arcanos maiores, além de revisitar alguns de seus temas favoritos, como as flores e o corpo humano

Rodrigo de Haro abre exposição de inéditas em Florianópolis Felipe Carneiro/Agencia RBS
Rodrigo de Haro Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

No princípio era um jardim:

¿E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado.¿ Gênesis, 2:8.

Ao citar Gênesis, Rodrigo de Haro legitima sua obra. As flores e os corpos — representações do belo, da abstração e do sagrado (homem é a imagem e semelhança de Deus...) interessam ao artista desde sempre. Com o poder dessas imagens ele evoca cenas submersas no inconsciente humano e as torna acessíveis, seja em pinturas, gravuras ou poemas. De sexta (7) ao dia 1º de novembro, o artista de 77 anos apresenta sínteses de seu infindo repertório artístico em exposição inédita na Galeria de Arte Helena Fretta, em Florianópolis. A curadoria é de Fabrício Peixoto.

Dos Arquétipos (O Poder das Imagens) é a primeira exposição em quatro anos de Haro, ícone nas artes visuais e na literatura de Santa Catarina e do Brasil. Nos últimos 18 meses ele produziu 39 obras que revisitam algumas das preocupações que o perseguem desde sempre. São 12 jarrões de flores, nada original em seu trabalho, porém que nesta mostra identificam-se com o zodíaco e aparecem não como elementos de decoração, mas associação espiritual. Assim, flores enigmáticas representam cada um dos signos.

As cartas de tarô, um dos seus temas favoritos, aparecem nas estampas feitas em acrílico sobre papel dos 22 arcanos maiores. As pinturas são um prelúdio para a criação de seu próprio tarô:

O artista planeja criar seu próprio tarô  Foto: Rodrigo de Haro / Reprodução

— Sei que estaria apto para criar o meu tarô. Não será agora, mas aí vai o meu anúncio, mais íntimo, das maravilhosas estampas que me acompanham inspiradas no Tarô de Marselha. O próximo será o meu — anuncia.

Nas cartas aparecem naturezas mortas e as habituais criaturas embuçadas, sempre enigmáticas.

— O tarô se introduziu aos poucos na minha obra e foi se intensificando. Uma das razões é a beleza plástica das cartas. Mas é preciso estar preparado para entender a mística — diz ele. 

Rodrigo de Haro também tem projeto para a construção de um parque do tarô Foto: Rodrigo de Haro / Reprodução

O patrono dos pintores

Ainda no mesmo tom de segredo, do sagrado e do que vai além do conhecimento racional, Rodrigo de Haro apresenta a pintura de dois santos, um deles fundamental em sua produção: Santa Catarina de Alexandria, a primeira representação intelectual da mulher. O outro é São João Damasceno (676 - 749 dC), a quem se deve a liberação da representação da figura humana na arte do ocidente, então proibida. Ao derrubar a iconoclastia no Concílio de Niceia, torna-se padroeiro da pintura.

— Ele defendeu que o corpo deveria sim ser representado. Jesus tinha descido à terra e habitado um corpo, afinal. Esse sermão liberou as artes — conta o artista.

Foto: Rodrigo de Haro / Reprodução

Rodrigo de Haro nasceu em Paris. Seu pai, o célebre artista Martinho de Haro, havia ganhado uma bolsa de estudos e tão logo a Segunda Guerra Mundial eclodiu, voltou com a família para Santa Catarina. 

Como toda criança, naturalmente pintava desde menino. Cresceu e embora tenha aprendido com mestres e não com a escola, transformou-se num literato, intelectual que domina filosofia, história e tantos outros assuntos quanto se possa imaginar. Tem mais de 10 livros publicados, entre contos e poemas, e ocupa a cadeira de número 35 na Academia Catarinense de Letras.

O mito, o sagrado, a tradição e a memória sempre perpassaram sua expressão artística, seja em letras ou tintas. Ao falar de sua obra, e do quanto é permeada pelo fantástico e pelo místico, esclarece que isso ocorre não porque seja um religioso, mas sim um homem civilizado e educado dentro da sociedade ocidental.

— A existência é uma experiência do sagrado que se expressa em epifanias — afirma.

E retorna às flores para falar da arte e do que chama de a soma das dádivas:

— Flor é a mais livre forma no sentido de uma abstração.

No princípio, era um jardim.

AGENDE-SE

O quê: abertura da exposição Dos Arquétipos (O Poder das Imagens), de Rodrigo Haro
Quando: sexta (7), às 19h. Visitação até 1° de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 18h30. Sábados, das 9h às 13h
Onde: Galeria de Arte Helena Fretta (Rua Presidente Coutinho, 532, Centro, Florianópolis)
Quanto: gratuito
Informações: (48) 3223-0913

Além da mostra, estão programados o lançamento de um catálogo e quatro palestras com o artista e o curador. O projeto idealizado pela galerista Helena Fretta foi aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e patrocínio da Flex Gestão de Relacionamentos.

Foto: Rodrigo de Haro / Reprodução

Diário da Repóter
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