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Maior do mundo18/07/2017 | 07h12Atualizada em 18/07/2017 | 07h13

Festival de Dança motivou a criação da Escola Bolshoi em Joinville

Balé Bolshoi de Moscou foi contratado para se apresentar na Noite de Abertura do Festival em 1996

Festival de Dança motivou a criação da Escola Bolshoi em Joinville Leo Munhoz/Agencia RBS
O Quebra-nozes foi o primeiro balé de repertório russo montado pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Os bailarinos do Balé Bolshoi de Moscou, uma das companhias de dança mais antigas e reverenciadas do mundo, costumam dançar no palco de seu grande teatro e fazer apresentações nos palcos mais tradicionais do mundo. Era pouco provável que, em 1996, houvesse qualquer chance de o Balé Bolshoi de Moscou incluir Joinville em sua rota durante a turnê pelo Brasil.

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Mas, com a turnê nacional coincidindo com a data do Festival de Joinville, a companhia foi contratada para a Noite de Abertura e alguns dos melhores bailarinos do mundo se apresentaram no Ginásio Ivan Rodrigues. E foi com surpresa que os bailarinos viveram a experiência de dançar em Joinville e serem ovacionados.

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— Eles retornaram para a Rússia ainda comentando a empolgação da plateia de Joinville. É algo sobre o qual se falou por muito tempo – conta o diretor-geral da Escola Bolshoi Brasil, Pavel Kazarian.

A marca deixada pelos participantes do Festival de Dança foi o primeiro impulso para que, nos anos seguintes, o Brasil fosse considerado para um projeto antigo dos diretores Alexander Bogatyrev e Vladimir Vasiliev de compartilhar a metodologia ensinada na Escola Coreográfica de Moscou com a implantação de uma instituição de ensino em outro país.

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Até então, todas as propostas recebidas tinham foco comercial, com a exploração da marca Bolshoi visando ao lucro. O projeto brasileiro, com cunho social, foi aceito em 1998, com a escola aberta no início de 2000. Atualmente, ela educa gratuitamente 228 alunos, vindos de 22 Estados brasileiros, do Paraguai e da Argentina.

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Como instituição, a Escola Bolshoi emprega profissionais da dança e contrata com frequência coreógrafos brasileiros como Luiz Fernando Bongiovanni e Cassi Abranches para criarem novas obras para seus formandos e para a Cia. Jovem Bolshoi Brasil. Estas peças, com os clássicos de repertório, são apresentadas em Joinville e por todo o Brasil, sempre com casa cheia. Agora, a Escola Bolshoi prepara um novo passo: colaborar na capacitação de mais professores, a partir da experiência que já acontece durante o Festival.

— Em dez minutos, todas as 30 vagas do nosso curso para professores foram preenchidas. Percebemos que podíamos ser mais úteis para a formação e o mercado da dança — conta Pavel.

paixãoIgor Monteiro, 18 anos, hoje é aluno da sexta série da Escola Bolshoi Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Dança da superação

A paixão de Igor Monteiro, 18 anos, pela dança nasceu para preencher o vazio deixado pela partida do maior amor do mundo. Ele tinha sete anos quando a mãe morreu, vítima de um câncer, e o sapateado iniciado em uma escola de São José dos Campos, interior de São Paulo, foi uma forma de passar as horas e dias enquanto a pior parte da tristeza não passava. Por isso, o jovem costuma repetir:

— Quero que a minha mãe, de onde estiver, sinta-se orgulhosa de mim.

Se puder assistir aos passos de Igor, motivos não faltarão para esta mãe sorrir: entre 2012 e 2016, ele não saiu nem uma vez do palco do Centreventos Cau Hansen sem premiações, desde o segundo lugar no conjunto júnior de sapateado na primeira participação no Festival de Joinville até receber pelo terceiro ano consecutivo a premiação máxima na categoria sênior do solo masculino e a indicação ao prêmio de melhor bailarino, no ano passado, quando dançou uma coreografia assinada por ele em parceria com a professora Ana, na qual fazia uma homenagem à mãe.

— Todos os anos, assim que voltávamos de Joinville, já começávamos a preparar a coreografia para o Festival do ano seguinte. Fazíamos pesquisas e eu apresentava a obra no encerramento do ano da academia. A partir daí, começava a limpar até chegar o Festival de Joinville — conta ele.

Neste ano, Igor não poderia voltar a concorrer: segundo o regulamento, depois de ganhar três vezes o primeiro lugar em uma categoria, não é permitido que o bailarino continue na Mostra Competitiva, já que há o entendimento de que ele já superou o nível de estudante, que é o foco do evento. Mesmo assim, ele voltará a pisar o mesmo palco e a olhar para a plateia de mais de 4 mil pessoas que tanto o impressionavam: no ano passado, ele aproveitou a vinda ao Festival para participar da seletiva que a Escola Bolshoi oferece neste período e conseguiu uma vaga na sexta-série. Por isso, fará parte do elenco de Príncipe Igor, peça que a escola apresenta na Noite de Gala deste ano.

— Será um papel pequeno, de mise en scène, mas estou muito feliz de ter sido escolhido mesmo sendo novo na escola — afirma.

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