Andrey Lehnemann: conheça alguns dramas de tribunais que fizeram sucesso - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Coluna de cinema15/06/2017 | 14h00Atualizada em 15/06/2017 | 14h00

Andrey Lehnemann: conheça alguns dramas de tribunais que fizeram sucesso

Em tempos de julgamentos importantes em nosso país, nosso colunista traz sugestões de filmes relacionados à Justiça

Andrey Lehnemann: conheça alguns dramas de tribunais que fizeram sucesso Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação
Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

Enquanto a população brasileira se depara com as sequelas deixadas pelo julgamento do TSE, é impossível não analisar qual será a influência em obras futuras de nossa cinematografia. Se o Brasil é rico na produção de audiovisual, nunca trilhando uma única perspectiva, a projeção que podemos supor é, ao contrário do esperado, a forte influência econômica e política sendo discutida pela arte, nos próximos anos. Panoramas sobre acatamento, opressão, passividade, tolerância, direito, ordem e progresso, suspeito, deverão ser temas recorrentes. Isso é comum em regiões inundadas por algum contexto – o nosso, claro, político. No Oriente Médio, por exemplo, dezenas de filmes debatendo costumes perigosos, como o machismo predominante, foram temas claros durante um bom período. Na sociedade norte-americana, igualmente, a discussão era sobre o colapso econômico – o mesmo com a Europa, que nos trouxe filmes expositivos como Tabu, de Miguel Gomes.

Quanto a julgamentos e tribunais, que dispõem de nossas atenções nesses tumultuados anos, o cinema já nos entregou obras inesquecíveis que apresentam críticas sociais, jurídicas e até midiáticas. Qual o papel do cidadão nisso tudo? Da mídia? Como podemos mudar as coisas? Numa análise abrangente sobre o contexto que uma pessoa está inserida e o que a leva a cometer um crime, o Brasil já teve o filme de José Padilha, Ônibus 174, documentário que mostrava com profundidade o que chegava ao povo com julgamentos antecipados. Ainda no mundo dos documentários, o genial O.J.: Made in America, ganhador do Oscar desse ano, é um trabalho de quase oito horas que acompanha um dos julgamentos mais comentados dos EUA. Na obra, Ezra Edelman, o diretor, acaba estabelecendo não só uma abrangência sobre seu biografado, mas também sobre o próprio racismo na América. Preconceito, este, que já fora tema de outros brilhantes documentários que se passam em tribunais, tal como O Sol é Para Todos.

Numa abordagem recente, o público pode tanto olhar com carinho dramas poderosos, tal (o subestimado) A Condenação e Conduta de Risco, como também pode se entreter com a leveza inteligente de O Júri, que conta com atores do calibre de John Cusack, Dustin Hoffman, Rachel Weiz e Gene Hackman. Nos anos 90, Filadélfia e Questão de Honra nos inseriam em questões políticas palpáveis e genuínas. O primeiro, com a melhor atuação de Tom Hanks e Denzel Washington; o segundo, trazia a fala inesquecível do Coronel Nathan Jessup (Jack Nicholson): you can't handle the truth (você não suportaria a verdade).

Uma década antes, em 80, os tribunais também recebiam filmes fantásticos, como aquele do gênio Sidney Lumet, O Veredicto, com Paul Newman. O diretor ainda entrou no mundo da justiça noutras oportunidades: Sob Suspeita e a obra-prima 12 Homens e uma Sentença. Junto com o filme 12 Homens e uma Sentença, que se passa praticamente todo numa sala de júri, os meus favoritos ainda conta com Testemunha de Acusação, de Billy Wilder, que adaptava uma história de Agatha Christie, Anatomia de um Crime, de Otto Preminger, Justiça Para Todos, de Norman Jewison, que conta com um dos monólogos mais marcantes de Al Pacino, o clássico Julgamento em Nuremberg, de Stanley Kramer, e Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick, que nos exibe uma crítica diferente e específica.

Por sua vez, Paradise Lost e A Tênue Linha da Morte são casos à parte, já que ambos projetos salvaram a vida de pessoas inocentes. No documentário de Joe Berlinger e Bruce Sinofsky, a narrativa começava convencional, apenas como um retrato de um crime bárbaro, onde os assassinatos de três meninos, em Robin Hills, levaram as autoridades a três adolescentes. O motivo das suspeitas contra os jovens? As roupas que vestiam e as músicas que escutavam eram consideradas satânicas. Percebendo a falta de provas, os cineastas imediatamente passam a nos guiar pela perspectiva dos meninos, mostrando que eles não podiam ter cometido os assassinatos e que o sistema judiciário julgava inocentes. No terceiro filme, nós conhecemos os destinos dos três, agora com bem mais idade, e a identidade do assassino. É, provavelmente, uma das melhores trilogias da história do cinema.

O filme de Errol Morris, por sua vez, que já nos brindou nesses anos com Sob a Névoa da Guerra e Uma Breve História do Tempo, é fruto de uma pesquisa intensa sobre o assassinato de um policial durante uma abordagem de rotina, na cidade de Dallas, no Texas. Outro inocente está sendo julgado.

Julgamentos sociais e técnicos são diferentes, e o cinema conseguiu trabalhar com ambos durante esses anos. As peças para o cinema brasileiro dialogar com o público estão deixadas na mesa.

Leia também:

Leia todas as colunas de Andrey Lehnemann no Diário Catarinense

"Beatriz at Dinner": Salma Hayek comenta filme sob medida para os Estados Unidos de Donald Trump

Confira lista com os destaques do Festival Varilux de Cinema Francês

Conheça os 45 filmes selecionados para o Festival Florianópolis Audiovisual Mercosul, o FAM 2017


 
 

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaTJ-SC mantém condenação a prefeito de Jaraguá do Sul por agressão a morador https://t.co/6pInnt69XQ #LeiaNoSantahá 28 minutosRetweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaVÍDEO: Bandidos assaltam lotérica em supermercado de Florianópolis https://t.co/jIz9lI5V5F #LeiaNoSantahá 35 minutosRetweet
Jornal de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros