"O politicamente correto é um atraso", diz Ney Matogrosso - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Rebolante04/04/2017 | 09h46Atualizada em 04/04/2017 | 09h46

"O politicamente correto é um atraso", diz Ney Matogrosso

Em entrevista à Itapema FM, cantor fala sobre comportamentos contemporâneos e diz que o Brasil está ficando muito careta. O artista faz show nesta terça-feira em Florianópolis

"O politicamente correto é um atraso", diz Ney Matogrosso Marcos Hermes/Agência Lens-15
Foto: Marcos Hermes / Agência Lens-15
Marina Martini Lopes

marina.lopes@itapemafm.com.br

Com ingressos esgotados, Ney Matogrosso, 75 anos, traz a Florianópolis nesta terça-feira a turnê de Atento aos Sinais. O espetáculo une músicas de compositores consagrados, como Caetano Veloso e Paulinho da Viola, a criações de novos nomes, como Criolo. Sob a direção musical do tecladista Sacha Amback, o show, já gravado em DVD, é uma superprodução – a maior da qual o artista já fez parte, segundo o próprio Ney. 

Leia a entrevista dada à Itapema FM:

Você já está há  quatro anos na estrada com a turnê Atento aos Sinais. O que o motiva a continuar? 
Não sou eu quem tem que dizer, é o público, porque depende da procura. Não há um esforço meu para manter essa turnê: eu faço um show, e o telefone já toca pedindo o próximo. Acho que eu seria castigado se tirasse de circulação uma coisa tão procurada [risos]. Em parte eu até queria parar, mas sinto que tenho que continuar.

Então você ainda não tem planos para depois da turnê?
Tenho algumas anotações, algumas ideias de repertório para um próximo show, mas ainda não está nada definido. Tenho shows da Atento aos Sinais até outubro. Eu tenho uma carreira muito estável, graças a Deus, mas nunca tinha acontecido nada assim. Nunca trabalhei tanto tempo com o mesmo show.

E por que você acha que isso acontece com essa apresentação, especificamente?Eu queria um show conectado com o momento atual. Acabou saindo mais conectado do que eu imaginava. Quando eu comecei, aquelas passeatas de 2013 ainda nem tinham acontecido, essa loucura toda [no cenário político atual] ainda nem tinha começado. O show é, agora, mais atual do que quando estreou. Isso atrai o público – e um público bastante heterogêneo. Sempre foi assim, graças a Deus, desde o Secos & Molhados. E eu adoro que seja.

O show traz composições de diversos artistas, de diferentes gerações. Como escolheu as composições?
O que mais me atrai são as letras. Eu vejo as letras como um texto de teatro, sabe? Como se fosse um teatro musical. Quando ouço uma música, eu me pergunto se eu, como compositor, falaria daquele assunto, daquele jeito – se sim, eu incluo no show. Nesse show eu misturei compositores de várias gerações, inclusive lancei cinco que eram desconhecidos.

Esse show já foi registrado em DVD. O que você trará de diferente para Floripa?Já mudou muito. Quando eu gravei o CD [Atento aos Sinais], eu entendi melhor as canções; quando gravei o DVD eu entendi melhor ainda. Estou muito mais solto agora. Claro que algumas coisas são marcadas por causa da iluminação, mas eu soltei algumas das coisas que eram marcadas e faço mais o que der na minha cabeça na hora. E depende muito do público: quanto mais ele me instiga, mais longe eu vou.

Você sempre foi um artista muito ousado, que desafiou padrões. Você acha que hoje a sociedade é mais liberal do que quando você começou?
 
A sociedade aceita mais as diferenças. Eu vejo um fluxo enorme de artistas transgênero aparecendo no panorama da música – isso quer dizer que agora há mais espaço para eles. Mas também acho que isso é uma contrapartida à caretice, é uma reação a certos aspectos da sociedade que são, sim, mais conservadores. Porque a caretice está mesmo se instalando no Brasil e no mundo. Esse politicamente correto é um atraso. Você não pode falar nada, não pode brincar com ninguém, tem que ficar dentro de um quadradinho. A gente já foi mais à vontade para viver. Existe um pensamento se expressando contra todas as liberdades, e essas liberdades começam a aparecer justamente contra esse pensamento. Não há mais submissão a esse pensamento tradicionalista. O comando é hipócrita, é corrupto – como você pode se submeter a isso? Ninguém vai mais se submeter a nada.

Até quando você pretende continuar?
Pretendo continuar enquanto eu tiver forças. Inevitavelmente, vai chegar um momento em que não terei – e eu digo isso sem sofrimento, olhando com naturalidade o trânsito da vida. Sei que haverá um limite. Mas, enquanto tiver forças, eu continuarei me manifestando.

Agende-se
Turnê Atento aos Sinais, com Ney Matogrosso
Quando: terça-feira (4), às 21h
Onde: Centro de Cultura e Eventos da UFSC
Ingressos esgotados

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