"Universo Casuo" é um espetáculo de equilíbrio, força e bom humor, mas deixou a desejar - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Magia do Circo12/06/2017 | 08h28Atualizada em 12/06/2017 | 08h28

"Universo Casuo" é um espetáculo de equilíbrio, força e bom humor, mas deixou a desejar

Companhia criada pelo ex-Cirque Du Soleil Marcos Casuo fez única apresentação em Florianópolis no domingo, em palco montado no Centrosul

"Universo Casuo" é um espetáculo de equilíbrio, força e bom humor, mas deixou a desejar Rubens Flôres / Divulgação/Divulgação
Foto: Rubens Flôres / Divulgação / Divulgação

Um dia sem sorrir é um dia perdido. A frase atribuída a Charles Chaplin foi lembrada por Marcos Casuo, o palhaço ex-integrante do aclamado Cirque Du Soleil, durante a apresentação do espetáculo Universo Casuo no último domingo, em Florianópolis. Talvez não exista sentença mais apropriada para a experiência com circo, principalmente se a plateia estiver lotada de crianças risonhas. Entre palhaços e contorcionistas, faz lembrar que rir e que saber que nem tudo é impossível — como equilibrar dois corpos apenas com a mão, por exemplo — deixa a vida mais leve.

Com duração de quase duas horas, a trupe de Universo Casuo apresentou uma sequência de números acrobáticos, de equilíbrio e força no palco montado dentro do Centrosul, intercalados por três palhaços interpretados pelo próprio Casuo. Foi um espetáculo tão musical quanto circense, com a banda The White Clowns executando (e muito bem) trilha sonora original. A música deu mais dramaticidade às atrações.

Foto: Rubens Flôres / Divulgação

A apresentação fugiu do formato tradicional. Em vez de picadeiro e uma grande lona, Universo Casuo levou tecnologia e luzes para o palco. Os números acrobáticos, embora não tanto originais, foram um convite a pensar o quanto é possível experimentar e explorar o corpo humano. O personagem Arnuchavan, por exemplo, usando apenas um aro gigante fez rodopios e acrobacias tão hipnotizantes que pareciam mesmo transportar o público para outra dimensão. Ou então a personagem Earth, que enrolada num tecido desafiou o perigo e ao mesmo tempo ensinou sobre confiar na força do próprio corpo.

Foto: Rubens Flôres / Divulgação

Aliás, dos números acrobáticos e de força essa é a maior lição. Ao ver movimentos que parecem impossíveis, parece que cai uma ficha sobre como o corpo humano é ilimitado. E que por meio da arte, da disciplina e do conhecimento é possível experimentá-lo e elevá-lo ao ápice da beleza. 

 Os palhaços de Casuo também foram uma atração à parte. Brincou com o público e chamou alguns poucos para o palco, fazendo-os experimentar o papel de palhaço. É preciso coragem e humildade para expor o avesso e o ridículo que está em cada um.

Foto: Rubens Flôres / Divulgação

Mas diante de tanta expectativa gerada em torno de um nome que chegou a protagonizar espetáculo de uma das mais conhecidas companhias circenses do mundo, Universo Casuo deixou a desejar. Ou talvez o lugar escolhido para a apresentação. O Centrosul não tem necessariamente a atmosfera ideal para uma apresentação com números circenses e teatrais. O palco era pequeno e não estava bem visível à distância. Os números de trapézio e tecido, principalmente, mereciam mais altura.

E embora as atrações tenham sido bem feitas, não saíram tanto do que já é conhecido em circos tradicionais. A promessa de muitos efeitos tecnológicos também não se cumpriu como o esperado.

Ao final, Marcos Casuo contou sua história e fez uma importante provocação. Ele diz:

— Sonhe e realize. 

Foto: Rubens Flôres / Divulgação

Leia também
"Quando falo que sou palhaço, acham que é brincadeira", conta Marcos Casuo
Mostra de Longas do FAM 2017 abre com filme sobre o nazismo em SC

 
 
Jornal de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros