Maicon Tenfen inova em O Filho do Capitão Trovão, seu primeiro livro infantil - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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No universo dos pequenos07/02/2017 | 10h37

Maicon Tenfen inova em O Filho do Capitão Trovão, seu primeiro livro infantil

Obra do escritor e professor universitário brinca com o imaginário dos super-heróis para falar sobre vícios

Maicon Tenfen inova em O Filho do Capitão Trovão, seu primeiro livro infantil Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

A ideia já estava na cabeça há uma década, metade do tempo de carreira de Maicon Tenfen - que deu os primeiros passos na Literatura em 1996. O que faltava para o enredo se materializar era o ponto de vista, o tom a ser usado. Foi aí que o escritor e professor universitário da Furb percebeu: tinha um livro infantil nas mãos. O Filho do Capitão Trovão, publicado pela editora Biruta e com ilustrações de Laurent Cardon, já está disponível nas livrarias do país. 

A primeira obra do catarinense voltada para os pequenos nasceu de forma natural. Algo que Tenfen nunca havia imaginado fazer ganhou forma e nasceu espontaneamente. É desta mesma maneira que o autor fala, em entrevista ao Santa, sobre o próprio processo criativo, a experiência de transformar ideias em texto e os desafios da carreira. Confira:

Qual é a história de O Filho do Capitão Trovão?

A história é a seguinte: é um universo, uma cidade onde tem um super-herói chamado Capitão Trovão, que decide se aposentar. Ele vai passar os foguetes propulsores adiante — algo que tem muito nos filmes de super-heróis —, mas quem seria o sucessor? O personagem principal tem certeza de que é ele. O menino acha que é o filho do senhor Carlos Torres (que seria o alter ego do Capitão Trovão) e que o pai combate o crime e que por isso estava desaparecido. Então a gente pode ler a história de duas maneiras: como uma história de super-heróis, que eu imagino que as crianças vão ver deste jeito, ou como a história de um menino que idealiza um pai que é um super-herói e não alguém que tenha problemas.

Como foi o processo criativo do seu primeiro livro infantil?

O grande desafio foi a questão do tom, mas quando eu percebi que era um livro infantil comecei a pensar de maneira diferente e a imaginar muito em simbologia. Por exemplo, o Zuninga, o vilão. Zuninga é um sinônimo de cachaça. Os outros também: o Cascabulho, o Maçangana e o Bitruca, todos são sinônimos de álcool. Eu descobri essas palavras e coloquei. A ideia era essa, o super-herói não estava lutando contra o vilão, ele estava lutando contra o vício. O menino quer ajudar o pai e na hora que o homem está acorrentado, ele diz que tem que se livrar das correntes - que seria este vício. Então ele precisa de apoio da família, do filho, mas somente ele consegue se livrar das correntes. Por cima ela é uma história muito alto-astral, mas é muito triste também. Na verdade, é a história de uma criança que vai buscar o pai em um boteco.

Você tem planos para escrever outro livro infantil?

É muito provável que isso aconteça, mas tem que ser uma história que precise desse tom. Eu percebi que o livro infantil tem muito mais aceitação, você consegue mais resultados com ele. Mas eu não quero focar nisso. O texto tem que pedir, a história tem que exigir esse formato. No ano passado você completou 20 anos de carreira.

Como é o Maicon Tenfen hoje e quem era o Maicon Tenfen antes?

Quero crer que eu esteja um pouco mais maduro e saiba melhor o que estou fazendo, mas também não vejo muita diferença. O que eu vejo hoje é que acabo tendo mais acesso, mais oportunidade. Os primeiros livros que fiz foram impressos na gráfica e eu saía vendendo na rua. Agora, na questão de lidar com o texto, eu vejo que estou fazendo mais ou menos a mesma coisa. Eu publiquei mais de 20 livros, tive experiência com jornal — publiquei colunas durante 10 anos no Diário Catarinense e quatro anos do Jornal de Santa Catarina — fiz doutorado, mestrado, fiz roteiros e imagino que amadureci. Mas na verdade, a cada livro você começa com as mesmas incertezas e os mesmos desafios. Chega um momento em que o texto não vai e você abandona, depois o texto vai e você finaliza.

De que forma você continua se inspirando para escrever? Muita coisa vem de suas vivências?

Há livros que são pura imaginação. Obras que eu gostaria de ler na adolescência, por exemplo, baseado em filmes que vi, coisas que li, feito a partir de experiências lúdicas. E outros, normalmente quando é um conteúdo mais adulto, que claro que você vai pegar da sua vida, do que você imagina que poderia ter vivido mas não viveu. E então as reescreve.

O Filho do Capitão Trovão. De Maicon Tenfen, com ilustrações de Laurent Cardon. Editora Biruta. 37 páginas. R$ 44.

JORNAL DE SANTA CATARINA - Blumenau

 
 

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