"Quando eu falo que sou palhaço, as pessoas acham que é brincadeira", conta Marcos Casuo - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Circo pop09/06/2017 | 13h00Atualizada em 09/06/2017 | 16h06

"Quando eu falo que sou palhaço, as pessoas acham que é brincadeira", conta Marcos Casuo

Ex-protagonista do Cirque de Soleil chega a Santa Catarina neste final de semana com Universo Causo, um dos maiores espetáculos circenses do mundo

"Quando eu falo que sou palhaço, as pessoas acham que é brincadeira", conta Marcos Casuo Ronie Stein/Divulgação
Ex-protagonista do Cirque de Soleil chega a Santa Catarina neste final de semana com Universo Causo Foto: Ronie Stein / Divulgação
Marina Martini Lopes

marina.lopes@itapemafm.com.br

Florianópolis e Chapecó estão na rota de um dos maiores espetáculos circenses do mundo: neste final de semana, as cidades recebem o espetáculo Universo Casuo, desenvolvido e criado por Marcos Casuo, protagonista do espetáculo Alegria, do Cirque du Soleil. O show já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas nesta nova turnê, que passou por Argentina, Colômbia, Paraguai, Chile e diversas cidades do Brasil. A apresentação inclui acrobacia, dança, equilíbrio, música ao vivo e diversos efeitos especiais, apresentando ao público um universo paralelo, regado de cores, magia, sonhos e fantasias – são 43 pessoas envolvidas na produção. Em entrevista exclusiva à Itapema, Casuo falou mais sobre o espetáculo, sua carreira e o cenário atual do circo no Brasil e no mundo. 

Meta Cirque du Soleil
Desde criança, eu sempre tive essa aptidão para arte: sou artista plástico, já fui bailarino, fiz ginástica olímpica¿ Sou meio que um "ex-tudo" (risos). A coisa do circo surgiu na minha vida lá em 1991, 1992¿ Eu queria me aprimorar na arte, principalmente como ator, e percebi que o circo me proporcionaria isso – ali havia tudo de que eu precisava para me desenvolver como artista. Eu decidi que o circo seria meu palco. Eu já me apresentava pelo Brasil quando vi uma fita do Cirque du Soleil – na época ainda era fita – e estabeleci aquilo como meta: decidi que um dia ia fazer parte do elenco deles. Passei anos me preparando, consegui, e fiz parte da equipe do Cirque por oito anos. De 2008 para 2009 eu tomei a decisão de ficar no Brasil e abrir minha própria produtora, e com isso surgiu o Universo Casuo. Para mim, é tudo muito mágico, porque, quando abre mão de algo tão grandioso – como o Cirque -, você não imagina que algo melhor ainda possa acontecer. E o Universo Casuo tem sido isso para mim: eu vivo nossos espetáculos com a mesma emoção com que vivia os do Cirque. 

O espetáculo
Eu escrevia esse espetáculo desde a época no Cirque du Soleil. Já tinha alguns quadros prontos, algumas cenas, a essência do que eu queria passar para o público. A produção em si começou lá em 2009, logo que eu saí do Cirque. Eu queria fazer um espetáculo com uma mensagem motivadora e poética sobre a vida, algo que inspirasse as pessoas a respeitar o planeta e uns aos outros. Mas eu não queria fazer um padrão convencional, igual aos outros circos do Brasil, então tive que ir atrás desse diferencial. Eu pensei muito em como fazer o público se teletransportar para esse outro universo, ver não um artista ali no palco, e sim um personagem realizando a performance. Houve muita pesquisa – sabe essa técnica meio Disney, de criar um mundo encantador? Eu também botei a mão na massa nos figurinos, com a ajuda do carnavalesco Chico Spinoza, que é meu amigo. Pensamos em toda a parte das cores dos figurinos, com base na cromoterapia. Acabou sendo meio que uma junção de todas as minhas vivências, dos meus 25 anos de carreira. 

Foto: Universo Casuo / Divulgação

Logística do circo
Normalmente a aparelhagem, a luz, o som, chega na cidade um dia antes do espetáculo; e os artistas, cerca de oito horas antes. Cinco horas antes eles já têm que estar no local da apresentação, para se aquecer, concentrar, fazer maquiagem¿ Uma hora antes do início, todo mundo tem que estar pronto para pisar no palco. Os artistas treinam pelo menos de segunda a sexta, às vezes de segunda a segunda, de cinco a oito horas por dia – e isso para, às vezes, passar quatro ou cinco minutos em cena. 

Limite para a tecnologia
Acho que o que limita são os valores. (risos) Sabe, nós não temos patrocínio, incentivo fiscal, cultural, nada disso: é tudo gestão. Eu tive que aprender sobre gestão empresarial para não depender dessas coisas – se dependesse, talvez meu projeto estivesse na gaveta até hoje. Mesmo assim, nós viajamos com 28 toneladas de aparelhagem tecnológica. A tendência hoje é justamente seguir a tecnologia e se atualizar. Usamos a tecnologia a nosso favor e criamos um equilíbrio entre ela e a coisa mais convencional: o teatro, a poesia, os figurinos desenhados à mão. Não deixamos de fazer arte por causa da tecnologia, muito pelo contrário: usamos a tecnologia para fazer a arte mais verdadeira. E o nosso termômetro também está na tecnologia, na internet, nas pesquisas e repercussão entre o público. 

Reinvenção do circo
Se o circo não se renovar, ele vai começar a ficar em segundo, terceiro, quarto plano. Com tantas opções de entretenimento no mundo, a competição está cada vez mais acirrada. O circo se transformou, virou uma empresa de entretenimento – o circo tradicional, de lona, não consegue mais rodar com a gestão convencional. Tem que ser uma coisa mais produzida, tem que atrair as pessoas. Precisamos de espetáculos temáticos, bom atendimento, conforto onde as pessoas vão se sentar. As pessoas estão cada vez mais exigentes, e querem ser surpreendidas. Se não pensarmos nisso, não vamos ter uma vida muito longa.

 Trilha sonora ao vivo
Faz toda a diferença. Nós aumentamos nosso leque de entretenimento: reunimos gente que gosta das performances, de dança, de teatro, de poesia – e, com a banda ao vivo, de boa música. As composições são do Charlie Dennard, que trabalhou comigo no Cirque, e a banda, a White Clowns, é comandada pelo Igor Pimenta. E os cantores se expressam de acordo com as performances, então eles também fazem sua própria performance. O público se encanta, também, com as performances dos músicos. 

Artista de circo no Brasil
Claro que meus pais queriam que eu fosse médico ou advogado, mas fazer o quê? Eu queria ser palhaço. (risos) Então meus pais me disseram "se você decidiu fazer isso, então faça o melhor que puder". Tem que pesquisar, se dedicar, ir fundo.  Nunca me ensinaram a ser empreendedor, por exemplo; eu tive que ir atrás. Até hoje, quando eu falo para as pessoas que sou palhaço, que esse é meu trabalho, minha profissão, as pessoas acham que é brincadeira. Mas, conforme você vai aprendendo com a estrada e com as outras pessoas e se firmando no mercado, fica mais fácil. O artista ainda é muito discriminado no Brasil, então é importante fazer as pessoas te verem com seriedade. Eu sou palhaço, mas tem muita seriedade no que eu faço. Viver da arte é complicado, mas também é muito prazeroso – principalmente quando você é reconhecido por seus méritos.  

Espetáculo Universo Casuo
Quando: sábado (10), às 21h30, em Chapecó; e domingo, às 20h, em Florianópolis 
Onde: Chapecó: SER Aurora (Antônio Morandini, Jardim Itália); Florianópolis: Centrosul (Av. Gov. Gustavo Richard, 850, Centro)
Quanto: em Chapecó, a partir de R$ 90, à venda no site Blueticket; em Florianópolis, a partir de R$ 100, à venda no site Minha Entrada. Desconto de 20% para sócio do Clube do Assinante na compra do ingresso antecipado.

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