Protagonista de "Bingo", Brichta fala sobre vale-tudo na TV nos anos 1980: "Perdemos a espontaneidade" - Lazer e Cultura - Jornal de Santa Catarina

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"Bingo: O Rei das Manhãs" 23/08/2017 | 10h28Atualizada em 23/08/2017 | 11h02

Protagonista de "Bingo", Brichta fala sobre vale-tudo na TV nos anos 1980: "Perdemos a espontaneidade"

Em entrevista, Vladimir Brichta fala sobre viver palhaço inspirado na vida de sexo e drogas de Bozo

Protagonista de "Bingo", Brichta fala sobre vale-tudo na TV nos anos 1980: "Perdemos a espontaneidade" warner/Divulgação
Foto: warner / Divulgação

Mineiro de nascimento e baiano por raízes e paixão,Vladimir Brichta, 41 anos, ganhou a chance de encarnar o palhaço protagonista de Bingo - O Rei das Manhãs – e com ele apresentar um de seus trabalhos mais vigorosos – quando o amigo e "conterrâneo" Wagner Moura não pôde aceitar o papel a ele endereçado pelo diretor Daniel Rezende.

Diante da performance de Brichta como Augusto Mendes, ator de pornochanchadas boa-pinta, mulherengo e chegado a fartas doses de uísque e cocaína, é difícil imaginar outro ator tão empenhado nos registros de drama e comedia que pontuam a trajetória de ascensão e queda de Bingo, a versão fictícia de Bozo, palhaço que comandou uma programa infantil de muito sucesso nos anos 1980.  

Em entrevista, Brichta fala sobre esse luminoso momento de sua carreira:

O que mais lhe interessou ao ser chamado para fazer o Bingo?
Eu via muito programa infantil na minha infância, passei os anos 1980 vendo muita TV. O que me instigou foi roteiro sensacional. É um personagem que destaca questões inerentes à vida do ator, como o sucesso e a imagem, as relações humanas e familiares. E me interessou muito a questão destrutiva dos palhaços, a polaridade de tristezas e inquietações comuns a todo ser humano. Veja uma figura com a grandeza do Robin Williams, que tirou a própria vida, do Andy Kaufman, que viveu um processo de autodestruição, o Jim Carrey que não quer mais trabalhar porque ficou deprimido. Criei o Bingo muito próximo do que seria o meu palhaço. Mas a energia do Arlindo (Barreto, nome do ator que interpretou o Bozo na TV eno qual o filme é inspirado) está ali.

Você teve contato com o Arlindo antes das filmagens?
Não. Vi apenas a gravação de uma longa entrevista que ele deu à equipe de produção. Não é um filme sobre, mas inspirado em. No filme sobre, o ator tem que mimetizar a criatura e as histórias que as pessoas conhecem. Ser inspirado na história real me deu um liberdade para criar. Eu me apeguei mais à energia dele. Só tive contato com o Arlindo quando ele foi fazer uma participação no filme (como um pastor evangélico).

Como foi atuar com o Domingos Montagner nesse que deve ter sido o último trabalho dele?
Não sei se tem algum filme com ele para ser lançado ainda, mas esse foi o último de que ele participou. Foi muito triste a morte dele. O Domingos representava o galã embaixo da lona. O roteiro tem a mão dele na sequência em que seu personagem fala ao Augusto sobre o ofício do palhaço. Fiz minha preparação o Fernando Sampaio, parceiro dele na (companhia teatral) La Mínima.

Vendo o Bingo em ação, passando a mão na Gretchen, ofendendo as crianças, as apresentadoras em trajes sumários, lembramos que, nos anos 1980, era como um vale-tudo na TV. Hoje é impensável assistirmos cenas como aquelas, ainda mais em programas infantis, não?
Hoje não passaria. A sociedade evoluiu em muitas coisas, mas a gente perdeu a espontaneidade. A televisão naquela época ainda estava se formatando. Mais do que nos programas infantis, tinha o programa do Chacrinha, que era uma loucura. Mas a gente deve lembrar que naquele tempo se vinha de período de abertura política após a ditadura, buscava-se uma espécie de transgressão, e não apenas nos programas de televisão.

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