Com livros corroídos e instalações, artista Juliana Hoffmann revisita suas memórias em nova exposição - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Exprimível do Vazio20/07/2017 | 04h01Atualizada em 20/07/2017 | 04h03

Com livros corroídos e instalações, artista Juliana Hoffmann revisita suas memórias em nova exposição

Catarinense busca novamente referências de sua própria trajetória na mostra que abre nesta quinta-feira, na Fundação Badesc, sua primeira com curadoria

Com livros corroídos e instalações, artista Juliana Hoffmann revisita suas memórias em nova exposição Cristiano Estrela/Agencia RBS
Catarinense busca novamente referências de sua própria trajetória na mostra que abre nesta quinta-feira Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Livros carcomidos, garimpados em depósitos e bibliotecas na casa de familiares, transformados pelo tempo e que, se não fossem parar nas mãos de uma artista, provavelmente iriam para o lixo. A nova exposição da catarinense Juliana Hoffmann mostra um lado diferente da artista, que desta vez foge das pinturas e fotografias sobrepostas com as quais seu trabalho ficou conhecido para apresentar uma nova série.

— Há cerca de 10 anos encontrei esses livros em casa, que me chamaram a atenção, e guardei-os. Já estava há bastante tempo com essa ideia, mas as coisas vão acontecendo aos poucos. Além dos livros, trabalhei também com desenhos, linhas e fotografias recortadas — conta.

"Exprimível do vazio" fica em cartaz na Fundação Cultural Badesc até o dia 24 de agosto Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Como em trabalhos anteriores, a artista buscou nas próprias memórias a inspiração e o conceito da exposição. Seu pai era escritor e desde criança ela convivia com seus amigos literários. Ele também era professor de inglês e ensinava a língua às filhas por meio de leituras – por isso, muitas das obras presentes na exposição são em inglês.

— Muitos desses livros acompanharam a Juliana desde a infância. Não são apenas objetos, têm uma história. A parte conceitual, a ideia do exprimível do vazio, é o que a gente retira desse vazio, que são os corroídos pelas traças e cupins. São coisas que podem dar ao espectador a possibilidade de completar a obra — complementa a curadora Juliana Crispe.

É a primeira vez que a artista faz uma exposição individual com curadoria. É também a primeira vez que ela circula pelo Estado – Exprimível do vazio já passou por Chapecó e depois da Capital catarinense estará em cartaz em Jaraguá do Sul e Joinville, graças ao Circuito Propagações, um projeto da Fundação Cultural Badesc com o Sesc/SC. Mas sua produção artística é sólida, constante e vem desde os anos 1980 – ela desenha desde a infância, começou a pintar aos 10 anos e participou do primeiro salão aos 16. Chegou a cursar Engenharia Civil e a trabalhar brevemente na área antes de se dedicar exclusivamente às artes.

— Buscava alguma coisa que me desse segurança financeira. As exatas me atraem. Foi uma formação importante porque a engenharia te dá raciocínio lógico, pé no chão. O artista é bastante sonhador, então os dois juntos me dão um ponto de equilíbrio.

É a primeira exposição da artista com curadoria  Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Até mesmo essa parte da vida de Juliana está presente na exposição. A partir de buracos criados por traças nas páginas dos livros, ela criou uma série com linhas de propagação que lembram os mapas de curvas de nível que representam a topografia de um terreno, por exemplo. Também estão presentes na mostra outros elementos que são características reconhecidas de seu trabalho, como as linhas vermelhas, que já apareceram na exposição Entre-linhas e que remetem a relação com a mãe.

— Tem esses dois lados: a literatura da parte do meu pai e as linhas da parte da minha mãe. A linha entrou com força no meu trabalho depois que minha mãe morreu, há uns três anos. Eu passei uns seis meses com ela, parei de produzir nesse tempo e ficávamos bordando. Depois, voltei para o ateliê com vontade de bordar os quadros. Então é uma ligação forte com minha mãe — explica.

Agende-se
O quê: Exprimível do vazio, de Juliana Hoffmann
Quando: abertura nesta quinta-feira, às 19h, e visitação até 24/8, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h
Onde: Fundação Cultural Badesc (Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis)
Quanto: gratuita

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