Andrey Lehnemann: uma indicação de filme nacional e a escassez no Netflix - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Cinema29/06/2017 | 14h00Atualizada em 29/06/2017 | 14h00

Andrey Lehnemann: uma indicação de filme nacional e a escassez no Netflix

"Mulher do Pai", de Cristiane Oliveira, começa como um drama açucarado e se desenvolve a relação de um pai cego e sua filha adolescente

Andrey Lehnemann: uma indicação de filme nacional e a escassez no Netflix Vitrine Filmes/Divulgação
Foto: Vitrine Filmes / Divulgação
Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

Na Mostra de São Paulo de 2016, eu assisti a alguns grandes filmes brasileiros, tais como A Repartição do Tempo, Martírio, Leste-Oeste, Vermelho Russo e tantos outros. Foi no sexto dia da mostra que me deparei com o interessante filme de Cristiane Oliveira, distribuído pela Vitrine Filmes, Mulher do Pai. É uma obra um pouco dura e reticente, mas que carrega a mesma essência do catarinense Lua em Sagitário, onde "forasteiros" revitalizam as tensões em ambientes familiares. Ambos os longas-metragens apostam mais na química e desenvolvimento de seus personagens, ao mesmo tempo que tornam abordagens sociais, sexuais e políticas coadjuvantes. O filme de Oliveira se sai melhor, neste aspecto. Adolescentes descobrindo o sexo e conversando sobre suas novas descobertas rendem momentos espirituosos. É a curiosidade pelo corpo que avança a controvérsia da obra.

Na casa estreita e de pouca luz da família, Nalu e seu pai Ruben (Marat Descartes, brilhante) começam a ficar mais íntimos, após a morte da avó da garota que gerenciava a casa. O pai cego não pode se cuidar sozinho e Nalu precisa amadurecer rápido demais. É assim que inicia o filme brasileiro, cuja missão é dar vida para pessoas isoladas da insanidade mundana da cidade e curiosos sobre tudo. É essa curiosidade que desperta algo estranho em Nalu por seu pai, quando ela o vê tomando banho pela primeira vez. Esse tom incestuoso instabiliza o drama açucarado proposto no começo e foca na aproximação do pai e filha. Cenas como as da filha descrevendo o filme Transformers para Ruben ou o pai ouvindo as conversas de sua filha atrás da parede (um simbolismo eficiente) são os grandes momentos de Mulher do Pai. Uma pena que esses bons exemplos sejam raros na sua estrutura.

No Netflix

Fui convidado esses dias a escrever sobre alguma indicação da temporada. Cinema ou Netflix. E me deparei com a pobreza que estamos vivendo na plataforma. Com uma clara intenção de se voltar ao conteúdo exclusivo, na maior parte, Netflix cada vez mais investe em seriados e documentários, esquecendo-se de ampliar ou diversificar o catálogo de outros gêneros. Quem gostaria de fugir de vez de torrents e outros serviços mais caros, frustra-se com a carência da plataforma. A debandada da FOX aponta para o futuro mercadológico da companhia: acervo próprio. Enquanto musicalmente, a pirataria começa a ser vencida (claro, ainda há problemas com direitos autorais no Spotify, mas o futuro é promissor), as distribuidoras de filmes e de livros precisam urgentemente abraçar um modelo para que o cidadão consiga desfrutar legalmente da cultura que é todo ano lançada no mundo. Nem todo o cinéfilo vive de festival e afins.

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