Entenda por que o Festival de Dança de Joinville é o mais importante do Brasil - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Maior do mundo18/07/2017 | 07h01Atualizada em 18/07/2017 | 09h10

Entenda por que o Festival de Dança de Joinville é o mais importante do Brasil

35ª edição do evento começa nesta terça-feira e deve reunir 7,8 mil participantes até dia 29

Entenda por que o Festival de Dança de Joinville é o mais importante do Brasil Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Gabriel Lopes e Maitê Nunes, bailarinos da Cia. Jovem Bolshoi Brasil, estarão no palco na Noite de Gala Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

O Festival de Dança de Joinville começa nesta terça-feira pela 35ª vez, com a missão de manter seu papel de símbolo da excelência em dança no Brasil. Evento pioneiro na área, se reinventa a cada ano, e a cada edição bate seu próprio recorde. Em 2017, 7.800 pessoas confirmaram participação após 3.326 coreografias terem sido submetidas à tradicional seleção anual para a programação do Festival de Joinville. Serão 240 horas de espetáculos só na Mostra Competitiva, no Meia Ponta e nos Palcos Abertos, quando estudantes de dança são as estrelas do espetáculo.

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A Noite de Abertura (quarta-feira) contará com um dos maiores ícones da dança contemporânea no Brasil, a Cia. Deborah Colker, com o mais recente trabalho, Cão sem Plumas. Na Noite de Gala (dia 24), o passado recente será revisitado com a apresentação de bailarinos e grupos que se destacaram nas últimas edições da Mostra Competitiva e se tornaram profissionais, no espetáculo Gala 35 Anos.

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Outros sete espetáculos serão apresentados na Mostra Contemporânea de Dança (dias 22, 26, 28 e 29), que reúne trabalhos inovadores em diferentes gêneros; e na Estímulo Mostra de Dança (dias 20 e 27), em que grupos e escolas premiados no Festival são incentivados a produzir e apresentar obras completas no palco do Teatro Juarez Machado.

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Neste ano, o evento começa um dia antes da Noite de Abertura, como uma forma de valorizar os cursos oferecidos pelo evento: são 97 cursos com alguns dos profissionais mais renomados da área ensinando não só aos jovens estudantes, mas também seus professores e coreógrafos.

Uma história de sucesso

Se, em 1983, alguém parasse para idealizar um evento que marcaria Joinville e cresceria a ponto de se tornar referência na América Latina, a dança seria provavelmente um dos últimos temas apontados na lista de opções. Quando o primeiro Festival de Dança foi organizado, a grande preocupação era se os participantes realmente viriam: até então, nada fazia de Joinville uma cidade com destaque na área em relação a qualquer outra cidade do Brasil.

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Mesmo assim, só na primeira edição, cerca de 660 pessoas participaram do Festival de Dança – eram alunos de dança sedentos por palcos e por encontros com outros bailarinos. Desde então, cerca de 4,5 milhões de pessoas já passaram por Joinville no período do Festival nestes 35 anos.

— São vários pontos que ajudaram o Festival a se desenvolver. Existia um vácuo nessa área e eles [os primeiros organizadores] tiveram esta clarividência de fazer o evento na época das férias escolares, com estudantes e reunindo todos os gêneros da dança, o que só existe no Brasil — avalia o presidente do Instituto Festival de Dança, Ely Diniz.

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Ele não é, no entanto, um fenômeno isolado, que começa e termina nos 12 dias de julho em que a cidade ao Norte de Santa Catarina recebe pessoas do Brasil inteiro para o evento. A pesquisadora em dança Thereza Rocha explica o Festival de Dança de Joinville com a analogia da pedrinha jogada no lago que produz ondas para todas as direções: durante o ano inteiro, escolas e bailarinos se preparam para atingir o nível de excelência exigido para conseguir uma vaga na programação do evento – de preferência na Mostra Competitiva.

Além disso, ter premiações do Festival de Dança de Joinville no currículo tem um significado especial, que podem ajudar os bailarinos a serem contratados por grandes companhias nacionais e fazer grupos de dança independentes conseguirem convites para apresentações com cachê.

— O Festival de Dança tem sua parcela de responsabilidade no desenvolvimento da carreira de quase todo bailarino de destaque no Brasil. É difícil encontrar pessoas que estão em grandes companhias hoje que não tenham passado por Joinville — afirma o bailarino e coreógrafo Marcelo Misailidis.

Em 2005, o Guinness Book, publicação que registra os recordes mundiais, incluiu o Festival de Joinville no tópico ¿maior festival de dança do mundo¿, já que, no ano anterior, o evento havia reunido 4.500 participantes de mais de 140 grupos amadores e profissionais. Em 2017, este número já subiu para 7.800 participantes de 408 grupos. Mas, mais do que colecionar recordes, a organização quer garantir qualidade nas questões artísticas.

— Não temos a pretensão de ser o melhor do mundo, mas de estar entre os mais representativos do mundo. Em termos artísticos, o Festival de Joinville é o retrato do que está sendo feito na dança brasileira, que atualmente está exportando bailarinos para vários países — avalia Ely Diniz.

Festival começou a ser realizado no Ginásio Ivan Rodrigues e sempre teve um público fiel Foto: Reprodução / Arquivo pessoal

Um festival pioneiro e diferente

Quando Albertina Tuma e Carlos Tafur, na época diretora da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior e coordenador da Escola Municipal de Dança, decidiram assumir a responsabilidade de organizar um evento de dança em Joinville, não havia muitos modelos a seguir. Os festivais de dança que já haviam acontecido até então no Brasil limitavam-se ao eixo Rio-São Paulo, sem grande repercussão.

Por isso, decidiram reunir os quatro gêneros mais em alta na época – clássico, jazz, folclórico e moderno – que, com os anos, aumentaram e se adequaram às novas denominações: neoclássico, balé clássico de repertório, jazz, danças populares, dança contemporânea, sapateado e danças urbanas. Não há, em nenhum outro lugar do mundo, outro festival de dança que reúna tantos gêneros, a não ser no Brasil, em mostras e festivais que, de alguma forma, se inspiraram em Joinville.

— Em primeiro lugar, é claro, há o pioneirismo, mas o mais importante foi ter se profissionalizado a ponto de se tornar modelo neste nicho. Não se alcança este patamar a custo de uma boa ideia. Ela deve estar cercada de uma estrutura de profissionais e estar disposta a se modificar, tudo de forma muito criteriosa e cuidadosa — avalia Thereza Rocha, curadora artística do Festival.

O que o grande público enxerga, geralmente, no Festival de Joinville são os espetáculos: as noites com convidados especiais, a Mostra Competitiva e as apresentações pelas ruas da cidade. O que faz o evento tornar-se referência, no entanto, é muito mais: seu caráter é de ser um festival-escola, que oferece quase cem opções de cursos, com 3.480 vagas, um seminário com foco acadêmico com duração de dois dias, sessões de filmes temáticos, exposições e mostras paralelas.

O Festival sedia, ainda, a maior feira de artigos de dança da América Latina, que reúne figurinos, acessórios, equipamentos e outros produtos específicos para estudantes, bailarinos, professores e coreógrafos.

— Ele não é importante só para quem está competindo, mas para o aprendizado. Na Feira da Sapatilha, circulam informações e há lançamentos de novidades às quais as pessoas não têm acesso, mesmo quem mora nos grandes centros. Não se vê no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte um décimo do que é possível encontrar em Joinville. Aqui, as pessoas passam por uma imersão em dança – afirma Marcelo Misailidis.

Jorge Teixeira é considerado um dos coreógrafos mais importantes da nova geração Foto: Cynthia Vanzella / Agencia RBS

O mérito de ser um ¿bailarino de ouro¿

O principal acesso à arena multiuso do Centreventos Cau Hansen guarda a ¿passarela da fama¿, na qual todos os anos são atualizados os novos premiados das categorias especiais, como melhor bailarino e bailarina, melhor grupo, melhor coreógrafo e revelação. São os grandes destaques do evento, que têm o nome registrado para a posteridade, mas, para a maioria dos estudantes de dança e seus professores, o simples fato de estar na programação do Festival de Joinville é uma grande conquista.

Nos últimos anos, o número de vagas para a Mostra Competitiva diminuiu, exigindo ainda mais virtuosidade de quem consegue chegar à competição. Quem chega à Mostra Competitiva já tem a certeza de estar entre os melhores, mas o Palco Aberto, atualmente, também é motivo de orgulho. Se no passado não havia nenhum critério para fazer dançar nos palcos de rua e dos shoppings, agora a programação também é formada por coreografias de escolas que passaram pela peneira de uma rigorosa seletiva.

Ela começa com a seleção por meio de vídeos, assistidos por três especialistas de cada gênero que, individualmente, analisarão e darão notas. Se a média formada após esta avaliação for inferior a 7, o trabalho não segue para a segunda etapa, quando as apresentações são avaliadas pela curadoria artística do Festival de Joinville, atualmente formada por Ana Botafogo, Mônica Mion e Thereza Rocha. Elas escolherão quem chega à Mostra Competitiva – por vezes, apenas duas obras do mesmo gênero, modalidade e faixa etária entram para o programa.

— Neste ano, mais de 3 mil coreografias foram inscritas e, destas, 239 foram escolhidas para a Mostra Competitiva. Estamos falando de 6,7%. A maior parte vem para dançar no Palco Aberto. Temos 12 Estados e o Distrito Federal representados na Competitiva e 18 Estados no total: pessoas de seis Estados vêm só para dançar nos Palcos Abertos — enumera Ely Diniz.

O coreógrafo Jorge Teixeira, do Rio de Janeiro, sabe o que significa chegar ao nível de ser selecionado para a Mostra Competitiva. Ele conheceu o Festival de Joinville em 1989, quando veio fazer cursos com mestres como Jair Moraes e Roseli Rodrigues. Era apenas a sétima edição, mas a fama do evento já era a de ser o melhor do Brasil.

— As pessoas falavam que passar para dançar em Joinville era muito difícil. Somente as melhores escolas competiam aqui. Ser selecionado e dançar no Festival de Joinville já era a realização do sonho — lembra ele.

Quando viu, Jorge estava nos créditos como coreógrafo de várias apresentações na Mostra Competitiva. O evento virou parâmetro de qualidade: os espetáculos de sua escola eram preparados para estrear em Joinville, com investimentos altos na produção que, depois de premiada no Festival, tinha mais chances de conseguir convites para apresentações remuneradas.

Com o passar dos anos, os sonhos de Jorge em relação a Joinville mudaram: em 2008, depois de 15 dos 16 trabalhos premiados, a meta tornou-se retornar um dia como convidado. A partir de 2017, ele começa a procurar outros objetivos em relação ao Festival: sua companhia profissional, formada a partir de alunos premiados em Joinville, é um dos destaques da Noite de Gala do 35ª Festival. 

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