Galã da TV e do teatro, Alexandre Nero se apresenta pela primeira vez em Florianópolis - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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O sucesso é relativo04/11/2016 | 06h03Atualizada em 04/11/2016 | 11h16

Galã da TV e do teatro, Alexandre Nero se apresenta pela primeira vez em Florianópolis

Mais de 20 anos depois da última vez que esteve na Capital, o ator e músico Alexandre Nero protagoniza o espetáculo "O Grande Sucesso" no Teatro do CIC 

Galã da TV e do teatro, Alexandre Nero se apresenta pela primeira vez em Florianópolis Priscila Prade/Divulgação
Qpós longa temporada no Teatro Vivo, em São Paulo, espetáculo marca o retorno do ator, indicado ao EMMY internacional, para o Sul do Brasil Foto: Priscila Prade / Divulgação

Justamente agora que está na posição que as pessoas chamam de sucesso, Alexandre Nero achou que seria interessante e necessário brincar isso. O Grande Sucesso marca a volta do ator, músico e compositor de 46 anos aos palcos — exatamente 10 anos depois que um olheiro da Globo o descobriu durante o Festival de Teatro de Curitiba e abriu portas para que o curitibano desbocado inaugurasse uma nova era de galãs da TV. A peça estreou em agosto e será apresentada neste sábado e domingo no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis.

O espetáculo lembra a tradição de comédias de bastidores. Conta a história de um grupo de artistas secundários que espera na coxia sua vez de entrar em cena. O sucesso é o cerne da montagem, muito embora caminhe lado a lado com o fracasso. Escrita e dirigida por Diego Fortes, originalmente de Curitiba como Nero e outros atores, tem trilha sonora original com Nero dando vazão à sua versão cantor.

Ele volta a Florianópolis depois e 20 anos. Em entrevista por e-mail, ele lembrou que a última vez que esteve por aqui foi com "uma banda que tinha". Confira como foi a conversa:

"Eu queria um espetáculo que falasse sobre o sucesso e o fracasso"

Nos reunimos, atores e equipe, por 2 meses em Curitiba. Eu queria um espetáculo que falasse sobre o sucesso e o fracasso, porque vivemos numa cultura onde apenas o sucesso é valorizado. A peça foi encomendada por mim ao autor, Diego Fortes, com quem já trabalhei em Curitiba, em cima de um processo de improvisações, mas a interlocução artística do espetáculo é minha, ou seja, eu faço o papel da pessoa que liga todos os pontos, como as coisas se comunicam e chegam ao seu final no espetáculo. A sonoridade, o tipo de humor, o texto a ser dito, o figurino... Cada coisa tem um responsável.

O projeto saiu da minha cabeça e depois tomou proporções bem maiores em função de todo o elenco e equipe, em especial a interferência da nossa preparadora de movimento Carmem Jorge, que foi fundamental para que a estética e a concepção de O Grande Sucesso fosse o que é. Enfim, o espetáculo todo tem tudo a ver comigo. Sabia bem quem estava chamando quando pensei no projeto.

Sinto-me muito orgulhoso por estar num espetáculo como artista e criador. Na televisão e no cinema é raro isso acontecer, até por questões de tempo. Quisemos mostrar que é possível fazer algo que não seja quadrado e careta, um musical original, bastante diferente do modelo americano que todo mundo conhece. A peça também é muito bem humorada, tem o meu humor irônico, sarcástico, bastante curitibano.

"Sem muitos fracassos não se chega ao sucesso"

Sucesso e fracasso são dois conceitos muito particulares. O que é sucesso para as outras pessoas não é necessariamente sucesso pra mim, e que o é fracasso para elas, não é necessariamente fracasso pra mim.  Sem muitos fracassos não se chega ao sucesso. Não existe uma fórmula, existem tentativas. Todas as pessoas erram muito mais do que acertam os alvos. No nosso trabalho lançamos flechas o tempo todo: se acertamos ou não, é uma avaliação muito particular de cada um. Fracassar, para mim, faz parte do meu dia-a-dia, lido com isso com muita naturalidade. Achei que seria interessante e talvez necessário, justamente no momento em que estou na posição que a pessoas chamam de sucesso, poder brincar com tudo isso. Quero dizer que esse lugar não é intocável ou de verdades absolutas. O sucesso e o fracasso são coisas muito pessoais.

Fama não é sucesso: "tudo isso é ilusório"

As pessoas confundem muito sucesso com fama. Eu sempre me senti um sucesso, porque eu sempre fiz coisas que eu gostava e sempre vivi dignamente do meu trabalho. Acontece que quando você vai para a TV, ainda mais quando interpreta protagonistas de novelas da 21h, as pessoas te colocam num lugar quase sagrado, mas tudo isso é ilusório. Um dia você é o cara, no outro não. Hoje é galã e amanhã volta ao chamado ¿segundo escalão¿, na visão dessas pessoas.

 "Todos temos um pouco de herói e vilão"

Acredito que o público se identifique tanto com os vilões quanto com os heróis, porque todos temos um pouco dos dois. Meus personagens sempre têm muita coisa minha. Tento fazer com que eles sejam humanos e possíveis, dentro da ficção e da fantasia que é a televisão. Além disso, todo o processo é coletivo e eu sempre tive muita sorte de contracenar com elencos maravilhosos, textos instigantes, diretores muito competentes. É muita gente envolvida, o mérito não é só meu. São muitos profissionais por trás de um personagem. Tem muito de mim, mas também tem muito dessa equipe.

A catarinense Priscila Prade assina a direção de produção do espetáculo Foto: Priscila Prade / Divulgação

Censura nas redes sociais?

Sempre, ninguém é 100% sincero. Mas já foi bem mais divertido. Tenho ficado um pouco distante das redes sociais, ultimamente. As redes sociais viraram um lugar onde as pessoas vão para destilar ódio e isso não me interessa.

Músico antes de ser ator

Na verdade o músico veio antes do ator, mas nunca separei uma coisa da outra. Eu entendo um texto como música e a música como um texto. Toda vez que eu atuo eu estou fazendo música e toda vez que eu faço música, eu estou atuando.

No espetáculo somos todos atores e músicos, todos tocam e cantam, ou seja, está tudo interligado, se complementa.  Queria fazer um musical, mas que fugisse do estereótipo. Tentar buscar algo original, mesmo que fracassasse. Queremos sempre o sucesso, mas ele não deve ser o objetivo, mas sim a consequência. Além disso, busco projetos nos quais eu acredite, que me instiguem, que me façam sentir orgulho, tanto faz ser no teatro, no cinema, na televisão ou num show de música. Por isso até a minha demora em voltar ao teatro, precisava de um espetáculo que realmente me desse gana de fazer. Hoje sou mais conhecido como ator, mas minha carreira na música sempre caminhou junto.

Faltou tempo para ir à Florianópolis

Faz bastante tempo que não vou a Florianópolis, acho que uns 20 anos. Estive aí fazendo um show com uma banda que eu tinha. O que me faltou foi tempo, mesmo. Depois que entrei na Globo, estou há oito anos emendando um trabalho no outro, essa é a primeira vez, nesses últimos anos, que consigo sair em turnê pelo Brasil com um projeto de teatro.

"Fazer novela é tarefa árdua"

Fiquei muito feliz com a indicação ao Emmy Internacional, mas sobretudo muito surpreso quando soube. Não é todo dia que a gente descobre que concorre a um Emmy, e com atores como Dustin Hoffman, Florian Stetter e James Wen. Fazer uma novela é uma tarefa intensa, árdua. São meses e meses de trabalho, 10, 12 horas de gravações diárias, resmas e resmas de texto para estudar e decorar, quase um longa-metragem por dia... Esse prêmio só confirma que o Brasil produz hoje uma dramaturgia de muita qualidade para a TV.

Agende-se
O quê
: O Grande Sucesso, com Alexandre Nero
Quando: sábado, às 20h. Domingo, às 18h
Onde: Teatro Ademir Rosa, no CIC (Av. Irineu Bornhausen 5.600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: R$ 100 / R$ 50 (meia). À venda nas bilheterias dos teatros do CIC, TAC e Pedro Ivo e via Blueticket Vantajoso. Sócios do Clube do Assinante têm 20% de desconto.
Informações: (48) 3664-2628
Classificação etária: 14 anos

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