Andrey Lehnemann: "Huni Kuin: os últimos guardiões" representa Brasil em festival nos EUA - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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Coluna de cinema24/08/2017 | 14h00Atualizada em 24/08/2017 | 14h00

Andrey Lehnemann: "Huni Kuin: os últimos guardiões" representa Brasil em festival nos EUA

Documentário retrata uma tribo da Aldeia Novo Segredo, no Acre

Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

Foto: Reprodução / Reprodução

Do dia 7 até o dia 17 de setembro, Washington recebe o DC Shorts Film Festival e o Brasil já tem seu representante. Trata-se do documentário Huni Kuin – Os Últimos Guardiões, da produtora La Casa de la Madre. Selecionado entre mais de 1,5 mil inscritos, o filme denuncia a realidade de uma tribo da Aldeia Novo Segredo, Rio Envira, no Acre, e relata a luta dos habitantes da floresta pela preservação da mata.

Com tons de horror e uma trilha intensa desde o início, Huni Kuin tenta traduzir a frustração e o terror que aquelas pessoas sentem ao encontrar sua casa sendo invadida e seus espíritos, pouco a pouco, sendo tirados deles. Eles usam o verde que defendem em suas vestimentas, enquanto o diretor nos mostra suas faces. "Nawa (o homem branco) precisa entender a nossa necessidade de sobrevivência nos nossos territórios. Eles só pensam no problema. Nunca numa solução ou numa estratégia", avalia um índio, enquanto árvores são tombadas na floresta e os "nawa" fazem anotações.

O diretor Danilo Arenas não apenas enquadra paisagens ou rostos indígenas para produzir uma assertiva contra a devastação, como também denota o sentimento de quem retrata. É sua principal força. No ano em que Martírio se mostrou um dos mais relevantes documentários do cenário nacional, ao abordar o descaso governamental com demarcações de terra e o cinismo como encara a história dos guarani-kaiowa, Huni Kuin é mais uma grande voz para registrar o que não é dado a devida atenção no nosso cotidiano: nossos próprios ancestrais.

Outra dica

Além de Martírio, um longa-metragem amazonense que discorria de uma maneira curiosa sobre costumes indígenas era Antes o Tempo Não Acabava. O diferencial da obra de Fábio Baldo e Sergio Andrade era o contraste apresentado na vida de Anderson, um jovem índio que enfrentava, ao mesmo tempo, preconceito da sua tribo por ir morar na cidade e preconceito da própria sociedade. Os diretores conseguiam criar paralelos eficientes entre a natureza e a periferia de Manaus, onde Anderson começava a viver. Se antes o cajado batendo na terra no ritmo do cântico era a rotina do jovem, agora era os sons das máquinas de uma fábrica. Anderson experimentava a nova vida. Ele dançava ao som de Wesley Safadão e se sentia livre para transar com quem quiser. É um bom retrato de alguém que está recém se conhecendo.

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